Ciclismo
19/05/2010 - 14:55Doping: Até onde vai a criatividade?

É um novo conceito, mas que tem agitado o mundo do ciclismo. Descubra o que é o doping mecânico, um novo obstáculo no caminho da UCI.
Há um novo rumor a agitar o mundo do ciclismo e novamente relacionado com formas de ganhar uma vantagem ilegal sobre os adversários. A expressão doping mecânico não está ainda bem presente no léxico dos aficionados, mas promete ser o centro de uma nova polémica, lançada após uma série de artigos publicados na imprensa italiana.
O jornal L’Avvenire publicou na sua edição de terça-feira um artigo que dava conta da existência de motores invisíveis, que alegadamente seriam inseridos nos quadros das bicicletas e que permitiriam aos ciclistas poupar energias durante as primeiras cinco horas de corrida, optando os mesmo por mudar para o modo de bicicleta normal quando se aproximasse da parte final da etapa.
Esta situação tem enormes implicações no que diz respeito ao desenrolar das corridas, já que um ciclista pode ir em poupança constante, ou seja, recorrendo ao tal motor auxiliar teria que pedalar muito menos para andar o mesmo que os adversários, mas sem se desgastar.
CONTRA-INFORMAÇÃO: UCI NEGA, PERITO CONFIRMA
A UCI veio de pronto negar a existência de tais mecanismos, tal como confirmou ao CyclingNews Enrico Carpani: “Não temos conhecimento de que este produto esteja em uso no ciclismo competitivo. De momento não há provas de que este tipo de motor seja usado no pelotão, mas a nossa comissão para o equipamento vai seguir este assunto de forma cuidadosa. A UCI está ainda a estudar um método para detectar estes casos”.
Por outro lado, um antigo membro da comissão acima citada, Marco Bognetto, disse ao jornal ao L’Avenire precisamente o contrário, admitindo que “é tudo verdade, há suspeitas de que equipas e ciclistas tenham usado uma bicicleta com sistema de pedais assistidos. Fomos informados disto em Julho, durante o Tour, mas já tínhamos ouvido rumores vindos dos Estados Unidos e isso fez soar os alarmes”. Numa entrevista posterior ao Il Giornale, a mesma fonte foi mais longe e explicou que a UCI “descobriu que este sistema pode poupar ao ciclista entre 60 e 100 watts, o que é uma enorme vantagem no final da corrida. Os nosso técnicos estão a trabalhar num scanner especial que permitirá descobrir motores escondidos no quadro, mas em breve, todas as bicicletas que participem nas grandes corridas vão ser inspeccionadas”, explicou Marco Bognetto.
O MECANISMO
Num dos artigos, o L’Avvenire dá uma explicação detalhada sobre o engenho que está no centro da polémica, dando um exemplo de um mecanismo que já existe no Mercado, chamado Gruber Assist.
Segundo a descrição, o Gruber Assist consiste em inserir um motor no tubo do assento, que interage com o eixo através de uma caixa de velocidades. Quer o dispositivo, quer a sua instalação serão à partida invisíveis, mas no caso de haver um botão para ligar e desligar, poderá ser necessário proceder à descaracterização do mesmo, através da colocação de um suporte para água ou uma bolsa, por exemplo.
Este aparelho poderá pesar até cerca de 1900 gramas, mas o rendimento obtido traduz-se numa poupança energética de até 100 watts.










