Vela
15/02/2010 - 10:35Voar para a Taça América

O BMW Oracle USA 17 bateu o Alinghi 5 por 2-0 e trouxe de volta a Taça América para os Estados Unidos. O 28º triunfo americano em 33 edições da mais conceituada competição da vela foi conseguido… a voar!
Após 15 anos, a “Taça das 100 Guineas”, mais conhecida como a Taça América, está de volta aos Estados Unidos, onde permaneceu durante as primeiras 25 edições, entre 1851 e 1980. O ultra-moderno trimarã BOR 90/USA17 da BMW-Oracle bateu o Alinghi em Valência, o catamarã da equipa suíça que tinha ganho as duas últimas edições da prova mais conhecida da vela e o troféu mais antigo do mundo na história do desporto.
Os americanos não venciam a Taça América desde 1995, quando o “Young America”, comandado pela lenda da vela, Dennis Conner, perdeu para o barco neozelandês, “Black Magic”. Após dois anos de caras (50 milhões de USD!!!) batalhas jurídicas que “sujaram”, e muito, o prestígio da competição, a equipa do quarto homem mais rico do mundo, o patrão da Oracle, Larry Ellison, conseguiu bater o igualmente bilionário, Ernesto Bertarelli (nº 47 da tabela da Forbes), numa competição com barcos de mais de 100 milhões de dólares, medindo 30 metros de comprimento e com mastros que passam os 60 metros de altura. Tudo posto na água por equipas de 100 (ou mais) elementos com orçamentos a rondar os 200 milhões de dólares…
DOIS “GOLOS” SEM RESPOSTA
“É um sentimento completamente maravilhoso. Não poderia estar mais orgulhoso”, disse o Larry Ellison, que esteve a bordo no domingo quando da segunda regata, uma prova em triângulo, com um total de 39 milhas náuticas. O BMW Oracle repetiu o triunfo da primeira manga, na 6ª feira, batendo sem apelo nem agravo o barco suíço. Partindo sempre atrás, mas também sempre com a vantagem do adversário ter acumulado uma penalização na fase de pré-partida, o trimarã que representou as cores do Golden Gate Yacht Club de São Francisco foi sempre mais eficaz nas águas do Mediterrâneo. Com a sua asa/vela que permite navegar a 20 nós sem outro elemento “motor” com vento de proa, e capaz de atingir velocidades de 33 nós (com apenas 8 de vento) na viagem à popa, o BMW Oracle USA 17 mostrou que o projecto americano era mais forte. Na primeira regata a vantagem foi de quase 20 minutos. Na segunda cortou a meta 5m26 antes do Alinghi depois de ter conseguido ultrapassar o barco suíço ao rondar a primeira bóia.

O catamarã da equipa de Ernesto Bertarelli, que na segunda regata deixou o leme para o francês Loick Peyron, mostrou ser sempre mais lento e também mais “nervoso”, enquanto trimarã americano foi um modelo de eficiência e eficácia, tendo em James Spithill um “leme” de primeira grandeza. Aos 30 anos, o australiano torna-se um dos mais novos skippers a vencer a Taça América.
Outro grande ganhador é Russell Coutts, um dos nomes maiores da vela mundial, que tinha ganho a prova para a sua Nova Zelândia natal em 1995 e 2000, mudara-se para a Alinghi e batera os seus compatriotas em Auckland em 2003, zangando-se com Bertarelli logo de seguida e ficando impedido por contrato de competir em 2007. Nessa altura, ingressou no team daquele que é um dos gigantes mundiais de informática e convenceu Ellison que ia conseguir trazer a Taça América de volta para os Estados Unidos. O americano prometeu-lhe três milhões de dólares de prémio, para além de um ordenado de “estrela da bola”, e Coutts cumpriu o prometido! Passa a ser o único velejador que participou em mais de três Taça América sem conhecer derrota. Para tal, teve de bater aquele que sempre foi o seu grande amigo, parceiro de todas as aventuras até 2003, o também neozelandês, Brad Butterworth, vice-presidente (e táctico) da Alinghi. Talvez agora possam voltar a falar-se…
34ª TAÇA AMÉRICA - ONDE E COMO?

Fechada que está a 33ª edição, todos pensam na próxima Taça America, que pode ter lugar já em 2011. Ao detentor do troféu cabe escolher o local de prova e definir as regras. O oceano Pacifico, na zona de São Francisco, parece fora de questão. San Diego, na mesma costa mas mais abaixo, junto à fronteira com o México, onde a equipa BMW Oracle tem a sua base, é uma possibilidade. Mas há quem avance que por uma questão de visibilidade a nível mundial, fosse mais acertada a escolha de Nova Iorque ou até o regresso a Newport, no Estado de Rhode Island, verdadeiramente a “casa” da vela norte-americana.
Quanto ao tipo de barcos, e apesar da espectacularidade dos que agora competiram em Valência, o preço não ajuda a encontrar muito interessados em aventurar-se por essa via. Pode isso significar um regresso aos monocascos, que fizeram sempre a história da prova, com a excepção desta edição 33 e do catamarã americano em 1988. Mas será com os actuais AC90 que competem na série Louis Vuitton e serviram a Taça América durante duas décadas? Difícil de dizer…
Quase certa é a realização de uma série de regatas para se escolher o desafiador, fórmula que tanto sucesso teve em edições anteriores.
Quanto ao yacht club desafiador, os nomes que estão mais na “berra” são o Club Nautico di Roma, que inscreve o Mascalzone Latino do italiano Vincenzo Onorato, e os suecos do Gamla Stans Yacht Sällskap, clube por detrás do Victory Challenge que esteve presente na edição de 2007.










