Vela
27/01/2010 - 14:25Taça América: Como tudo começou

A Taça América em Vela é o maior acontecimento da modalidade e uma das competições individuais mais mediáticas do mundo. Descubra como tudo começou em 1851.
Decorria o ano de 1848 quando a Rainha Vitória de Inglaterra acedeu por decreto à realização de uma corrida de iates, aberta a todas as nações interessadas. Por detrás desta decisão havia a vontade de reafirmar a superioridade tecnológica das embarcações britânicas. Desde 1700 que a vela era considerado o desporto (ou pelo menos a actividade de recreação) dos reis de Inglaterra, e o desempenho naval da então maior potência mundial era reconhecido ao redor do planeta.
O príncipe Alberto, consorte da Rainha Vitória, foi o principal impulsionador da ideia sem imaginar que estaria indirectamente a criar aquele que é hoje em dia um dos eventos desportivos mais mediáticos – a Taça América.
O desafio britânico, que estava ligado também à primeira Grande Exposição Mundial realizada em Londres, seria dado a conhecer por toda a Europa e também nos Estados Unidos. Se fora das Ilhas Britânicas não suscitou grande entusiasmo, o mesmo não aconteceu do outro lado do Atlântico. O primeiro americano a aceitá-lo foi John Cox Stevens, querendo mostrar que a antiga colónia não só ganhara governo próprio e prosperidade, como era capaz de contornar a superioridade inglesa nas águas. Membro de uma das mais respeitadas família nova-iorquinas, Stevens fundou em 1844 o primeiro Yatch Club dos Estados Unidos, do qual era Comodoro. O Yacht Club de Nova Iorque uniu esforços e a Stevens juntaram-se outros cinco membros para financiar a construção de uma escuna de 30,86 metros, que viria a ter o nome “America”, projectada por George Steers. A ideia era realizar, tão só e apenas, o barco a vela mais veloz do mundo.
COMO NASCEU O AMERICA
A construção iniciou no estaleiro de William H. Brown que assumiu o desafio ainda de uma forma mais determinada – afirmou que pagaria do seu próprio bolso o America se o barco não vencesse a competição nas águas britânicas. O barco acabou por ser o mais caro de todos os iates da altura, tão só e apenas porque foi também o primeiro a ser construído com o pensamento posto na competição em detrimento do lazer.
Depois de ficar pronto, o America foi posto a prova num challenge caseiro face ao Maria, outro veleiro pertencente ao próprio Stevens e tido como mais eficaz até então. Acabou por perder o confronto, mas foi o America a ser enviado para a competição em Inglaterra, pois o Maria era tido como incapaz de cruzar o Atlântico.
A esperança não tinha esmorecido, tendo em conta que os americanos contavam que o facto dos iates ingleses serem construídos com base em regras e métodos conservadores acabaria por limitar a sua performance. Os “yankees” tinham feito bem os “trabalhos de casa”. Estudaram as principais fragilidades das embarcações europeias e partiram já com o sabor do champanhe da vitória a tocar-lhes os lábios. Estavam confiantes de que o America venceria toda a frota britânica nessa regata. Mas era uma confiança solitária. Do outro lado do Atlântico, os britânicos riam-se, nunca acreditando que a escuna pudesse deixar para trás os seus fantásticos iates. E havia também muitos americanos que consideravam essa tarefa impossível, entre eles o embaixador em Paris e o famoso jornalista, Horace Greeley, cujos artigos num jornal de Nova Iorque tinham sido um dos fósforos para a Guerra Civil americana. Greeley chegou a escrever: “vocês serão derrotados e o nosso país será insultado com a derrota! Se forem derrotados é melhor não voltarem mais”.










