Vela
05/06/2009 - 18:35“Quero ganhar a Taça América”

Fique a conhecer melhor o duplo campeão do mundo de Match Racing, o britânico Ian Williams, que sonha em ganhar a Taça América.
Foi com apenas nove anos que Ian Williams começou a velejar... e a vencer títulos. No entanto, só há quatro anos é que a vela se tornou uma prioridade. Em 2005 deixou de lado a advocacia para se tornar um profissional de Match Racing. De então para cá, ganhou dois títulos mundiais consecutivos (na temporada dupla de 2006/2007 e em 2008).
“Venho de um ambiente onde a vela sempre esteve presente. Os meus avós velejavam, tal como os meus pais. O meu avô também gostava de pintar, mas era melhor velejador do que artista, pese embora exercer advocacia. Em casa está lá um quadro pintado por ele sobre vela”.
Quando começou a competir ao mais alto nível na vela, os Jogos Olímpicos eram o grande objectivo de Ian Williams. Em Sydney 2000, o britânico não conseguiu a qualificação na classe Soling. Mas tudo parecia caminhar sobre rodas para Atenas 2004. Contudo, essa classe acabou por não fazer parte do programa olímpico e Ian falhou um dos seus principais objectivos.
“Na altura foi muito desmoralizador. Tinha o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Pensei que estava numa boa posição para conseguir a presença em Atenas. Terem retirado a classe por questões políticas foi frustrante. Acabou por ter um efeito muito directo na minha carreira, em especial na minha motivação”.
Depois dessa desilusão, Ian Williams dedicou-se aos estudos e tornou-se advogado. Já estava a exercer quando surgiu o convite para formar uma equipa de Match Racing, o Team Pindar. Mais uma vez, a carreira do londrino seguiu um rumo pouco habitual.

“Sem dúvida que o meu caminho tem sido muito diferente. Somos quatro irmãos e os meus pais não tinham tempo para me acompanhar em todas as provas de vela. Nem mesmo ensinar-me e orientar-me. Sempre pensaram que um dos benefícios de eu estar na vela, era que me ajudava a organizar-me sozinho. Aprendi muito com isso e agora ajuda-me, pois o Match Racing não tem o mesmo apoio que existe para as classes Olímpicas por parte da Royal Yachting Assocation. Digamos que temos de fazer tudo: ir para a água, treinarmos sozinhos e estarmos entregue ao nosso próprio destino”.
Ian Williams venceu a sua primeira prova da Taça do Mundo de Match Racing em 2005. Aconteceu nas Bermudas. Terminou a temporada em segundo lugar da geral, logo atrás do australiano Peter Gilmour.
“Quando deixei a advocacia e comecei a velejar profissionalmente, não tinha noção concreta de como tudo iria passar-se. Acabei por ter uma primeira época fantástica vencendo várias provas. Penso que a primeira vez que vencemos uma competição de Match Racing foi nas Bermudas. Depois tivemos outra vitória algures e a terceira foi na etapa final, na Malásia. Foi a confirmação de que tinha tomado a decisão certa ao deixar a minha carreira como advogado para dedicar-me a tempo inteiro à vela”.
UMA MUDANÇA QUASE RADICAL...
“Foi certamente uma mudança na minha vida e difícil em termos familiares. Mas sou hoje uma pessoa muito mais feliz. Tenho mais amor pela vida!”.

Para 2009 e os anos seguintes, Ian Williams tem outros objectivos para além do Match Racing. Em Fevereiro deste ano, estreou-se como skipper em barcos da Taça América, durante a Louis Vuitton Pacific Series. O inglês esteve no China Team, preparando a presença no novo desafio britânico – o Team Origin. Resta saber quanto e como serão as próximas edições dessa competição maior do mundo da vela.
“A Taça América é mais do que um simples desafio de vela. Do ponto de vista da equipa, trata-se de desenhar e construir um barco. Mas também envolve política, marketing e muita mediação. São aspectos a ter em conta para quem quer vencer. Como velejador, não estamos imunes às questões politicas - é algo com que temos de lidar. Faz parte do jogo”.
A Taça América é sem dúvida uma das provas mais mediáticas e importantes do mundo. Especialmente para quem vive na Costa Sul de Inglaterra.
“Needles, o ponto mais ocidental da Ilha de Wright, foi onde se realizou a primeira edição da Taça América, ainda no Século XIX. Ao que sei, a prova era composta de uma volta à ilha, no sentido dos ponteiros do relógio, com partida e chegada em Cowes. Para mim, não há sonho maior do que vencer a Taça América. A Grã-Bretanha é o local onde tudo começou, mas nunca um britânico venceu a competição. Seria fantástico ganhar e trazer o troféu de volta para o nosso país. Não penso muito nisso, mas se até ao final da minha carreira não o conseguir, considerarei isso um fracasso”.










