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07/06/2010 - 07:47 - Updated 07/06/2010 - 07:50

Aqui mando eu!


Aqui mando eu! - TÉNIS
EFE

Os “expert” acreditavam que Robin Soderling podia mesmo ganhar o primeiro Grand Slam da carreira. Só que Rafael Nadal mostrou de forma peremptória que em Roland Garros é ele que manda e com o quinto título em Paris regressou à posição de nº 1 do mundo.

DIA 15 – Como muitas vezes acontece, o melhor nem sempre está guardado para o fim. A final masculina de Roland Garros 2010 teve pouca emoção, ainda que algum bom ténis, sobretudo por parte de um Rafael Nadal que se mostrou intratável. Com 6/4, 6/2 e 6/4 conquistou o quinto título no Grand Slam parisiense. Só Bjorn Borg tem mais (6). O maiorquino conseguiu pela segunda vez em três anos vencer o torneio sem perder um set (Bjorn e Ilie Nastase também o fizeram no passado), tendo agora 38-1, mas é o primeiro a impor-se na mesma temporada nos três Masters Series jogados em piso de pó de tijolo e de seguida nos courts da Porte D’Auteuil. Mais, fez toda a temporada de terra batida com o score perfeito – 22 encontros sem perder. Já agora, só mais um número: em 96 encontros de Grand Slam, Nadal só perdeu um após ter ganho o set inicial!

PROVOCARAM O “MATADOR”

Mas como é que consegue vencer pela quinta vez um Grand Slam e festejar como se tratasse de uma estreia? Basta um pouco de provocação! Pela primeira vez, apesar de um percurso “limpo” até à final, Nadal não aparecia como natural favorito em Paris, com a excepção dos correctores de apostas onde pagava 2/7 contra os 7/2 de Soderling. Os ex-jogadores, os comentadores e até muito do público que normalmente vê espanhol como campeão por estas andanças, acreditavam que o sueco podia repetir o triunfo de há 12 meses, então nos 1/8 de final. Mais ainda: até Soderling estava convencido que podia ganhar e o tempo chuvoso pela manhã e a humidade que se prolongou pela tarde pareciam favorecer o tipo de ténis do nº 5 do mundo. E isso foi o pior que podia acontecer ao nórdico. Primeiro, porque não soube lidar com os nervos. Depois, porque tudo isso atiçou o “matador” Nadal a um nível que há muito não víamos. Como se tivesse de provar a todos, e a si próprio ainda mais, que nunca deixara de ser o Rei de Roland Garros.

Aqui mando eu! - TÉNIS

O espanhol traçou um plano de jogo perto da perfeição, conseguindo anular o ténis do adversário quando esteve ao serviço. Aproveitou ainda muito bem o facto das armas de Soderling - sobretudo o serviço e a direita – estarem em dia menos inspirado. Na hora de festejar, pegou no microfone e não se sentiu constrangido em afirmar que tinha feito o melhor encontro da quinzena. Também disse que o tinha de fazer, pois caso contrário seria impossível bater Soderling.

“Rafa” teve paciência. Mostrou que o seu ténis está menos dependente da pancada natural de esquerda com um topspin do tamanho do mundo (a bola chega a fazer 4900 rotações por minuto!!!). É agora um tenista mais completo. Com isso menos dependente da forma física, para além de se salvaguardar mais de possíveis lesões, que tanto o afectaram em 2009.

ROBIN PODE QUEIXAR-SE… DE SODERLING

Robin Soderling só pode queixar-se de si próprio. Teve oito oportunidades de consumar um break e nem uma converteu. O volte-face do encontro aconteceu no 2º set, aos 2-1 para o sueco com serviço de Nadal. Soderling não aproveitou o break e o agora de novo nº 1 do mundo ganhou esse jogo. De seguida fez mais quatro, para fechar o segundo set, e outros dois no início do seguinte. De repetente, Sordeling perdia dois set a zero e 0/2 no terceiro. Todos perceberam, e o sueco melhor ainda, que Nadal estava definitivamente a caminho do penta em Paris (e do 7º Grand Slam). Conseguiu-o passadas 2h18m perante o aplauso do público, entre os quais estava uma espectadora muito especial - a Rainha Sofia.

Aqui mando eu! - TÉNIS

Soderling voltou a “morrer na praia” em Roland Garros. Se o nervoso da final contra Federer em 2009 se explica em parte com a estreia, o que aconteceu passados 12 meses é menos fácil de se perceber. Deslumbramento? Talvez não, pois sem se acreditar nas possibilidades e no próprio ténis é impossível ganhar. Só que o jogo do sueco não fez o “click” que acontecera antes contra Federer ou Berdych. Bastou vê-lo sentado na cadeira no final do encontro para se perceber que sabia porque tinha perdido.

Agora, segue-se a relva de Wimbledon. Nadal ganhou em 2008, mas as lesões levaram-no a faltar à chamada no ano passado. Federer espera por ele, pois o suíço ainda tem na memória a derrota num dos mais extraordinários encontros da história do ténis (há mesmo quem considere a final de há dois anos como o melhor de sempre) e quer desforra.

OS OUTROS CAMPEÕES

Para além de Nadal, de Francesca Schiavone, nos singulares femininos, e das manas Williams, nos pares femininos, Roland Garros consagrou outros campeões. Com 34 anos feitos na sexta-feira, Nemad Zimonjic ganhou dois títulos em três dias. Primeiro o de pares mistos, na companhia de Katarina Srebotnik; depois o de pares masculinos, com Daniel Nestor. Nos juniores, a Argentina vingou-se de um torneio para esquecer nos “mais velhos” com a vitória de Agustin Velotti face a Andrea Collarini, que queria ser o primeiro americano a ganhar o torneio dos futuros campeões desde John McEnroe, em 1977. Nas meninas, triunfo ucraniano, graças a Elina Svitolina que bateu a turca Ons Jabeur. Nos pares masculinos venceram o peruano Duilio Beretta e o equatoriano Roberto Quiroz, enquanto a dupla Timea Babos (HUN) / Sloane Stephens (EUA) impôs-se nos pares femininos.

Eurosport - João Carlos Costa

“Pesquisa Programação” Ex. : Futebol, Champions League, Eurogoals…

 

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