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06/06/2010 - 11:55 - Updated 06/06/2010 - 12:02

One Woman Show!


One Woman Show! - TÉNIS
Reuters

Francesca Schiavone comprou os foguetes, lançou-os e ainda apanhou as canas. Pintou de azul "Azurra" o court Philippe Chatrier. Ah... e também ganhou o Torneio feminino de Roland Garros!

DIA 14 - Podia nem ter havido encontro! Só a festa da vitória de Francesca Schiavone valia cada cêntimo do preço do bilhete para a final feminina de Roland Garros 2010. Quando garantiu o último ponto do tie-break do segundo set, caiu de costas no pó de tijolo, como querendo interiorizar no corpo o palco que lhe tinha dado o maior triunfo da sua carreira. Depois beijou-o, num namoro que se prolongou ao longo de duas semanas e que acabou em casamento. Consumado o acto, escalou uma montanha, desafio físico que pareceu mais difícil do que os 98 minutos de bom ténis face a Samantha Stosur. Trepando bancada cima, foi ao encontro da claque de amigos que se vestira a preceito para partilhar com a italiana uma prenda pelos 30 anos de idade, antecipada em quase um mês. E o melhor estava para vir. Após receber a Taça Suzanne Lenglen das mãos de Mary Pierce, sempre com um enorme sorriso desenhado nos lábios, pegou no microfone e deu um "One Woman Show", em inglês e em italiano. Até fez dois "encore" porque se tinha esquecido de uns agradecimentos, o último dos quais aos pais.

Schiavone fez tudo isto como se estivesse mais do que habituada a tamanha honraria, com uma naturalidade que ela própria admitiu se sentir já embebida. Mas, sobretudo, com a mesma simplicidade e descontracção com que iniciou a primeira final de Grand Slam da sua carreira face a uma adversária que em confrontos anteriores a tinha derrotado por quatro vezes e a quem vencera uma única.

One Woman Show! - TÉNIS

Foi exactamente nos "nervos", ou na falta deles, que esteve a chave do triunfo. Stosur parecer sempre mais tensa. Schiavone, pelo seu lado, mesmo a perder 1-4 no segundo set, nunca perdeu a cabeça nem a atitude positiva. Cada ponto ganho correspondia a um sorriso. Cada momento menos bom deixado para trás era sublinhado com um "uppercut" no ar, como querendo pôr KO o "grilo falante" da frustração.

Com essa atitude de campeã foi cativando, ponto a ponto, o público parisiense, talvez mais sensibilizado para um triunfo do Velho Continente, para mais de uma latina como Schiavone mostrou ser, do que em apoiar alguém do outro lado do mundo, naquela que foi a primeira final feminina entre o hemisférios em 30 anos.

Schiavone tornou na senhora mais velha a ganhar um Grand Slam desde Ann Jones em Wimbledon 1969 - tinha então 30 anos, mas esse já não era o seu primeiro "Major". Foi a primeira a elevar tão alto o ténis italiano desde que Adrianno Panatta vencera o torneio masculino de Roland Garros masculino em 1976. E a última vez que o Grand Slam da terra batida tinha sido ganho por uma jogadora fora das 10 primeiras cabeças de série fora em 1933. Por falar em Top 10, Schiavone fará parte dessa elite do ranking WTA pela primeira vez a partir de 2ª feira.

O resto são (mais) números. O primeiro set foi vencido com um 6/4 depois de quebrar o serviço de Stosur no 9º jogo e servir para fechar no seguinte. Tudo isto, pondo em prática um plano de jogo muito bem estudado e melhor executado, até no serviço, pois fez quase tantos ases neste encontro quanto em todo o torneio.

One Woman Show! - TÉNIS

No segundo set, teve hipótese de quebrar o serviço da australiana logo no 3º jogo. Falhou e foi Stosur que de seguida fez o break e chegou depois aos 4-1. Podia pensar-se que a conjugação desses factores seria desmotivante para a transalpina. Nada disso. Deu-lhe ainda mais motivos para lutar... e com isso desesperar Stosur. Nos três jogos seguintes chegou ao empate perdendo apenas três pontos! Daí para a frente, as duas mantiveram o serviço até ao tie-break. Aos 2-2 da "negra", Stosur falhou um vólei fácil e deu mais uma pastilha de energia a Schiavone. Quatro “winners” mais tarde, após 1h38m de muito bom ténis, o 7-2 no tie-break entregava a taça a Schiavone. O resto foi show, aquele que pode ler no início desta reportagem.

E onde falhou Samantha Stosur? Simplesmente não fez aquilo que fizera antes face a Justine Henin, Serena Williams ou Jelena Jankovic - não mandou no encontro! A culpa, mais do que da australiana, foi de Schiavone, que nunca a deixou.

Não ganhou a favorita, até nas bolsas de apostas que pagavam 1/4 pela vitória de Stosur e 4/1 pela de Schiavone. Venceu a melhor em court!

Eurosport - João Carlos Costa
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