Ténis
31/01/2010 - 17:02Federer para maiores de 16

Já são 16 os títulos de Grand Slam conquistados por Roger Federer. Um “filme” onde é o único que pode entrar na “sala”. Andy Murray perdeu a segunda final de um “Major” face ao suíço e por isso ainda não é a sua hora de ir vender camisolas.
DIA 14 – É sempre o encontro mais esperado – a final masculina de um Grand Slam. O Australian Open de 2010 não foi excepção, até porque se encontravam o nº1 do mundo, e grande dominador do circuito na última década, e o britânico que para lá da Mancha faz acreditar que 74 anos sem títulos em “majors” podem acabar, mais dia, menos dia.
Andy Murray tinha estado apenas numa final de Grand Slam (US Open 2008) e também para defrontar Roger Federer. Em Nova Iorque fora destroçado pelo suíço em três sets. Desta feita, a dose repetiu-se, com a novidade de no terceiro ter dado muito mais luta. Aos 22 anos, parece que ainda não está pronto para ganhar um Grand Slam, sobretudo face a Federer. E assim sendo, a velha Albion continua apenas a sonhar com o fim da longa caminhada de insucessos que se mantém desde 1936, quando Fred Perry ganhou o último Grand Slam para o Reino Unido. Fica a ideia que Murray ainda é muito novo para ir vender camisolas pólo, como fez, com enorme sucesso, Fred Perry após abandonar a competição.
SERÁ ESTE O “ANO FEDERER ”

Pelo seu lado, Federer começa o ano de forma inspirada. Será desta que “sai” o Grand Slam? Nadal não está em forma e por isso o suíço até pode repetir o triunfo em Roland Garros. Se vencer em Wimbledon e Nova Iorque não será um choque – antes pelo contrário, a derrota é que não tem sido normal nos últimos anos. Poderá então 2010 ser o ano Federer, quem sabe um último antes de deixar o ténis pela porta grande? Mas mesmo seja “ano Federer” não estará o nº 1 ATP interessado em mais recordes – para lá de 20 títulos Grand Slam, número de semanas na liderança do ranking ou até o Ouro olímpico? É que tem apenas 28 anos…
Certo é que está tão bom com nunca e a maturidade (e os títulos…) permitem-lhe um à vontade por vezes desconcertante. Viu-se na final de Melbourne, onde acabou por erguer pela quarta vez a Taça Norman Brookes Challenge na Austrália (tinha ganho antes em 2004, 2006 e 2007), conquistando o 16º Grand Slam da carreira.
Uma vez mais, Federer aproveitou as oportunidades que se lhe abriram ao longo das 2h41m que demorou o encontro. No primeiro set, quebrou logo o serviço de entrada a Murray, ainda que o britânico tenha devolvido a “graça” para empatar a 2-2 e obrigado de seguida o suíço a salvar três pontos de break ao 5º jogo. Federer aumentou o ritmo, meteu alguns belos ases e ainda mais maravilhosas esquerdas, acabando por quebrar outra vez o serviço ao nº 5 do mundo no 8º jogo. Fechou depois por 6-3, num set onde o escocês converteu apenas uma das quatro hipóteses de break, contra duas em três do adversário.
Murray mudou de pólo entre os dois set. Se o azul não lhe deu sorte, o branco também não. Isto, apesar de, como normalmente acontece, mostrar que estava mais ritmado com o ténis do adversário e mais constante nas suas melhores pancadas. Federer quebrou logo o serviço no 3º jogo. Os dois mantiveram os seus jogos até ao final (ainda que Murray tivesse que defender seis pontos de break), mas o triunfo não escapou outra vez ao suíço – 6-4 em mais 46 minutos.

O início do terceiro set viu Murray desperdiçar uma oportunidade para se adiantar no marcador. Um erro não forçado levou-o até a atirar a raqueta ao chão. Um acto de raiva que lhe deu outro folgo. A meio do set fez 4-2 quebrando o serviço a Federer e de seguida ganhou o seu. A perder 2-5, o nº 1 do mundo realizou uma maravilhosa recuperação, adiando a decisão para o tie-break. E que tie-break – foram precisos 24 intensos pontos para gáudio dos 15 mil espectadores que enchiam a Rod Laver Arena!
Murray teve quarto hipóteses para fechar o set, enquanto o adversário não converteu os dois primeiros match-points. Mas quando o marcador mostrava 12-11, uma esquerda do britânico que ficou na rede deu o título a Federer.
PARES DE IRMÃOS AMERICANOS
Mais um título americano (o terceiro) neste Australian Open 2010. Depois de Serena Williams (singulares femininos) e das manas Williams (pares femininos), foi a vez dos gémeos Bob e Mike Bryan vencerem a competição de pares masculinos. Pelo caminho garantiram o oitavo Grand Slam desta variante e o quarto ceptro em Melbourne nos últimos cinco anos.

Na final, derrotaram Daniel Nestor (Canadá) e Nenad Zimonjic (Sérvia) por 6-3, 6-7 e 6-3. No primeiro set, os americanos tiveram que defender com sucesso dois pontos de break ao nono jogo antes consumarem o triunfo por 6-3. No segundo, o tie-break serviu para desempatar e a vantagem foi para Nestor e Zimonjic fazendo cinco pontos consecutivos após estarem a perder 2/5.
No set decisivo, os Bryan garantiram logo o break ao quarto jogo e não perderam mais essa vantagem fechando com 6-3.
41 PARA PAES, GRAND SLAM PARA BLACK
Nos pares mistos, 41º título Leander Paes, dos quais 11 em torneios de Grand Slam - seis na variante de pares masculinos e cinco em pares mistos. O indiano era o cabeça de série nº 1 numa parceria com a zimbabweana Cara Black (que perdera a final de pares femininos), tendo a dupla derrotado Ekaterina Makarova/ Jaroslav Levinsky por 7-5 e 6-3. Paes e Black repetiram assim o título alcançado no último US Open, sendo que a tenista africana completa um “Grand Slam pessoal” pois também ganhou Roland Garros/2002 e Wimbledon/2004, então na companhia do irmão Wayne. Paes, um veterano de 36 anos, tinha ganho os pares mistos em Melbourne/ 2003 com Martina Navratilova.
No final, os campeões brincaram falando do tempo que treinaram juntos ao longo do torneio – 45 minutos na manhã antes da final! Mesmo assim, tinham o privilégio de se conhecerem, o que não acontecia com os finalistas derrotados. Esses encontraram-se pela primeira vez cinco (!!!) minutos antes do encontro da primeira ronda, depois de Levinsky ter respondido por SMS a um anúncio de Makarova que procurava parceiro…









