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30/01/2010 - 13:08

Australian Open: Par e ímpar


Par e ímpar - TÉNIS
Reuters

Para se vencer, mesmo num ano par, tem de se ser ímpar! Serena Williams, rainha dos anos ímpares no Australian Open, quebrou o feitiço e ganho num par. Serena e Henin confirmaram também que são ímpares no ténis, mesmo se pela primeira vez tenham sido o par de finalistas num Grand Slam.

DIA 13 – Até aqui, em 14 finais de Grand Slam, Serena Williams só perdera três (duas vezes com a irmã e outra, em Wimbledon 2004, face a uma Sharapova super-inspirada), mas nunca tinha defrontado Justine Henin. A 15ª, em Melbourne 2010, resolveu essa questão e o confronto acabou favorável à americana por 6-4, 3-6 e 6-2. Quebrou assim o “feitiço” dos anos pares no Australian Open e garantiu o quinto triunfo na competição desde 2003 (ganhou também em 2005, 2007 e 2009), um novo recorde na Era Moderna.

Ainda não foi desta que um Grand Slam foi ganho por uma jogadora sem ranking - a situação actual de Justine Henin, pois são precisos três torneios para se entrar na tabela WTA. Mesmo assim, a belga pode considerar-se uma das grandes vencedoras quando se fizer o balanço das duas semanas do Australian Open. A antiga nº 1 do mundo e vencedora em Melbourne/2004 bem tentou, mas sentiu-se que ainda não está totalmente “recuperada” da paragem de 20 meses, muito embora tenha atingido a final nos dois torneios que realizou. O facto de estar apenas a fazer a 11ª partida desde que regressou da “reforma antecipada” não terá ajudado Henin. O serviço, tantas vezes criticado pelos especialistas neste regresso, voltou a custar-lhe muitos pontos. Só conseguiu meter 50 por cento de primeiras bolas e fez seis duplas faltas. No entanto, custou-lhe ainda mais caro o facto de só ter convertido cinco das 16 possibilidades de fazer o break a Serena, enquanto esta consumou 6 em 11.

A HISTÓRIA FEZ-SE EM 3 SETS

Par e ímpar - TÉNIS

Henin até começou melhor, criando várias situações de break nas duas primeiras vezes que Serena esteve a servir. Com a ajuda de ases, a americana foi-se mantendo à tona (2-1) e de imediato foi ela que quebrou o serviço à belga para fazer 3-1 com a ajuda de uma dupla falta da adversária. A resposta de Henin veio ao 8º jogo, com a devolução do break (4-4), mas Serena reconquistou-o no 10º para fechar o set por 6-4 em 51 minutos.

O segundo set começou outra vez com a wild-card a dar nas vistas, fazendo o break no 3º jogo. A nº1 do mundo devolveu-o imediatamente, mas de nada lhe serviu: Henin quebrou mais duas vezes o serviço nos últimos três jogos e com 6-3 igualou a partida. O embalo continuou no início do set decisivo, tendo a belga feito um total de 15 pontos consecutivos (!!!) até que, face à possibilidade de novo break, Serena “sacou” um serviço a 197 km/h e igualou. Um ponto que parecer servir de catarse (um pouco como quando esteve a perder 0-4 com a Azarenka no 2ºset). Roubou mais duas vezes (6º e 8º jogos) o serviço a Henin e fechou o encontro com um 6-2, após 2h08m de altíssimo ténis protagonizado pelas duas partes.

Par e ímpar - TÉNIS

Aos 28 anos, foi com um sorriso de menina Serena que a mais nova das Williams levantou pela quinta vez a Taça Daphne Akhurst Memorial no court principal, igualando a compatriota Billie Jean King como a terceira mais vitoriosa de sempre em “Majors”. Billie Jean estava presente em Melbourne e aplaudiu, tal como Henin. Agora, a belga já só deve estar a pensar na “vingança” que quer preparar para a sua “casa emprestada” de Roland Garros. Faltam menos quatro meses…

UM NOVO “GUGA”

O ténis brasileiro anda há muito à procura de alguém que renove o prazer das vitórias de Gustavo Kurten. Será Tiago Fernandes o novo Guga? É cedo para dizê-lo, mas o jovem que fez 17 anos no dia anterior a conseguir o título júnior do Australian Open mostrou enorme valor e uma capacidade para resistir a um público que estava todo (ou quase) do lado do adversário. É que Sean Berman, apesar de ter nascido na África do Sul e de ter sido criado na Nova Zelândia, representa a Austrália. Após receber um wild-card, tinha encantado Melbourne até à final. Só que aí acabou por ser Tiago Fernandes a impor-se por 7-5 e 6-3 em 1h40m de muito bom ténis.

A MESMA DERROTADA

Nos Juniores femininos, triunfo para Karolina Pliskova. A checa de 17 anos desmontou com grande eficácia o jogo da surpreendente britânica, Laura Robson, que estava pela segunda vez consecutiva na final júnior do Australian Open, onde chegara só cedendo um set e ganhando à irmã gémea da sua adversária (Krystina) nas ½ finais. Para além disso, a jovem britânica de 16 anos tinha passado uma ronda da qualificação do torneio principal e atingido os ¼ de final de pares-femininos (com Sally Peers).

Contrariando o favoritismo da adversária, Pliskova ganhou o primeiro set com enorme facilidade (6-1 em apenas 22 minutos). Robson fez muitos menos erros não forçados no 2º set. As bolas começaram a bater dentro do court e mesmo se Pliskova teve o seu serviço para fechar o encontro ao 10º jogo, a britânica adiou a derrota para o tie-break. Ai chegou a ter uma vantagem de 4/1, mas não evitou perder o torneio pelo segundo ano consecutivo.

Eurosport - João Carlos Costa
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