Ténis
30/10/2009 - 18:40 - Updated 28/10/2010 - 11:13Um português no deserto

Luís de Sousa foi durante anos um dos responsáveis pelo Masters feminino. Ganhou fama e proveito no deserto dos Emirados e está agora de regresso a Portugal, sendo um dos convidados do Eurosport para as emissões do WTA Championships 2010.
Os portugueses deram novos mundos ao mundo aquando da saga dos descobrimentos nos séculos XIV a XVI. Depois houve a grande diáspora para França nas décadas de 60 e 70. E no ténis? Há vários portugueses emigrados para tentarem a sua sorte e que hoje em dia apresentam residência oficial no estrangeiro, sendo logicamente mais famosos os jogadores, mas há também os árbitros e os técnicos, sendo que o WTA Championships colocou um deles em evidência: Luís de Sousa.
Director-técnico da Federação de Ténis do Qatar e director do milionário torneio que leva três edições em Doha, Luís de Sousa está agora de regresso a Portugal, depois de uma experiência incrível.
XEIQUE
A poderosa e endinheirada Federação de Ténis do Qatar convenceu ($$$$$) o WTA Tour a organizar o Masters Feminino e ao longo do ano também organiza um torneio de destaque no circuito ATP. Luís de Sousa, prestes a completar 55 anos, esteve no Qatar desde 2005; como director-técnico e Head Coach, tinha a seu cargo o departamento de competição e ainda é figura de bastidores desses grandes eventos internacionais realizados no imponente e recentemente remodelado Khalifa Internacional Tennis Complex – organizando, por exemplo, clínicas com jovens.
«O torneio feminino tem mais sucesso do que o masculino», confessa Luís de Sousa – revelando depois que as suas pupilas árabes têm de abandonar o ténis pelos 14 anos, idade em que têm de começar a cobrir o corpo com as burkas. Depois de ter passado pela Alemanha no início da década de 80, e de ter estado alguns meses na Arábia Saudita, no Egipto e em Inglaterra entre 2002 e 2004, afirma estar muito bem no Qatar. «Sinto-me bem, sou respeitado e consegui que os miúdos do Qatar tivessem resultados desportivos nunca antes alcançados nos Campeonatos Árabes». Também conseguiu atrair o treinador André Rosa Nunes e o preparador físico Luís Lopes para integrarem temporariamente a sua equipa técnica. E até sugeriu localmente que fosse João Lagos a organizar o Masters feminino. «O poder financeiro desta gente é enorme. Fala-se muito na riqueza oriunda do petróleo, mas eles até retiram mais proventos do gás natural», revela.
Não admira que, para além dos milionários torneios de ténis que organizam, tenham querido candidatar-se aos Jogos Olímpicos de 2016 (faziam parte de uma pré-selecção) e que queiram anfitriar o Mundial de Futebol de 2022, com orçamentos estratosféricos que envolvem a construção de luxuosos estádios com ar condicionado para refrescar as tremendas temperaturas que se fazem sentir no local…
Por Miguel Seabra,









