Ténis
24/10/2009 - 21:00Catarse no Qatar

No termo de uma época que chegou a ser comico-trágica, quem irá sair purificada com o título no Masters feminino? O comentador Eurosport, Miguel Seabra, analisa à lupa as 8 protagonistas da cimeira de final de época no WTA Tour: o Sony Ericsson Championships.
O Sony Ericsson Championships arranca com a fase de grupos, estando as oito mestras divididas em duas poules onde todas jogam contra todas (em jornadas de três encontros diários entre terça e sexta-feira). As duas primeiras de cada grupo qualificam-se para as meias-finais de sábado e o título fica atribuído no domingo, dia 1 de Novembro.
O sorteio da distribuição das oito jogadores pelas duas poules de apuramento já foi efectuado. No Grupo Castanho ficaram colocadas as irmãs americanas Serena e Venus Williams e as russas Svetlana Kuznetsova e Elena Dementieva; o Grupo Branco é formado pela russa Dinara Safina, pela sérvia Jelena Jankovic e por duas jovens estreantes: a bielorrussa Victoria Azarenka e a dinamarquesa Caroline Wozniacki. Ou seja, um Grupo Castanho com tenistas mais experientes e laureadas que no seu palmarés conjunto apresentam um currículo laureado com 20 títulos do Grand Slam, 3 do Masters e 2 medalhas olímpicas -- enquanto as jogadoras do Grupo Branco não têm qualquer troféu desse tipo de importância. Mas há um dado estatístico negativo a referir relativamente às russas da poule mais consagrada: é que, juntas, Kuznetsova e Dementieva só ganharam 4 dos 27 encontros por elas jogados no historial da competição; no entanto, o facto de a prova agora se realizar ao ar livre poderá ajudá-las uma vez que são melhores jogadoras ao ar livre do que em recintos cobertos.
Aqui fica a minha análise técnica, táctica, física e mental às oito jogadores do elenco individual e ainda às duas suplentes. Imprimam e façam-se acompanhar das dicas ao longo das transmissões!
DINARA SAFINA (Rússia)
23 anos, 1m82, 70kg
Corrida ao Masters: 1ª – 7.731 pontos
Títulos 2009: 3 (Madrid, Roma, Portoroz)
Vitórias-Derrotas 2009: 55-15
É talvez a jogadora que mais precise de ganhar o torneio – para certificar o seu posto de número um mundial no final do ano, para aconchegar o seu ego tão maltratado desde o final da primavera, para calar momentaneamente os detractores. Mas não será fácil. Para já, porque essa necessidade de ganhar o título vai continuar a colocar-lhe pressão em cima – depois porque, com pressão em cima, Dinara Safina torna-se numa jogadora mais banal e menos capaz de lutar directamente com as melhores jogadoras do circuito. Em 2008, a moscovita sacudiu a sua inconstância e finalmente acreditou num técnico; a sua obsessão pelo treino físico também lhe deu confiança e permitiu-lhe dar o salto (mens sana in corpore sana) qualitativo que por sua vez a tornou numa jogadora mentalmente mais forte; transformou-se numa autêntica máquina de ganhar… mas claudicou várias vezes nos momentos mais cruciais dos torneios mais importantes. A tensão prende-a, afectando-lhe sobretudo a fluidez gestual da direita e do serviço, duas pancadas demasiado mecânicas que podem claudicar, como sucedeu clamorosamente na final de Roland Garros: a direita pode ser desmantelada (sobretudo quando pressionada em velocidade); o serviço desmantela-se por si próprio (tem um lançamento de bola demasiado alto, muitas vezes perde o ritmo gestual, comete duplas-faltas sob pressão). Claro que o nível médio de Safina é elevado, apresenta uma grande cadência de jogo e tanto a direita como o serviço, apesar das lacunas técnicas evidentes, também podem ser armas letais quando tudo corre bem – mas a sua pancada principal e a que melhor funciona mesmo sob tensão é a esquerda. Nos torneios do Grand Slam, foi claramente derrotada nas cimeiras de Melbourne e Paris, depois foi atropelada nas meias-finais de Wimbledon. Não ganha qualquer título desde Julho, tem acumulado desaires precoces até diante de jogadoras bem menos cotadas. Precisa de encontrar a redenção em Doha.
SERENA WILLIAMS (EUA)
28 anos, 1m75, 68kg
Corrida ao Masters: 2ª – 7.576 pontos
Títulos 2009: 2 (Australian Open, Wimbledon)
Vitórias-Derrotas 2009: 45-12
A jogadora que, em circunstâncias normais, é sempre o alvo a abater e que parte como favorita para qualquer grande torneio que não seja jogado em terra batida. Mas tudo depende da sua motivação e da sua disponibilidade física – e Serena Williams não se tem revelado muito propensa a competir fora dos eventos do Grand Slam ou até mesmo nos outros torneios fora dos Estados Unidos. Só ganhou uma vez o Masters feminino, mas o orgulho de campeã poderá ajudá-la na missão de arrebatar em Doha o primeiro lugar do ranking a uma rival que ela não considera da sua igualha. Psicologicamente fortíssima, a americana possui um jogo assaz completo… mas é bem mais eficaz em acções ofensivas – onde faz valer a sua potência e agressividade – do que em situações defensivas, se bem que a sua raiva de vencer a ajude a dar a volta a jogadas (para não falar em encontros) mais complicadas. Em condições normais é a melhor: serviço bem ritmado e acutilante não só na primeira bola como até na segunda; respostas letais, direitas e esquerdas perfurantes. Por vezes tenta alguma variação, mas as bolas em toque não são propriamente o seu forte. Pode ser atacada com bolas profundas à figura, tanto no serviço como nas jogadas corridas – mas se ela tem tempo para se desviar, atenção! Quando entra no seu habitual transe competitivo, pode revelar-se intratável e inalcançável; é a jogadora mais intimidante do circuito… tendo feito extravasar essa intimidação para fora do court nas meias-finais do Open dos Estados Unidos: ameaçou uma juiz-de-linha e sofreu um ponto de penalidade que ditou a sua derrota diante de Kim Clijsters.
SVETLANA KUZNETSOVA (Rússia)
24 anos, 1m74, 73kg
Corrida ao Masters: 3ª – 5.772 pontos
Títulos 2009: 3 (Estugarda, Roland Garros, Beijing)
Vitórias-Derrotas 2007: 42-14
É um case study do circuito feminino e do ténis russo. Muito talentosa e com um estilo diferente das suas colegas, desde muito cedo seduziu pelo seu ténis ofensivo – tanto que campeãs como Arantxa Sanchez e Martina Navratilova apadrinharam a sua estreia no circuito principal jogando pares com ela... e mais recentemente Roger Federer confessou ser Sveta a jogadora que prefere ver actuar no WTA Tour. O seu pendor atacante é construído à volta de uma poderosa direita carregada de efeito, bem distinto da maior parte das direitas chapadas do circuito feminino pelo exacerbado topspin que lhe permite não só desregular as adversárias devido ao seu ressalto vertiginoso como abrir ângulos inverosímeis. Tem também uma boa técnica de vólei e a sua esquerda batida, executada de maneira brusca, é melhor do que se pensa, podendo igualmente utilizar o slice na esquerda cortada a uma mão. O eficaz serviço, de lançamento de bola baixo e com bom slice, é muito semelhante ao de Emílio Sanchez, o patrão da academia catalã onde se radicou muito jovem. No final de 2007 optou por regressar à Rússia; a associação à lendária Olga Morozova não funcionou mais do que alguns meses e foi já na companhia da ex-especialista de pares Larissa Savchenko que triunfou em Roland Garros – vencendo o tal segundo título do Grand Slam que afasta as opiniões de que o primeiro foi uma questão de sorte. Só que, psicologicamente, a popular e galhofeira Sveta permanece um enigma: sob pressão, torna-se num fenómeno passivo-agressivo; perde esclarecimento e confiança. Mas é uma jogadora notável e, ao vivo, é mais magra do que na tv.
CAROLINE WOZNIACKI (Dinamarca)
19 anos, 1m77, 58kg
Corrida ao Masters: 4ª – 5.475 pontos
Títulos 2009: 3 (Ponte Vedra Beach, Eastbourne, New Haven)
Vitórias-Derrotas 2007: 65-21
É a grande surpresa no top 5 mundial da actualidade – estatuto conseguido à custa de um calendário sobrecarregado e sobretudo graças a uma presença na final do Open dos Estados Unidos que não era propriamente de esperar atendendo às suas prestações menos boas em torneios do Grand Slam e à incapacidade de fazer a diferença relativamente às tenistas mais credenciadas do circuito. Mas a sorridente Caro é uma jovem que sabe aprender e melhorar, para isso contribuindo uma excelente base física e psicológica. É uma rapariga feliz, estável, descendente de desportistas profissionais (o pai era futebolista, a mãe voleibolista) e isso reflecte-se muito positivamente em competição – sabe manter a calma, gerir os momentos mais complicados do encontro, tomar decisões acertadas segundo as circunstâncias e encontrar soluções maximizando o seu potencial e mascarando as lacunas. O seu ponto menos forte é, historicamente, a direita – que não a impediu de ser uma vedeta no circuito júnior ou de assegurar uma bem sucedida passagem ao circuito profissional… mas fê-la estagnar ao mais alto nível. Executava a pancada de modo deficiente, demasiado tarde e com um trabalho exagerado de compensação: acabava o gesto como que fazendo uma espargata no ar e com a raqueta sobre a sua cabeça (como também Azarenka fazia, antes). A pega fechada não a ajuda a gerir bolas muito rápidas para a sua direita e fica demasiado presa; foi assim que perdeu com Dokic no Open da Austrália, mas após ser ultrapassada em potência pela amiga Azarenka na final de Memphis fez um enorme trabalho de reabilitação física com Gil Reyes no âmbito da sua associação à Adidas e melhorou tremendamente a sua técnica de direita num curtíssimo espaço de tempo. No entanto, continua a ser por aí que é atacável, não só em velocidade, mas também porque não controla muito bem a profundidade e a altura da trajectória da bola – a direita é irregular, raramente consegue pontos ganhantes e muitas vezes a bola sai curta e mole. Foi por aí que Kuznetsova e Oudin tentaram jogar tacticamente no Open dos Estados Unidos, mas a execução não esteve à altura da intenção. Porquê? Porque Wozniacki é bem mais rápida do que parece e mentalmente muito estável. O resto do seu arsenal técnico é sólido, destacando-se a sua excelente esquerda – de trajectória tensa, profunda e capaz de criar desequilíbrios (sobretudo com acelerações paralelas). Atendendo às suas características principais e à diferença entre a direita e a esquerda, Wozniacki afigura-se como uma Arantxa Sanchez do século XXI… mas mais atraente.
ELENA DEMENTIEVA (Rússia)
29 anos, 1m80, 64kg
Corrida ao Masters: 5ª – 5.415 pontos
Títulos 2009: 4 (Auckland, Sydney, Toronto)
Vitórias-Derrotas 2009: 54-16
Forma com as irmãs Williams o trio de veteranas pré-trintonas no elenco do torneio, mas sem ter o currículo ao mais alto nível das duas americanas – a moscovita mantém-se como uma das melhores jogadoras de todos os tempos a nunca ter conquistado um troféu do Grand Slam, por mais que se tente convencer de que o seu título olímpico alcançado em Beijing seja equivalente. É uma jogadora com um elevado nível médio de jogo que mantém uma cadência muito alta na troca de bolas e está habituada a impor-se tanto em potência como em consistência. Resolveu os seus já infames problemas na execução do serviço (que chegaram a ser patéticos) e, a partir do momento em que deixou de ser forreta e começou a ser acompanhada por técnicos bem mais competentes do que a sua… mãe (os ex-profissionais russos Andrei Olhovskiy e Andrei Cherkasov), pareceu renascer – ganhou a medalha de ouro, começou a presente temporada de maneira sensacional com dois títulos, meias-finais no Open da Austrália e final no indoor de Paris… mas depois esmoreceu, até reaparecer em Toronto e voltar a fraquejar. Tem tentado ganhar em versatilidade, mas mantém um estilo altamente padronizado. Poderia ser alcunhada de Miss Crosscourt, tal é a sua propensão para jogar cruzado antes de tentar fazer a diferença com as acelerações paralelas; esses padrões tornam-na algo previsível… mas, apesar disso, a eloquente Elena é uma tenista de grande qualidade, lutadora, resistente, com um nível muito aproximado entre a esquerda e a direita.
VICTORIA AZARENKA (Bielorrússia)
20 anos, 1m80, 60kg
Corrida ao Masters: 6ª – 4.451 pontos
Títulos 2009: 3 (Brisbane, Memphis, Miami)
Vitórias-Derrotas 2009: 44-13
A pupila de António Van Grichen conseguiu finalmente quebrar a malapata das finais perdidas no WTA Tour e dos oitavos-de-final em eventos do Grand Slam. Em 2009, após uma época de defeso em que apurou o físico com o especialista Mark Wellington, somou os seus primeiros troféus e logrou aceder aos quartos-de-final nos eventos maiores, mas a segunda metade do ano esteve bem aquém do que seria de esperar – atendendo aos três títulos que havia conseguido nos primeiros meses, com destaque para o do mega-torneio de Miami que a alcandorou ao top 10 mundial pela primeira vez. Algum deslumbramento e um temperamento vulcânico impediram-na de prosseguir o trajecto ascensional, apesar do trabalho feito pelo seu técnico português; houve mesmo várias ocasiões em que granjeou a antipatia do público por atitudes insolentes e agressivas. E também não teve sorte em muitas ocasiões, perdendo encontros extremamente equilibrados ao longo do verão e do outono diante de jogadoras cotadas – como a ressurgente Maria Sharapova, que continua a indicá-la como a jogadora jovem a seguir pela sua capacidade de alterar tácticas de jogo. Vika e Tovan têm tentado fomentar um estilo mais versátil e completo, mas os alicerces que permitiram a Azarenka ser campeã mundial de juniores continuam lá: elevada intensidade exibicional, ataques em velocidade, tremenda esquerda a duas mãos, serviço que continua a melhorar e sobretudo uma direita mais capaz tecnicamente… se bem que, em momentos apertados, continue a mostrar-se irregular e até algo vulnerável na sua pancada de direita. Quando era júnior, batia a direita demasiado de chapa e sem margem para erro; quando perdeu a final do Estoril Open de 2007 já conseguia cobrir um pouco mais a bola; actualmente, já domina melhor a bola na direita e até é capaz de alternar entre pancadas francamente topspinadas e acelerações mais de chapa. Também pode ir para a rede fazer valer um vólei aperfeiçoado na variante de pares.
VENUS WILLIAMS (EUA)
29 anos, 1m85, 72kg
Corrida ao Masters: 7ª – 4.397 pontos
Títulos 2009: 2 (Dubai, Acapulco)
Vitórias-Derrotas 2009: 36-13
É a detentora do título, mas a temporada de 2009 não a faz chegar a Doha com a mesma confiança do ano passado – se bem que este ano tenha boas recordações do Médio Oriente, tendo ganho no Dubai imediatamente antes de triunfar em Acapulco na sua fase mais vitoriosa da época. Perdeu o ceptro de Wimbledon numa final com a irmã Serena, voltou a não ganhar qualquer título na temporada norte-americana em hardcourts (desde 2002!). Actualmente parece acusar a erosão do tempo no circuito, porque tanto a sua forma como a sua motivação oscilam em demasia e já não consegue entrar naquele seu transe competitivo (algo semelhante ao da sua irmã) com tanta frequência: por vezes, dá-se mesmo um eclipse de Venus. E mesmo tendo melhorado substancialmente a sua direita ao longo da década (nunca a vi bater melhor a direita do que nos quartos-de-final e nas meias-finais de Stanford), essa sua pancada continua imprevisível e é inferior à esquerda: está tecnicamente melhor e um pouco mais escovada, mas tanto pode conseguir as acelerações mais espectaculares como cometer os erros mais crassos. No fim, o saldo entre pontos ganhantes e erros directos de direita é fundamental para os resultados da americana; trata-se de uma pancada desmantelável, sobretudo através de bolas moles ou cortadas. Claro que há todo o resto, que é muito. É a jogadora mais atlética do circuito; a sua rapidez tanto a ajuda a efectuar súbitas transições para ir à rede impor a sua envergadura e excelente vólei, como lhe permite defender bolas aparentemente impossíveis de devolver. O seu serviço é recordista de velocidade no circuito e o seu primeiro saque é muito difícil de contrariar, não só pela potência dos serviços chapados como pelo efeito dos serviços em slice – e Venus gosta de fazer ases mas também servir à figura da adversária… mas muitas vezes perde ritmo na execução do serviço, a sua segunda bola de saída não é tão precisa e acaba por cometer demasiadas duplas faltas. E muitas vezes padece de impaciência: tal como a irmã, gosta de concluir o ponto logo atrás do serviço ou da resposta, mas nem sempre tal é possível…
JELENA JANKOVIC (Sérvia)
24 anos, 1m77, 59kg
Corrida ao Masters: 8ª – 3.555 pontos
Títulos 2009: 2 (Marbella, Cincinnati)
Vitórias-Derrotas 2009: 42-16
Num circuito feminino em que as pancadas de esquerda se afiguram cada vez mais sólidas tecnicamente do que as direitas (a precocidade e correspondente falta de força na tenra idade faz com que as duas mãos na esquerda tornem a execução tecnicamente melhor), Jelena Jankovic apresenta grande equlíbrio no seu arsenal do fundo do court – sabe trabalhar muito bem o ponto, baseando-se na consistência para conseguir acelerações paralelas desequilibrantes com bolas profundas e chapadas ou então usando um pouco de topspin para conseguir bolas muito cruzadas. O seu espírito aguerrido e o físico de maratonista permitem-lhe embrenhar-se com sucesso em longas jogadas, esperando pela oportunidade certa para ganhar o ponto ou então desgastando a adversária até ao erro. Por vezes, pode tornar-se excessivamente passiva, mas tem combinações de jogo muito perigosas: a sua favorita é conduzir uma jogada até ficar em posição de fazer a diferença e criar desequilíbrios com a sua fenomenal esquerda. Tecnicamente excelente, a esquerda de Jankovic é sobretudo eficaz nos ataques paralelos porque incide directamente sobre duas grandes pechas do circuito feminino (no que diz respeito a jogadoras destras): direitas menos boas e fraca capacidade de deslocação para o lado direito. Jelena tem também melhorado muito no serviço, procurando torná-lo mais numa arma de que um meio de iniciar o ponto; fisicamente parece ter recuperado a estabilidade, após o guru Pat Etcheberry ter exagerado nos índices de preparação física que a lançaram para a presente temporada com mais músculos e menos rapidez: rapidamente perdeu confiança e o primeiro lugar do ranking mundial. A velocidade de deslocação é um pilar do jogo da sérvia; Jankovic melhorou logo que recuperou a condição física a que estava habituada.
VERA ZVONAREVA (Rússia)
25 anos, 1m72, 59kg
Corrida ao Masters: 9ª – 3.550 pontos
Títulos 2009: 2 (Indian Wells, Pattaya City)
Vitórias-Derrotas 2009: 32-12
É a primeira suplente, ficando somente arredada da cimeira de Doha – onde pretendia defender a prestação de finalista surpresa em 2008 – após ter sido derrotada precocemente no último torneio regular do ano (Moscovo). Vera Zvonareva foi a jogadora mais azarada do circuito: estava no top 5 e confiante após um sensacional mês de Março aureolado com o êxito no mega-torneio de Indian Wells quando se lesionou em Charleston, ficando arredada da época de terra batida e agravando a sua lesão no regresso extemporâneo em Wimbledon. A convalescença teve problemas e as lesões fomentaram novas lesões que a condicionaram no Open dos Estados Unidos e na fase terminal da época; a frustração fê-la retomar velhos hábitos negativos quando as coisas não lhe corriam bem: auto-flagelação com a raqueta, lágrimas em catarata. Mesmo assim, poderá entrar no elenco da prova, caso uma das oito protagonistas desista; é uma jogadora de qualidade, sobressaindo no seu arsenal a melhor direita cruzada do circuito – pancada mestra no seu esquema de jogo.
AGNIESZKA RADWANSKA (Polónia)
20 anos, 1m72, 56kg
Corrida ao Masters: 10ª – 3.340 pontos
Títulos 2009: 0
Vitórias-Derrotas 2009: 43-22
Lutou muito para ter hipóteses de qualificação para Doha, mas sofreu logicamente com a abrupta passagem intercontinental do Extremo Oriente para a Europa – claudicou fisicamente. Após nove quartos-de-final consecutivos, parecia ter estagnado; as meias-finais em Tóquio e a final em Beijing relançaram-na para o top 10 e ainda logrou jogar mais uma meia-final em Linz… mas já era tarde demais. No entanto, mostrou-se um pouco mais ofensiva ao longo das últimas semanas e essa tendência mais pró-activa serve de mote para a próxima temporada; desde muito cedo que a polaca se habituou a dominar as rivais do circuito júnior com a sua ciência de jogo, a sua habilidade, o seu sentido de antecipação, a sua consistência, a sua versatilidade – que também deram resultado no circuito profissional… até um certo ponto. Se quiser ascender ao top 5, Radwanska – que faz um pouco figura de peso-pluma diante de colegas do top 10 mais altas e pesadas – precisa de se tornar mais potente, mais incisiva, mais atacante.
PARES
Cara Black/Liezl Huber, 9.100 pontos
Serena Williams/Venus Williams, 6.750 pontos
Nuria Llagostera Vives/Maria A. Sanchez-Martinez, 6.396
Samantha Stosur/Rennae Stubbs, 5.048 pontos
Por Miguel Seabra,
*Comentador Eurosport e editor do Jornal do Ténis (próxima edição: 6 de Novembro).










