Snooker
20/04/2010 - 00:03Crucible: A ordem natural das coisas

Mark Selby, Mark Allen, Joe Perry e Stephen Hendry carimbaram o passaporte para a ronda seguinte. Estreantes caíram, mas houve quem impressionasse.
DIA 2 - Depois de John Higgins ter carimbado a passagem à ronda seguinte, neste segundo dia, mais três jogadores juntaram-se ao escocês nos oitavos-de-final. Foram eles Mark Allen, Mark Selby, Joe Perry e Stephen Hendry, enquanto que outros dois encontros ficaram a meio, tendo que ser concluídos no dia seguinte. O destaque do dia vai inteiramente para a vitória dramática do 7 vezes campeão do mundo, frente ao jovem chinês Zhang Anda, que, na sua estreia no Crucible, deixou excelentes apontamentos.
Mark Allen, que aproveitara bem o nervosismo do seu adversário, Tom Ford, outro rookie no Crucible, na primeira sessão, limitou-se a gerir a vantagem confortável que tinha. Nesta segunda parte, Ford ainda conseguiu mostrar algumas das suas qualidades, mostrando-se mais descontraído e muito melhor do que na sessão inicial. No entanto, Allen teve apenas de esperar por alguns deslizes de Ford para fechar o encontro com um resultado de 10-4.
O encontro entre Marco Fu e Martin Gould foi sempre muito equilibrado, com bons pormenores de parte a parte. Fu parecia mais forte, estando inclusive a vencer por 3-1 e 5-2, mas Gould, extremamente concentrado, respondeu muitíssimo bem, vencendo os dois últimos jogos da sessão. O encontro está por isso em aberto e colocando alguma pressão sobre Fu que deixou escapar uma vantagem que o poderia ajudar bastante.

Ali Carter e Jamie Cope protagonizaram uma primeira sessão de nível médio, o que á natural, sendo que Cope, o menos experiente dos dois, mostrou-se bastante ansioso, desperdiçando uma possibilidade de empatar antes do intervalo. Depois disto, Carter melhorou e o seu adversário não conseguiu recuperar, acabando por haver bastante desequilíbrio na segunda parte da sessão. Carter pontuou bem, chegando ao 7-1, tendo Cope reduzido ao vencer o último jogo. Vantagem muito confortável do "Capitão"...
Mark Selby conseguiu mesmo ultrapassar um adversário teoricamente difícil, Ken Doherty, que já o tinha vencido na presente temporada. À semelhança do que aconteceu na primeira sessão, Doherty teve várias oportunidades, mas acabou por errar em momentos cruciais e, do outro lado, encontrou um Mark Selby muito forte e inspirado, que aproveitou praticamente todas as falhas do seu opositor. Selby apresentou uma qualidade de jogo elevadíssima, sendo que até podia ter acabado em beleza, mas falhou quando tinha uma excelente hipótese de fazer uma tacada máxima.
Joe Perry trazia uma vantagem confortável para esta sessão derradeira e, apesar de alguma réplica de Michael Holt, acabou por superiorizar-se, também, por 10-4, numa 14ª partida bastante emocionante.
Por fim, Stephen Hendry garantiu, igualmente, a passagem aos oitavos-de-final, com um triunfo épico sobre o chinês Zhang Anda, de apenas 18 anos de idade. Apesar de ter permitido o empate a Zhang, no primeiro jogo, Hendry, que estivera a vencer por 4-0 no início do encontro, respondeu bem, colocando-se a vencer por 7-5. Tudo indicava que o escocês fosse dilatar a sua vantagem, mas Zhang ganhou o jogo antes do intervalo, na preta, o que deixou Hendry claramente afectado. Depois disso, seguiu-se snooker de grande qualidade por parte do jovem chinês, que colocou-se a apenas um jogo da vitória, aos 9-7. Hendry, a jogar mal, parecia acabado, mas, mais uma vez, mostrou o porquê de ser considerado o melhor jogador de todos os tempos, elevando drasticamente o seu nível de jogo, na altura em que estava proibido de falhar e onde a pressão era enorme. Nos últimos três jogos, Zhang teve pouquíssimas hipóteses e, Hendry, levou a melhor, na "negra".
Luís Alves & João Esteves da Silva - www.thesnookerplanet.com









