Snooker
23/04/2009 - 13:34The Crucible, palco digno de eleitos

Foi construído para se representar Shakespeare, mas é o Mundial de Snooker que tornou famoso o The Crucible.
Aberto em 1971, o The Crucible foi desenhado pela famosa arquitecta Tanya Moiseiwitsch, sendo um dos três teatros de uma importante zona de espectáculos na cidade de Sheffield, na Grã-Bretanha. Desse conjunto faz também parte o Lyceum, obra do século XIX, criada por WGR Sprague, e totalmente renovada em 1991, e ainda o mais pequeno The Studio.

Nestes quase 40 anos de existência, o The Crucible já recebeu as principais representações das artes de palco, fosse teatro, ópera, música clássica ou moderna. Com quase mil lugares sentados (980), dispõe de um palco que entra dentro da plateia, permitindo uma visão de três pontos diferentes. Há por isso um “calor” muito próprio que emana dos espectadores, os quais nunca estão a mais de 22 metros dos artistas.

Mais do que o declamar de “To be, or not to be” de “Hamlet”, da voz dos cantores em “La Traviata”, ou dos acordes de uma sinfonia de Beethoven, é o bater dos tacos nas bolas que coloca, verdadeiramente, o The Crucible no mapa das salas de espectáculo. Desde 1977 que ai se realiza o Campeonato do Mundo de Snooker, a mais importante prova da modalidade… e, por isso mesmo, aquela que todos querem ganhar. A sala fica cheia e os espectadores vivem cada “frame” com indescritível paixão, só comparável com a dos grandes conhecedores das outras artes que visitam este espaço. A verdade é que a trama, a indecisão, o suspense sobre o final da “história” nada fica a dever à melhor das obras teatrais. E a maneira quase mágica como os jogadores manuseiam o taco é tão bela quando a forma comos os cantores líricos dominam as cordas vocais ou os músicos dedilham um piano.
MUNDIAL TEM MAIS DE 80 ANOS

O Snooker encontrou no The Crucible um seu principal lugar de culto. Competir ou ver os Mundiais em Sheffield tornou-se numa verdadeira religião. Mas o campeonato, esse, existe desde 1927, uma ideia de Joe Davis. Os jogos do primeiro Mundial realizaram-se em Birmingham com uma final à melhor 39 partidas, tendo o grande impulsionador sido eleito campeão. Desse ano até 1940, Davis venceu todos os campeonato e depois do recomeço, no seguimento da II Grande Guerra, o britânico ganhou pela 15ª e última vez em 1946, para ver o irmão Fred seguir-lhe as pisadas em 1948, 1949 e 1951.
Entre 1953 e 1963 os Mundiais sofreram uma pausa forçada, para regressarem em 1964 com um confronto entre apenas dois jogadores, John Pulman e Fred Davis. Ganhou Pulman, que defendeu sempre o título até 1968 nessa configuração de confronto único.

Em 1969 os organizadores optaram por um torneio em vez de uma só partida. John Spencer venceu então, seguindo-se seis vitórias em nove anos para Ray Reardon (1970 e 1978).

Durante a década de 1980 foi Steve Davis quem dominou com seis triunfos entre 1981 e 1989, tendo ainda ficado em segundo uma vez (1985). Nos anos 90 do Século passado assistiu-se ao período Stephen Hendry. Começou por ganhar em 1990, consagrando-se como o mais jovem vencedor de sempre (tinha então 21 anos), seguindo-se mais cinco vitórias entre 1992 e 1996, altura em que fez 29 partidas consecutivas em Mundiais sem conhecer o sabor da derrota. Hendry só cedeu o trono em 1998, perdendo na final face a Ken Doherty, para o recuperar em 1999. Esse 7º título permitiu-lhe ultrapassar Ray Reardon e Steve Davis na lista dos maiores vencedores, tabela onde só Joe Davis tem mais títulos que Hendry.
Desde 2000, apenas três conseguiram o título mais do que uma vez: Mark J. Williams, Ronnie O'Sullivan e John Higgins.









