Rally raid
11/06/2010 - 17:59 - Updated 11/06/2010 - 18:03Ao rubro

A emoção cresce nas lutas pela vitória nos carros e nas motos no Rali TT Estoril-Portimão-Marrquexe. Nos “4 rodas”, Filipe Campos manteve comando mas Novitskiy está cada vez mais próximo, enquanto nas motos Hélder Rodrigues voltou à liderança.
Ainda não foi desta que Filipe Campos (BMW X3CC), único líder do Rali TT Vodafone Estoril-Portimão-Marraquexe em 5 etapas, deixou de comandar a terceira jornada da Taça do Mundo de Todo Terreno. O piloto do Porto conseguiu aguentar o mais que previsível ataque de Leonid Novitskiy (BMW X3CC) na segunda etapa disputada em Marrocos (Er Rachidia/Er Rachidia, com 338,4 km).
“Foi um dia diferente do que estou habituado. Sem referências, sem tempos ao longo do percurso. Só no final é que soube se tinha andado bem ou mal! Estamos entregues a nós próprios e isso é um grande desafio. Em termos de navegação tudo correu bem e aproveitei os trilhos de Novitskiy, pois por onde ele passava eu também tinha que ser capaz. Só quando cheguei à primeira duna – uma parede! – é que não sabia como ia passar aquilo…”, explicava Campos que vai descobrindo, etapa a etapa, as “armadilhas” dos terrenos marroquinos.
Com duas vitórias em especiais até ao momento, ambas em Marrocos, Novitskiy tem ainda hipóteses de chegar ao primeiro lugar, vendo a diferença para o “colega” da BMW diminuir todos os dias. “Hoje as coisas estavam a correr bem, mas tive um furo ao km 100 e com a paragem e mudança de roda perdemos alguns minutos, pelo que a nossa diferença no final poderia ser bem superior”, explicou o russo, que está agora a 6m44s do primeiro posto.
Mantendo uma toada bastante equilibrada, a dupla Ricardo Leal dos Santos/Paulo Fiúza esteve sempre no quarto posto, tanto nos dois Controlos de Passagem, como no final do troço. Isso valeu a subida à terceira posição à geral, ganhando um lugar. “Esta foi uma etapa à ‘Dakar’, com muita pedra, valas e dunas. Logo aí, o problema com os pneus, pois não podemos mexer muito nas pressões para não termos que parar antes da areia. Mas correu tudo bem com a nossa prova numa especial tipicamente africana”, referiu o piloto de Coimbra.
Hélder Oliveira é agora o terceiro melhor português, mas caiu para 5º. O piloto da Nissan foi passado pelo Chevrolet Silverado de Eric Vigouroux que teve uma etapa sem qualquer problema e está agora a escassos três minutos de um lugar no pódio. “Hoje foi um dia bom, sem problemas no Chevrolet e sem erros de navegação. Uma bela especial”, afirmava o francês.
CLASSIFICAÇÃO (Auto) - 1º Filipe Campos/Jaime Baptista (BMW X3CC), 13h03m59s; 2º Leonid Novitskiy/Andreas Schulz (BMW X3CC), a 6m44s; 3º Ricardo Leal dos Santos/Paulo Fiúza (BMW X5), a 54m35s; 4º Eric Vigouroux/Alex Winocq (Chevrolet Silverado), a 57m02s; 5º Hélder Oliveira/José Marques (Nissan Pathfinder), a 1h26m34s.
RODRIGUES RECUPERA 1º LUGAR

Nas motos, as primeiras dunas deram lugar a mais alterações na classificação geral, a começar pela liderança. Após a etapa Er Rachidia/Er Rachidia, Hélder Rodrigues (Yamaha) regressou ao comando da prova por troca com David Casteu (Sherco).
“Gostei mesmo muito desta etapa. Foi à ‘Dakar’ e passei por alguns problemas. Primeiro, foi o cabo do conta-quilómetros que deixou de funcionar ao km 40 e logo a seguir parti o pisa-pés. Foi duro, porque andei cerca de 100 km a habituar-me à situação e não deu, por isso, para desfrutar melhor de uma etapa verdadeiramente espectacular. Mas estou de novo na frente, o que é positivo”, referiu o novo líder da prova.
A entrada em território africano tinha valido no dia anterior a chegada à liderança a David Casteu. Desta feita, o francês teve problemas de visibilidade no seu GPS, que embaciou, e o dia foi mesmo de Portugal, já que ao comando de Rodrigues à geral somou-se a vitória na etapa para Paulo Gonçalves (BMW). O piloto luso conseguiu manter-se sempre na frente à passagem pelos dois CP (km115 e km196) e confirmou nos derradeiros quilómetros.
“Todos os dias dou o meu melhor e hoje a prova correu-me bastante bem. Havia muita navegação, sobretudo fora de pista, mas os ‘way point’ ajudavam. Algumas das dunas já eram grandes e podiam causar estragos, mas a BMW aguentou tudo. Ganhar no dia de Portugal é sempre bom”, explicou Gonçalves à chegada a Er Rachidia. Com a vitória na etapa, o piloto da BMW é agora quinto, atrás de outro homem da BMW, Frans Verhoeven. O holandês continua a manter a pressão sobre Ruben Faria, actual terceiro classificado, ainda que com cerca de 2m30s de vantagem para Verhoeven. Um troço que não correu bem ao algarvio: “Na fase inicial da etapa, apercebi-me que ia a perder combustível quando senti o fato de competição encharcado e muito quente! Passei num bivouac local e encontrei uma meia no chão que transformei numa tampa para o depósito. Depois, foi sempre a andar, depressa, até apanhar e ultrapassar o David Casteu”, explicou Faria.
CLASSIFICAÇÃO (Motos) - 1º Hélder Rodrigues (Yamaha), 14h50m47s; 2º David Casteu (Sherco), a 5m49s; 3º Ruben Faria (KTM), a 6m33s; 4º Frans Verhoeven (BMW), a 9m09s; 5º Paulo Gonçalves (BMW), a 30m14s.










