Rally raid
18/01/2010 - 00:13As quatro vitórias de Carlos Sousa

Melhor não oficial, melhor gasolina, melhor Mitsubishi e melhor português. Foi isso que valeu o 6º lugar final de Carlos Sousa no Dakar 2010.
Que melhor maneira de comemorar o 44º aniversário! Com quatro “vitórias”, Carlos Sousa viu premiada uma actuação a todos os títulos brilhante. Estreando-se no figurino sul-americano do Dakar, mas fazendo a 12º presença na prova, Carlos Sousa logrou ser o sexto classificado no final.
Mas mais importante do que o resultado à geral, destaca-se o facto de ter sido o primeiro piloto não-oficial e o único a impedir que as formações da Volkswagen e BMW monopolizassem o top-6 da classificação final.
Com motivos pessoais e desportivos que justificam os festejos à chegada a Buenos Aires, Carlos Sousa volta a provar o porquê de ser considerado o melhor piloto nacional da história da disciplina e um dos melhores do mundo na actualidade…
“Está feito!”, exclamou Carlos Sousa, após concluir a dúzia de presenças no maior e mais difícil rali do mundo. “É um orgulho poder estar novamente à chegada de um Dakar e partilhar esta atmosfera única. Sinto que fiz uma excelente prova face a todos os condicionalismos com que iniciei esta edição. E o resultado final – o sexto lugar – deixa-me orgulhoso a todos os níveis, com a plena satisfação do dever cumprido. Sinceramente, acho que era impossível aspirar a melhor”, destacou o piloto, em jeito de primeiro balanço a estas duas semanas de prova.
Protagonizando uma prova em crescendo e fazendo uso da sua enorme experiência e impressionante regularidade, Carlos Sousa apenas por um dia (logo o primeiro) se viu afastado de um lugar no top-10 da geral – o objectivo que estipulou à partida para esta edição. E estava em 11º...
Em compensação, “saltou” para sétimo logo a partir da segunda etapa, para na seguinte chegar a sexto, dois dias depois a quinto e logo de seguida a quarto da geral, igualando provisoriamente a sua melhor classificação de sempre num Dakar. Após uma “complicada” sétima especial, mesmo na véspera do dia de descanso, o português ainda regrediu ao sétimo posto durante dois dias, para a partir da nona etapa se fixar, em definitivo, no sexto lugar da classificação.

4º MELHOR DE SEMPRE
Mais do que o resultado à geral – o seu quarto melhor de sempre (já tinha sido quarto em 2003 e quinto em 2001 e 2002) e a sétima vez que acaba no top-10 –, o principal aspecto a ressalvar é mesmo o facto de Carlos Sousa ter sido o único a conseguir imiscuir-se na luta de gigantes que opôs as duas equipas oficiais do pelotão. Basta ver que deixou a quase 50 minutos o Race Touareg de Giniel de Villiers, o vencedor da última edição do Dakar, e que ficou a apenas 29 minutos de uma presença no top-5 final. Talvez com um restritor “normal” e com caixa de seis velocidades (tinha menos 30cv e 25 km/h que os outros Lancer), talvez sem aquela hora perdida na sétima especial… Mas de “ses” não se escreve a história.
“DIESEL EM 2011?”
Carlos Sousa tem motivos de sobra para fazer um balanço altamente positivo desta participação: “Para quem estava afastado da competição há seis meses, não disputava um Dakar há três anos e não conhecia o actual figurino sul-americano, é claro que o resultado final superou as minhas melhores expectativas. Mais a mais, tive de adaptar-me a um novo navegador e a uma nova motorização no Racing Lancer… Mas é evidente que a maior limitação esteve no facto de partirmos para esta prova com um injusto e insólito ‘handicap’ no nosso carro, prejudicando sobremaneira a nossa performance nas etapas mais rápidas, sobretudo ao nível da velocidade de ponta. Aliás, isso foi outra vez visível na etapa final. Quase parecia o carro-vassoura, com toda a gente a ultrapassar-me em pista. Rectas, rectas e mais rectas e o pedal quase sempre a fundo. Pouco mais havia a fazer na especial de hoje. Enfim, o resultado de hoje não foi brilhante, mas o principal já estava feito. À nossa frente terminaram apenas cinco carros oficiais, três da VW e dois da BMW, e todos diesel… Julgo que é importante reflectir neste aspecto e ponderar uma eventual presença em 2011 numa viatura diesel. Para já, contudo, é tempo de festejar e saborear esta excelente classificação. Amanhã (domingo) acredito que vamos ter um fim de festa em grande no pódio de Buenos Aires. E se hoje sou eu a fazer anos, amanhã é a vez de o Matthieu (Baumel) comemorar o seu aniversário. Na verdade, também ele está de parabéns pela magnífica prova que realizou”, conclui Carlos Sousa.










