Rally raid
03/01/2010 - 23:53Dakar 2010: Sainz, Despres, Patronelli e Chagin levam a taça

Carlos Sainz ganhou pela primeira vez o Dakar, enquanto Cyril Despres conquistou a terceira vitória nas motos, categoria onde o último troço foi do português Ruben Faria.
DIA 16 E FINAL: Chegada em triunfo a Buenos Aires para este Dakar 2010, o 32º da história do mais duro rali TT do mundo. Um final de apoteose com a luta pela vitória nos carros a durar até ao derradeiro dos quase 5000 km cronometrados por terras do Chile e Argentina.
Carlos Sainz saiu para o último troço de 206km com uma vantagem de 2m48s para Nasser Al Attiyah, arrancando quatro minutos depois do seu rival. Sendo segundo na estrada, Al Attiyah ganhou sempre tempo ao adversário (4s ao km 6; 18s ao km 121; 24s ao km 177) mas não chegou. No final, apesar de ter somado a quarta vitória em especiais nesta edição, só conseguiu uma vantagem de 36s sobre Sainz.
Feitas as contas, o espanhol ganhou o Dakar pela primeira vez por apenas 2m12, a menor diferença de sempre. Se tivermos em conta que a prova teve 4806km contra o cronómetro a uma média de 101,8 km/h, a diferença que separou os dois VW Touareg foi apenas de 3,73km!
Sainz é o 20º vencedor diferente nos carros e ofereceu o terceiro triunfo no Dakar à VW, depois dos conseguidos em 1980 (com o Iltis do sueco Freddy Kotulinsky) e no ano passado (já com o Race Touareg II e o sul-africano Giniel de Villiers). Uma consagração que pode também marcar a despedida da VW do projecto oficial nas provas de Todo Terreno.
Cortada a meta na capital argentina, Sainz tinha todas as razões para ser um homem feliz. Sonhara ser campeão do mundo de ralis e foi por duas vezes (1990 e 1992), quis ganhar a Taça do Mundo de TT e fê-lo em 2008. Faltava o Dakar – está no bolso! Foi o primeiro espanhol a vencer nos carros (8ª nacionalidade a inscrever o nome no palmares do Dakar), depois de comandar a classificação desde a 5ª etapa e de ter ganho dois troços.
Nasser Al Attiyah tinha trocado a BMW pela VW para conquistar a prova rainha do Todo Terreno. Fez tudo o que lhe foi possível, mas acabou por ser batido pela regularidade de Sainz, exactamente o trunfo que o espanhol não tinha tido nas três presenças anteriores no Dakar (2006, 2007 e 2009).
A festa foi toda VW, que depois do 1-2 do ano passado, conseguiu agora todos os lugares do pódio – o americano Mark Miller ficou com o mais baixo.
A BMW ainda ganhou seis especiais, contra 7 da VW e uma do Hummer, mas mesmo com o “trunfo” Stephane Peterhansel não chegou ao pódio. Tudo podia ter sido diferente sem o problema de transmissão no X3CC do francês durante a 5ª etapa, que lhe custou duas horas.
Com mais um X3CC oficial, Guerlain Chicherit viveu um mar de problemas, iniciado logo no primeiro dia. Por isso mesmo, fechar o Top5 é menos mau do que pode parecer.
E a seguir, no sexto lugar, ficou Carlos Sousa. O português realizou uma prova perto da perfeição. Com o menos potente dos Mitsubishi Lancer, fruto de um regulamento que penalizava o seu estatuto de piloto prioritário, conseguiu atingir o objectivo a que se tinha proposto – ser o primeiro “dos outros”, os que não dispunham de carros oficiais! Ganhou ainda a batalha fictícia dos carros com motores a gasolina e foi o melhor dos cinco Lancer da JMB Stradale que chegaram todos ao fim entre o 6º e o 13º lugares. E, claro, também o primeiro dos portugueses. Carlos Sousa conquistou tudo isto terminando todos os troços (menos três) no Top 10, mas nunca acima de 7º. Ou seja, no Dakar, a máxima devagar (mas não muito...) se vai longe, resulta!
Este foi o Dakar com boas razões para os portugueses comemorarem. Miguel Barbosa não conseguiu o top 10 que desejava, mas o 12º posto é bastante positivo, enquanto Ricardo Leal do Santos acabou em 14º, sendo o primeiro dos verdadeiros privados. Fazer melhor com um BMW X5 que já acusa o peso do anos era impossível. Há que tirar-lhe o chapéu, até porque ainda teve tempo para ajudar outros pilotos, como Sousa e Chicherit em pleno troço. Rápido, constante e... bom samaritano!
Nas outras categorias, a Open viveu outra vez ao ritmo do Hummer de Robby Gordon. Só que o 8º lugar da geral ficou muito aquém das expectativas de quem vinha para lutar pela vitória depois do 3º lugar de 2009. O americano ganhou também entre os duas rodas motrizes, categoria onde se inscrevem os verdadeiros buggy. Aí a palma fica para o SMG do andorrenho Errandonea. Nos T2, os carros mais próximos de série, vantagem uma vez mais para os Toyota Land Cruiser, com o japonês Jan Mitsuhashi a impor-se pela terceira vez na categoria, seguido do espanhol Foj. Quanto aos estreantes, vantagem para o americano Baldwin (Hummer), 20º da geral. Na categoria a solo, vitória de Tim Coronel que levou o diminuto McRae com motor de Yamaha R1 e apenas duas rodas motrizes ao 48º posto. Um destaque ainda para a performance dos chineses da Chery (Lu, 28º, e Jiang, 29º), ambos à frente do melhor Nissan, o de Chavigny, que completou o pódio nos T2, mas foi o pior resultado de sempre para a marca japonesa no Dakar. E o outro carro chinês, o Great Wall Hover, guiado por Zhou, acabou no 33º posto. Sinal dos tempos?
Nas motos, o último dia teve a marca portuguesa com Ruben Faria a ser o mais rápido numa especial pela terceira vez em três presenças no Dakar. O algarvio deu assim ainda mais colorido à festa do seu chefe de fila, Cyril Despres, que ganhou a prova pela terceira vez, repetindo o que fizera em 2005 e 2007.
Para a KTM, mesmo com as limitações regulamentares impostas às motos dos pilotos de topo, foi a nona vitória consecutiva, feito único em todas as categorias, ainda que a Mitsubishi tenha mais triunfos (12). Com este resultado, a marca austríaca iguala a Yamaha como as mais vitoriosas nas motos. O francês, mas andorrenho de adopção, Cyril Despres ganhou dois troços e liderou desde o 3º dia para se juntar a Richard Sainct como triplo vencedor – só Peterhansel (6), Neveu (5) e Orioli (4) têm mais. E a França somou o 19º triunfo nas 31 edições que foram para a estrada.
O segundo lugar de Pal Anders Ullevalseter é um enorme prémio para um homem que enfrentou a prova pela oitava vez e acabou sete. Nunca ficou abaixo de 9º, resultado da primeira tentativa, em 2002. Desta feita, o norueguês conseguiu o pódio à tanto sonhado.
A luta pelo segundo posto marcou toda a segunda semana, com Francisco Lopez e Hélder Rodrigues como outros protagonistas. O chileno ganhou três troços ao longo da prova e acabou por garantir o lugar mais baixo do pódio. Mais importante ainda, deu o triunfo das 450cc à Aprilia, que se estreou a nível oficial.
Hélder Rodrigues, com a Yamaha 450, foi segundo nessa categoria, e acabou em quarto, o melhor resultado pessoal de sempre (5º em 2009). Igualou assim a melhor performance de um português no Dakar (Carlos Sousa, com um Mitsubishi, em 2003).
O quinto posto final pertenceu a David Fretigne, terceiro em 2009, que completou com outra Yamaha o pódio da motos de menor cilindrada. E com três 450 no top 5 ficou claro que o futuro da competição, que passa por essa classe, não está, de forma alguma, comprometido.
Ruben Faria foi um aguadeiro bem sucedido, tendo subido ao 11º posto final na última etapa, enquanto Bianchi Prata fechou o Top 30, sendo o melhor dos motards que usaram as BMW 450.
Duas linhas para o triunfo da veterana Annie Seel entre as senhoras nas duas rodas (45ª), onde o eslovaco Svitko foi o melhor dos estreantes (13º).
Nos quads, mandaram os irmãos argentinos Marcos e Alejandro Patronelli. Depois do 2º lugar em 2009, então com um CanAm, Marcos usou agora um Yamaha Raptor 700 para dominar os debates e garantir o primeiro triunfo sul-americano. O irmão mais novo mostrou ser o lugar-tenente ideal. O espanhol Gonzalez completou o pódio, só que a mais de cinco horas.
Domínio total aconteceu com os Kamaz nos camiões. Vladimir Chagin ganhou 9 das 14 etapas (um recorde no Dakar), atingindo um total de 56 (outro recorde). O russo venceu a prova pela sexta vez, igualando Karel Loprais como o mais vitorioso de sempre na categoria. Pelo caminho, a marca do Tartaristão foi a primeira a ganhar todos os troços de uma edição nos camiões - Mardeev venceu o derradeiro - e obteve o 9º triunfo absoluto, distanciando-se ainda mais da Tatra, que tem seis. E para terem uma ideia do andamento do Chagin, o tempo total de 55h04m57s dar-lhe-ia o 13º lugar final numa classificação conjunta carros/camiões!.
Para trás, ficaram nada menos do que nove mil quilómetros de percurso total e quase 4.800 disputados contra o cronómetro, distribuídos por 14 etapas e os mais variados tipos de terreno: 939 quilómetros de dunas, 3.178 de pistas em terra e 689 de caminhos em… pedras.
Provando a sua dureza e o epíteto de “maior rali do mundo”, o Argentina-Chile Dakar 2010 deixou pelo caminho quase 50 por cento dos 362 participantes que se apresentaram à partida, em Buenos Aires, no passado dia 1 de Janeiro. Duas semanas passadas, no regresso à capital do país das Pampas, o pelotão só era constituído por 57 automóveis (largaram 134), 88 motos (contra 151), 14 quads (25 à partida) e 28 camiões (dos 52 iniciais).
DIA 15 – Nasser Al Attiyah tinha prometido que saindo em quarto, e com Sainz a abrir a estrada, o penúltimo troço do Dakar 2010 podia ser decisivo na luta pela vitória entre os homens da VW. O árabe impôs um ritmo forte logo de início, conseguindo 1m22s avanço sobre Sainz no final dos primeiros 50 km, passada que estava a maior dificuldade natural do troço – um erg com 20 km de dunas. Uma vantagem que consolidou até ao final dos 368 km, fazendo menos 2m32s que o espanhol. E com o final chegou a polémica: Al Attiyah queixou-se que depois de apanhar Sainz este nunca o deixou passar, a não ser na última recta. Pelo seu lado, Sainz retorquiu, afirmando que o adversário (e companheiro de equipa, convém lembrar) lhe deu um toque na traseira. E que depois de o ultrapassar começou a fazer “S” à sua frente. É caso para dizer: tão amigos que nós… parecíamos!
Carlos Sainz conservou, ainda assim, o primeiro lugar da geral com 168 segundos de avanço, a margem mais curta desde que chegou ao comando da prova no final da 5ª etapa. O último troço tem 202 km – ou seja, nem dá para perder um segundo a cada um desses quilómetros que faltam! Vamos ter luta até à meta, em Buenos Aires. Basta um furo para tudo alterar.
A vitória no troço 13, que acabava em Santa Rosa, não sorriu aos homens dos Touareg (Al Attiyah foi 2º e Sainz 4º), mas sim ao X3CC de Stephene Peterhansel, a 55ª da contabilidade pessoal e a quarta em 2010. A BMW voltou a igualar “6-6” com a VW em vitórias. Parca consolação para a marca de Munique que está outra vez (quase) definitivamente arredada do pódio.
Carlos Sousa podia sonhar com o Top 5 depois de ontem ter ficado apenas 10m atrás de Guerlain Chicherit. Contudo, não arriscou e obteve apenas o 10º tempo, enquanto o francês da BMW ficou em 3º, ganhando mais 13m15s. Resta a consolação de faltar apenas uma tirada para garantir a vitória entre os “gasolina”, ser o melhor não-oficial, o melhor Mitsubishi e o melhor português, mesmo guiando um carro que era o único limitado em potência!
Miguel Barbosa voltou a ficar fora do Top 10 (14º), mas só pensa em chegar ao fim. E o 12º posto até ficou mais a salvo, pois Misslin perdeu quase duas horas nos primeiros km do dia. Mesmo discurso para Leal dos Santos. Terminar é o mote para o melhor dos “verdadeiros” privados – 16º no troço, ainda e sempre 14º na geral.
Nas motos, o troço 13 foi tudo… menos de azar para Pal Anders Ullevalseter. Em oito presenças no Dakar, o norueguês tinha sido por oito vezes delfim na classificação das etapas. Hoje, no penúltimo confronto ao cronómetro da edição 2010, aconteceu a vitória sorriu-lhe… e na melhor altura! Um triunfo que começou a desenhar nas dunas dos 50 km iniciais, passando no primeiro controlo com 44s de avanço para Cyril Despres, o único que durante o dia o conseguiu ultrapassar em tempo (ao km 265km). O francês, que mantém um tranquilo primeiro lugar da geral, terminou em 2º, seguido de Marc Coma.
O traçado ultra-rápido - com “pontas” a 160 km/h - favorecia as KTM e “Ulle” aproveitou isso mesmo para dobrar na pista o seu principal rival na luta pelo 2º lugar. No final, ganhou 5m35s a Francisco Lopez (4º no troço) que assim voltou a perder a posição arduamente conquistada 24 horas antes. O chileno está agora a 4m22s. Parece uma vantagem confortável para Ullevalseter, mas ainda não decisiva. Não pode perder mais que 1,29s por quilómetro...
Hélder Rodrigues voltou a ceder terreno para ambos, chegando a Santa Rosa com a sexta marca do dia, a 8m08s do vencedor. Na geral tem agora 16m29s de atraso para o segundo lugar e está a 12m07s de Lopez, o líder da classe 450cc. As hipóteses do português chegar ao pódio são mínimas. Contudo, pode garantir a melhor posição pessoal de sempre (tinha sido 5º em 2009) e igualar Carlos Sousa como “dono” do melhor resultado de um português à geral num Dakar.
No pelotão nacional das motos, Ruben Faria realizou mais um top 10 e ficou apenas a 58s do 11º posto da classificação ocupado pelo capitão Berglund. Quanto a Bianchi Prata, fez o 29º tempo e regressou ao Top 30 da geral onde já tinha andado na primeira semana (chegou a ser 21º no final da 6ª etapa).
DIA 14 - A etapa 12 do Dakar para as motos teve duas fases, tal como acontecia com o percurso, antes e depois da neutralização entre os km 204 e 334km – mais rápido de início, mais técnico e arenoso no final. Partindo empatados na 2ª posição da geral, Pal Ullevalseter e Francisco Lopez lutaram ao longo dos 346 km contra o cronometro como se não houvesse amanhã! O norueguês estava na frente ao km 204, onde tinha 1m59s de vantagem. Depois, chegou o calor e o avanço derreteu como manteiga ao sol. Ao km 363 diminuiu para 1m34s, ao 412 restavam 43s e nos últimos 60 o chileno deu a volta para ganhar a especial (a 3ª do ano para o piloto da Aprilia) com 1m13s de avanço para “Ulle”, que acabou apenas em terceiro, atrás de Fretigne. Na hora das contas, Lopez ficou isolado na 2º posição, 1m13s na frente do norueguês.
Hélder Rodrigues afundou-se nas últimas seis dezenas de quilómetros, onde perdeu 6m. Está agora a 9m34s da 2º posição... e da liderança entre as 450cc. Até o mais baixo do pódio, agora a 8m21s, é cada vez mais uma ilusão.
Nas novidades no dia, começamos pelo facto de Cyril Despres ter perdido 17m. O líder da geral já sonha com o 3º triunfo no Dakar e joga tudo à defesa. Fretigne passou Alain Duclos, sendo agora 5º da geral, enquanto Olivier Pain cedeu a 8º posição ao polaco Przygonski.
Os outros portugueses tiveram um dia sem história – 12º lugar no troço e na geral para Ruben Faria, enquanto Bianchi Prata fez o 24º tempo e ficou a um lugar apenas do top 30.
Nos carros, a luta Carlos Sainz / Nasser Al Attiyah teve hoje um terceiro protagonista - Robby Gordon, que partia à frente do espanhol para o troço. Deixou-o passar mas depois achou que o VW estava lento. Numa manobra arriscada ultrapassou Sainz, que a partir daí rodou sempre no pó. No final, o espanhol foi ter uma conversinha de pé de orelha com o americano. E talvez tudo isto tenha tido influência no resultado. Ainda que Sainz tenha ganho pela 2º vez em 2010 (17ª no total), viu Al Attiyah recuperar muitos minutos na segunda parte da especial. Na neutralização, o qatari vinha a 4m19s e fechou apenas a 52s, ficando a 5m20s do primeiro lugar da geral. Tendo em conta que amanhã ainda há 50km com algumas dunas, nada esta decidido, tanto mais que Kris Nissen se recusa a impor ordens de equipa. E ainda bem: só ganha o espectáculo!
O azarado do dia foi Guerlain Chicherit. Logo ao km 63 partiu um braço da suspensão frente/direita do X3CC que tinha ganho a especial anterior. Foi ajudado por Ricardo Leal dos Santos, esteve hora e meia parado, mas conseguiu salvar a 5ª posição da geral, ainda que Carlos Sousa esteja agora só a 10m35s do francês. O português do Mitsubishi teve uma etapa sem história (7º tempo), enquanto Miguel Barbosa foi 12º, lugar que mantém na geral... mas com Nicolas Misslin apenas 1m01s. Leal dos Santos, mesmo parando para ajudar Chicherit (19º da etapa, a 1h23m), continua tranquilo no 14º posto da geral.
Nos camiões, 56º triunfo de Chagin com os russos da Kamaz a garantirem mais uma tripla na etapa. Já nos quads não ganharam os argentinos. Pela segunda vez neste Dakar, o mais rápido foi o Polaris do francês Declerkx. Na geral nada mudou - Chagin na frente nos “grandes”, Patronelli nas motos com “ duas rodas a mais”.
CORREÇÃO DIA 13 - O erro de navegação ao 13º km da etapa de 4ª feira, forçado por um polícia, tinha colocado Hélder Rodrigues a 9m41s do segundo lugar de Ullevalseter e a 7m01s da liderança da classe 450cc, ocupada por Francisco Lopez. O português protestou, apoiado por outros pilotos, entre eles Marc Coma, e a organização deu-lhe razão já passava da meia-noite em Portugal. Coma foi declarado vencedor do dia, seguido de Fretigne e Verhoeven (que perdeu assim o terceiro triunfo no Dakar). O motard português da KTM ficou com a oitava marca. Feitas as contas, só perdeu 25s para Ullevalseter e 1n43s para Lopez. Na geral, o norueguês e o chileno surgem empatados na segunda posição e Rodrigues vem a 2m23s, ainda no 4º lugar. Ou seja, a luta pela posição de delfim de Cyril Despres está cada vez mais em aberto.
DIA 13 – Uma etapa toda BMW, com triunfos de Guerlain Chicherit nos carros e de Franz Verhoeven nas motos. O francês do X3CC já não triunfava há 4 anos, quando ganhou os troços de Tambacounda e Dakar. Chicherit tornou-se assim no 7º piloto diferente a ganhar especiais em 2010, com os BMW a fazerem o “5-5” face aos VW Touareg (o Hummer de Gordon ganhou a restante).
Nas duas rodas não se assistia a uma vitória BMW desde 2001 quando um “tal” Cyril Despres se impôs pela primeira vez numa especial (Tambacounda). Para a contabilidade pessoal de Verhoeven esta foi a terceira vitória em troços, depois de uma dobradinha de 2009. Mas sobretudo uma boa paga pelo facto do holandês não ter desistido após a sucessão de problemas nos dois primeiros dias que o atiraram para a cauda da classificação.
Mais que os triunfos da marca bávara, a história do dia foi feita com a luta pela vitória nos carros. Carlos Sainz furou duas vezes. Foi apenas 9º, o pior resultado desta edição, e perdeu 5m38s para Al Attiyah. O qatari conseguiu o 4º tempo a 1m41s do vencedor, apesar de uma saída de estrada que acabou de encontro a uma árvore. Na hora do “deve e haver”, a contabilidade mostrou que o espanhol cedeu mais de metade da sua vantagem na geral. A três dias do fim Sainz tem apenas 4m28s. Está nervoso e o árabe apercebeu-se disso, continuando a fazer pressão ao afirmar que vai mesmo ganhar. Vamos ter prova até ao fim... ou será que Kris Nissen (o patrão da VW Motorsport) decida impor ordens de equipa?
Orlando Terranova marcou pela positiva o regresso a casa. O argentino assinou o 2º tempo, a melhor performance de um Mitsubishi Lancer no Dakar 2010. E está apenas a 5m do 8º lugar do companheiro, Guilherme Spinelli.
O pódio do dia foi fechado De Villiers que ganhou 7m a Carlos Sousa, que voltou a ser o melhor português (10º). Na geral nada se alterou nos 15 primeiros lugares onde estão ainda Miguel Barbosa (12º, após ser 13º na especial) e Leal dos Santos (14º e autor do 15º tempo).
Nas motos o dia não foi português! Hélder Rodrigues perdeu-se nos primeiros quilómetros e não mais conseguiu recuperar. Apenas 15º no cronómetro, perdeu 7m31s para Pal Ullevalseter (4º do dia) e 6m09s para Francisco Lopez (quinto mais veloz na etapa). Ou seja, lá se foi o ganho de ontem! Na geral o piloto da Yamaha vem a 2m40 do 3º posto (e da liderança nas 450cc) e a 9m41s do norueguês que se mantém na posição de delfim de um traquilo Cyril Despres (7º na etapa, o pior de 2010). Ruben Faria foi 14º e Bianchi Prata 22º, tendo ganho um lugar na geral (35º), ao contrário do “aguadeiro” de Despres que se manteve na 12ª posição.
Johan Street (KTM) deu finalmente nas vistas depois de uma prova muito discreta. O 7º da geral fez hoje o segundo tempo, apenas a 3s do vencedor, e pela primeira vez este ano subiu ao pódio de uma especial. O mesmo se passou com Alain Duclos (3º) que conseguiu reduzir para menos de 30m a desvantagem na geral face a Hélder Rodrigues.
Marc Coma perdeu-se ao km 13, chegou a descobrir um way-point de 15 km mais à frente. Voltou para trás, fazendo mais 6km. Recuperou muito até ao fim dos 211 km de um troço montanhoso, quase sempre a descer, acabando em 9º.
DIA 12 – Acabou o deserto e voltaram os troços com pistas bem demarcadas e em montanha, terreno onde a Yamaha de Hélder Rodrigues se sente à vontade… tal como o português. Isso ficou comprovado com o terceiro tempo desta 10ª etapa que acabou na capital chilena, Santiago, batendo claramente os seus dois adversários na luta pelo pódio – Francisco Lopez foi 5º a 2m21s de Rodrigues e Pal Anders Ullevalseter (8º) cedeu 4m44s. Feitas as contas, o piloto luso só tem 52s de atraso para o chileno, com quem luta pela liderança nas 450cc, e está a 2m36s do segundo lugar ocupado pelo norueguês.
Marc Coma venceu pela 3ª vez em dez tiradas, depois de ter sido o primeiro a partir e fazendo o troço sempre sozinho. O espanhol liderou em todos os pontos de cronometragem, com excepção do primeiro, ao km 42 dos 238 que compunham a tirada.
David Fretigne fez a segunda marca, apesar de ter sido o 13º a partir para a especial, depois dos 10 minutos de penalização acumulados por ter entrado em sentido contrário no controlo final da etapa anterior.
Bom troço também para Ruben Faria, com o quarto tempo, fazendo até melhor que o chefe de final da Red Bull KTM, Cyril Despres. O líder da prova limitou-se a evitar problemas fechando o dia em sexto. E até ganhou tempo (55s) ao mais directo adversário na geral – tem agora 1h22m49s de avanço para Ullevalseter. O terceiro triunfo no Dakar, depois dos alcançados em 2005 e 2007, está cada vez mais perto.
Bianchi Prata ficou em 32º, sempre com o objectivo único de chegar a Dakar à frente do pelotão BMW. Hoje manteve o 36º posto.
Nos carros, Carlos Sainz obteve finalmente a primeira vitória em 2010, ele que lidera a prova desde a 5ª etapa. Num terreno muito ao estilo de um piloto de ralis, o espanhol garantiu o 16º triunfo em troços no Dakar, onde participa desde 2006. Mais importante que ganhar a especial, o facto de ter feito menos 1m40s que o seu rival Nasser Al Attiyah (4º). O piloto dos Emiratos tem agora uma desvantagem outra vez superior a uma dezena de minutos (10m06s). O facto de ter sido o primeiro na estrada acabou por não ajudar Al Attiyah. Sainz, que partiu dois minutos mais tarde, apanhou-o logo após 80 km. Contudo, nunca caiu na tentação de ultrapassá-lo no meio do pó. Operação demasiado arriscada numa paisagem que fazia lembrar um filme de western.
Stéphane Peterhansel (BMW) foi quem mais se aproximou de Sainz, fechando o troço com 28s de atraso, enquanto o americano Mark Miller ainda chegou a passar pelo comando ao km 148, mas viria a contentar-se com a terceira posição, lugar que continua a ocupar na geral.
Guerlain Chicherit fechou o Top 5 de uma etapa onde Miguel Barbosa (Mitsubishi) voltou a fazer o melhor resultado desta edição, com o 7º tempo. Num troço que lhe fez lembrar o terreno das provas nacionais, ganhou uma “eternidade” a Novitskyi (quase 12m) e ficou a menos de 22m do 11º posto. Até o top 10 é uma possibilidade viável tendo em conta que o Hummer de Robby Gordon (10º) está a 28m e Lancer de Orlando Terranova (9º) a 32m.
Tranquilo no 6º lugar da geral, Carlos Sousa não arriscou, realizando o 10º tempo. Apesar de um furo logo nos quilómetros iniciais que o fez perder 5m, ainda ganhou 7s a De Villiers, o agora “aguadeiro” da VW e o mais próximo (contudo, a mais de 50m) adversário de Sousa na classificação da prova.
Leal dos Santos colocou o BMW no 12º posto da etapa e manteve o 14º da geral, onde ganhou 2m a Nicolas Misslin. O francês, patrão dos Lancer da JBM Stradale, tem menos de 18m de avanço para o português do X5.
Nos quads, o dia foi do espanhol Gonzalez que “ofereceu” 8m27s ao segundo mais veloz, o sempre líder Marcos Patronelli.
Já nos camiões, Vladimir Chagin impôs-se pela oitava vez em 2010. O russo está agora sozinho no topo da classificação dos mais vitoriosos de sempre em etapas (54), “despachando-se” da companhia de Peterhansel.
DIA 11 - Nasser Al Attiyah dominou sem adversários uma nona etapa reduzida para metade (170 em vez de 338km). A areia e as dunas ao redor de Copiapo apresentavam-se como um belo campo de batalha para um último confronto no deserto do Atacama, antes do regresso aos troços mais ao estilo de especiais dos ralis convencionais.
O piloto do Qatar já tinha 6m30s de avanço para Carlos Sainz ao km 117 (CP1) depois do espanhol ter furado e cometido um erro de navegação. Nos últimos 50 km, o líder da prova atacou e conseguiu que a diferença para Al Attiyah fosse apenas de 5m59s. Mesmo assim, perdeu quase metade da vantagem na geral para aquele que uma vez mais está a ser o seu grande adversário.
Ao vencer pela 3ª vez em nove dias, Al Attiyah reduziu para 8m36s a diferença para Sainz. Ainda faltam cinco troços – mais de 1900 km. Não haverá mais ergs de dunas... só que nada está decidido. Um furo, um simples problema ou até um erro de navegação e tudo se altera! Basta lembrar que Sainz também comandava a três troços do fim em 2009 e caiu num buraco, deixando ai as esperanças de uma primeira vitória no Dakar.
Na VW continua a não haver ordens de equipa. E a questão é premente: quem interessa mais à marca alemã como vencedor – Sainz ou Al Attiyah? Sainz tem mais cartaz, mas será isso suficiente?
Quem parece arredado da vitória é Mark Miller. Hoje foi apenas 5º e perdeu 10h48m para Al Attiyah, vindo agora a mais de 19m do segundo classificado e a 27m17s de Sainz.
A VW garantiu o pódio da etapa e só não dominou porque Chicherit se imiscuiu no 4º lugar. Foi o melhor dos BMW depois de Stephane Peterhansel ter atascado ao km 95, perdendo mais de 10m nessa aventura e outros 5m até ao final.
Carlos Sousa fez o 9º tempo, numa etapa sem história, para além dos 5m perdidos nas dunas iniciais. Subiu para 6º da geral e primeiro dos “outros” depois de Holowczyc ter tido problemas de transmissão traseira no Nissan. O polaco deixou o troço ao km 68 para tentar encontrar-se com a assistência na estrada alcatroada. Só que o camião passou sem o ver. Após 5 horas de prova vinha no km 100. Agora até o top 10 deixou de ser uma possibilidade, quando mais repetir o 5º posto de 2009...
Na geral, De Villiers (VW) – 3º no troço – também aproveitou para subir dois lugares para 7º. O vencedor de 2009 está a quase a uma hora do Mitsubishi do português, pelo que a posição de Sousa parece a salvo.
Robby Gordon manteve o 10º posto mas foi passado pelo BMW do russo Novitskiy, que tem 4m de vantagem para o Hummer e mais 2m para o Lancer de Terranova. Miguel Barbosa, após os azares de ontem onde os furos e um sistema eléctrico pouco cooperante o fizeram perder preciosos minutos, foi 11º no troço (melhor resultado de 2010), ganhando uma posição na geral (12º). Já Leal dos Santos (BMW) continua regular (16º no troço / 14º na geral). Se o piloto do Lancer está a meia-hora do Top 10, o do X5 vem a 1h03m. Ou seja, aqui ainda há margem para sonhar por parte dos dois portugueses.
Nas motos, vitória nº 3 em 2010 para Marc Coma, apesar de se ter perdido ao km 62 fazendo mais 5 km no troço. O espanhol da KTM obteve o 10º triunfo em especiais do Dakar, passando a fazer parte de um grupo restrito de 14 motards que já conseguiram uma dezena ou mais vitórias. Uma boa maneira de esquecer que os Comissários Desportivos não aceitaram o apelo relativo à penalização de 6 horas que lhe foi aplicada por ter trocado ilegalmente de roda na 7ª etapa. Na geral, subiu para 18º.
Cyril Despres voltou a ser o principal adversário de Coma, ficando apenas a 4s e ganhando terreno aos adversários mais directos na luta (distante, diga-se) pela vitória - Ullevalseter está agora a 1h21m50s. O norueguês da KTM nº 4 continua a liderar a interessante batalha pelo 2º posto. Hoje perdeu 7s para Lopez (3º mais veloz), tendo ambos ganho mais de dois minutos a Hélder Rodrigues. O português da Yamaha continua em 4º da geral, a 6m64s de Ullevalseter e a 3m13s do chileno da Aprilia com quem luta também pela vitória na classe 450cc.
Ruben Faria fez o 10º tempo e voltou a recuperar dois lugares na geral (12º). O aguadeiro de Despres está, no entanto, a mais de uma hora do top 10. Depois de dois troços para esquecer, Bianchi Prata escapou a problemas graves e fechou o dia em 27º. Ascendeu ao 36º posto da geral e ganhou 13m ao espanhol Soler com quem luta pela posição de melhor piloto BMW
Nos camiões, Chagin não conseguiu o recorde, pois foi o outro Kamaz de Kabirov a vencer a etapa. Nos quads primeiro triunfo no Dakar para o francês Declerck sem contudo incomodar o domínio dos irmãos Patronelli na geral.
DIA 10 – Regressou a competição ao Dakar 2010. O início da semana final fez-se com um duro troço, com muita pedra e também bastante areia e dunas, entre Antofagasta e Copiopo, num total de 472 km.
Nas motos, com Cyril Despres (KTM) bem na frente (1h20m) na liderança, a luta pela segunda posição ganhou interesse suplementar. No início do dia Hélder Rodrigues (Yamaha), Pal Ullevalseter (KTM) e Francisco Lopez (Aprilia) estavam, por esta ordem, separados por 11 minutos. No final da etapa tudo se alterou depois do chileno da Aprilia ter obtido a 2ª vitória do ano e terceira da carreira do Dakar. Os três pilotos estão agora em menos de 5 minutos, com Ullevalseter (3º no dia) a ser agora segundo, tendo Lopez a 3m50s e o piloto português a mais 54s. Rodrigues, 7º no troço, foi o perdedor do dia, cedendo dois lugares, sendo agora segundo das 450cc atrás do piloto da Aprilia, enquanto os adversários subiram ambos uma posição nas contas totais.
Despres passou pelo primeiro susto da prova – na zona de pedras antes de CP2 danificou uma jante. Salvou-o Ruben Faria, o seu aguadeiro, que lhe cedeu a roda anterior. O francês realizou o sexto tempo do dia, enquanto Ruben Faria acabou por perder uma posição na geral (14º). Bianchi Prata teve mais uma etapa para esquecer , ficando para lá do 60º lugar. Caiu três posições na geral (37º), onde continuou a ser o melhor BMW, mas agora com o espanhol Soler a 2m45s.
Marc Coma, que ontem após ter sido penalizado em 6 horas chegou a colocar a hipótese de deixar a prova, não só alinhou... como realizou o segundo tempo, ganhando cinco posições (19º).
Nos carros Stephane Peterhansel aproveitou os furos que afectaram todos os VW para ganhar pela terceira vez em 2010 e pela 54ª na carreira, mantendo essa luta muito particular pelo recorde de triunfos em etapas com o russo Vladimir Chagin, outra vez o mais veloz nos camiões. Na geral, o francês da BMW passou o companheiro Guerlain Chicherit na luta pelo 4º posto.
No campo VW, Carlos Sainz dizia no final que jamais tinha visto tanta pedra. Acabou por furar ao km 120 e de novo 100 km mais à frente. Sem outros pneus sobressalentes, optou por uma toada calma até ao fim. Ainda assim fez o 2º tempo, apenas a 45s do vencedor, e ganhou mais 22s a Mark Miller (3º no troço e na geral, a 22m28s) e 3m32s a Nasser Al Attiyah (5º na especial e 2º da geral, a 14m35s).
Entre os portugueses, dia mais ou menos calmo para Carlos Sousa. O piloto da Mitsubishi foi 7º na etapa e manteve essa mesma posição na geral, tendo ganho tempo (4m22s) ao melhor dos “gasolina”, o polaco Holowczyc, o sexto classificado.
Ricardo Leal dos Santos subiu duas posições (14º) após ter sido 12º na especial. Miguel Barbosa realizou o 15º tempo e manteve a 13ª posição.

DIA 9 – Descanso em Antofagasta… mas ainda assim mudanças na classificação geral. Enquanto a caravana do Dakar recupera forças de uma primeira semana muito dura, os Comissários Desportivos confirmaram a penalização de seis horas a Marc Coma depois de visionarem as imagens de televisão. O espanhol da KTM terá mesmo mudado de pneu na neutralização em asfalto da 7ª etapa. Um erro crasso e uma atitude de falta de desportivismo do vencedor da prova em 2006 e 2009, que lhe deverá custar um pódio. Coma cai do 2º para o 24º posto.
Hélder Rodrigues (Yamaha) ascende assim ao 2º lugar, a 1h20 do líder, Cyril Despres. O português pode estar a caminho do melhor resultado de sempre de um português na prova – até aqui é o 4º lugar de Carlos Sousa, nos carros, em 2003. Rodrigues lidera também a classe de 450cc com 11m de vantagem sobre o chileno “Chaleco” Lopes (4º). O norueguês Ullevaleseter é outro dos que beneficia com a penalização de Coma, ficando com o mais baixo do pódio provisório.
Outros destaques nas motos vão para a liderança da veterana sueca Annie Seel nas senhoras (43ª), e o italiano Paolo Ceci, o melhor dos estreantes (14º com a Aprilia oficial).
Nos carros, o pódio é VW com Sainz a comandar, 11m03 na frente de Al Attiyah e exactamente o dobro para Miller. Os BMW X3CC de Chicherit e Perterhansel estão logo a seguir mas a mais de duas horas do líder. O polaco Krzysztof Holowczyc comanda entre os carros motores a gasolina com a Nissan Overdrive (6º), 46m na frente do melhor português, Carlos Sousa, também o líder entre os Mitsubishi. Robby Gordon coloca o Hummer como o melhor duas rodas motrizes (10º), mas entre os verdadeiros buggy a liderança pertence ao andorrenho Errandonea (17º). Na categoria T2 destaca-se o Toyota de Nicolas Gibon (20º), vencedor no ano passado. O principal adversário é o seu chefe de fila – o japonês Jun Mitsuhashi – um lugar, mas 58 minutos, mais atrás. O espanhol Xavier Foj ocupa a 3ª posição, a 2h46m de Gibon.
Nos quads, domínio total dos irmãos argentinos, Marcos e Alejandro Patronelli, que ganharam 5 das 7 etapas (3-2). Marcos, 2º no ano passado, parecia ter a vitória assegurada... até os Comissários Desportivos o penalizarem com 3 horas por não ter respeitado o regulamento da prova na 7ª etapa. Isso coloca o mano mais novo, Alejandro, na frente, seguido a 55 m do espanhol Juan Manuel Gonzalez.
Nos camiões todos (ou quase) caem... menos o Kamaz. Chagin ganhou 6 dos 7 troços e caminha com naturalidade para o sexto triunfo, podendo igualar o recorde de Karel Loprais. E anda em discussão com Peterhansel pelo dos triunfos absoluto em etapas - até agora 53 para cada lado - sendo que o russo ganhou todas nos “pesos-pesados” enquanto o francês soma 20 nos carros e 33 nas motos.

DIA 8 – Chegámos ao fim da 1ª semana do Dakar 2010 e muito já aconteceu. Se a vitória parece estar mais ou menos entregue a Cyril Despres, Marcos Patronelli e Vladimir Chagin, respectivamente nas motos, quads e camiões, tendo todos uma ou mais horas de vantagem sobre o mais directo rival, nos carros tudo ainda pode acontecer, muito embora a VW domine o pódio à chegada ao dia de descanso em Antofagasta (Chile).
Carlos Sainz continua sem ganhar qualquer troço, mas sendo o rei da regularidade lidera com 11m03s de avanço sobre Nasser Al Attiyah. Por sua vez, o qatari tem o mesmo avanço para Mark Miller depois de ter ganho o longo troço de 600 km, o mais longo do rali.
Uma especial igualmente positiva para os dois BMW de Chicherit (5º) e Peterhansel (2º), tendo ambos ganho três lugares na geral. Agora “namoram” com o pódio separados por apenas 16s, com vantagem para Chicherit. Só que estão a mais de duas horas de Sainz!
Carlos Sousa teve uma etapa para esquecer. Primeiro, problemas de travões no Mitsubishi motivaram uma reparação de fortuna, ficando o Lancer a travar apenas em três rodas, melhor do que não travar em nenhuma! Depois, um erro de navegação na zona de montanha fê-lo encontrar-se de frente com outro concorrente. Para evitá-lo, Sousa caiu num buraco de onde demorou uma hora a sair. Feitas as contas, 17º tempo no troço e a queda de 4º para 7º na geral. É agora o segundo dos não oficiais (e 2º gasolina), a 48m do Nissan de Holowczyc.
Miguel Barbosa também perdeu lugares depois de uma etapa marcada por dois furos – caiu de 11º para 13º, mas está apenas a 10m42 do Top 10. Ricardo Leal dos Santos fez o 16º tempo e cedeu outras duas posições (16º), tendo agora apenas uma vantagem de 1m04s sobre o buggy SMG de Errondonea com quem luta pela posição de melhor “absolutamente” privado.
Tudo isto num dia em que os problemas de alternador no Hummer de Robby Gordon lhe custaram a queda de 6º para 10º. O americano está definitivamente arredado de repetir o 3º lugar de 2009.
Nas motos, segunda vitória para Cyril Despres (22º da carreira no Dakar). Até aqui terminou todas as etapas no pódio, com a excepção de uma… onde foi 4º! O triunfo do francês da KTM - marca que caminha para o 9º triunfo consecutivo - é tão mais significativo por ter feito 450 km só com mola na suspensão posterior, depois do amortecedor ter “acabado”. O líder do rali travou luta intensa com Marc Coma nos últimos quilómetros, passando com 10 segundos de atraso a 19km do fim, para acabar com 29s de vantagem.
Marc Coma foi outro protagonista, por boas e menos boas razões. De início perdeu-se (como muitos outros) na zona de dunas. De seguida imprimiu um andamento de “loucos” para entrar na luta pela vitória na etapa e subir para 2º da geral. Só que, no final, foi chamado ao Colégio de Comissários Desportivos. Despres (e não só) queixou-se que o espanhol da KTM tinha mudado a roda posterior na neutralização de 50 km (entre os km 177 e 227) feita em asfalto para evitar uma zona arqueológica protegida. A esta hora ainda não se sabe se vai incorrer numa penalização.
Se tal acontecer, Hélder Rodrigues pode acabar a primeira semana no 2º lugar absoluto, ele que hoje passou para o comando das 450cc. E isto após uma etapa que foi a pior do Dakar 2010 para o português da Yamaha - pela primeira vez ficou fora do top 10 do dia (14º). Tudo porque partiu o cabo do acelerador e teve de ser ajudado por Fretigne (3º na etapa e agora 7º da geral), que lhe cedeu alguma ferramenta.
Para ficar à frente da classe 450cc, Rodrigues beneficiou do problema de “Chaleco” Lopez. O chileno viu a corrente da Aprilia partir-se e ficar encravada a 100 km do fim. Cedeu 48m e caiu para 5º da geral, atrás de Ullevalseter, o super-regular norueguês.
Ruben Faria teve o melhor dia até aqui. Quarto tempo e subida para 14º, estando agora a 44m do top 10 – nada de impossível!
Bianchi Prata não foi tão feliz. Perdeu 3 horas e 13 lugares na geral (34º). No entanto, continua a ser o melhor representante da BMW nas duas rodas.
Nos quads, mais uma dia de domínio dos manos argentinos Patronelli. Alejandro ganhou o troço e subiu para segundo da geral. Só que o irmão Marcos tem mais de duas horas de vantagem.
Nos camiões ganhou (adivinhem?)… Chagin! O russo do Kamaz igualou Peterhansel como os mais vitoriosos de sempre em etapas do Dakar (53). Chagin está cada vez mais próximo de igualar as seis vitórias à geral do checo Karel Loprais, recordista de triunfos nos “peso-pesados”. E a Kamaz pode obter a 9ª vitória absoluta, tantas quando a KTM está a um passo de conseguir nas motos (e consecutivas, neste caso). Em todas as categorias só a Mitsubishi ganhou mais vezes – 12, nos carros. E será desta que Carlos Sainz finalmente inscreve o seu nome na lista de vencedores do Dakar, como fizeram no passado Juha Kankkunen e Ari Vatanen, outros campeões do mundo de ralis?
Vamos ver se a viagem final até Buenos Aires confirma aquilo que a primeira semana mostrou.

DIA 7 - Os acidentes começaram ao km 3 na viagem até Iquique, localidade ribeirinha ao Pacífico no topo norte do deserto do Atacama. Luca Manca, o estreante italiano que tanto deu nas vistas pelo andamento fortíssimo, como pelo facto de ser um bom samaritano, não evitou uma queda com graves consequências – foi transportado para um hospital de Santiago do Chile com lesões cerebrais profundas.
Mais à frente foi a vez Paulo Gonçalves. De um acidente ao km 195 resultou numa clavícula partida. O português da BMW deixou a prova mais cedo, quando apostava num grande resultado (era 8º da geral e 3ª das 450cc).
Finalmente, Maurício Neves, um dos cinco pilotos oficiais da VW, partiu várias costelas após um aparatoso capotanço.
No capitulo competitivo o sexto troço prometia terreno variado e bastante navegação. Stephane Perterhansel arrecadou o 53º triunfo da carreira no Dakar (20º nos carros). Uma boa maneira de esquecer os azares do dia anterior que retiraram à BMW a hipótese de vencer nos carros.
Na VW “jogou-se o jogo” de Carlos Sainz. O espanhol continuou sem ganhar troços mas manteve a liderança, agora com 15m24s de avanço para Nasser Al Attiyah. O piloto qatari também perdeu tempo para Mark Miller e o segundo lugar está agora por um fio: o americano foi o terceiro mais veloz, ganhando 2m39 a Al Attiyah e ficando apenas a 2m20s na geral.
Carlos Sousa (Mitsubishi) esteve uma vez mais regular o que lhe valeu o sétimo tempo e a subida para o 4º posto, voltando a ser o primeiro não VW e o melhor dos carros a gasolina. O português beneficiou do menos bom dia de Robby Gordon (Hummer), que desceu para sexto, sendo ultrapassado ainda pela Nissan de Holowczyc.
Miguel Barbosa (Mitsubishi) resistiu bem e ficou mesmo à porta do top 10 (está apenas a 12 minutos do BMW de Novitskiy). Consistência foi ainda a palavra de ordem para Ricardo Leal dos Santos: 16º no troço, 14º da geral. E ainda tudo pode acontecer, pois do 10ª ao 15º da geral dos carros há apenas 42 minutos a separá-los.
Nas motos, Marc Coma foi o primeiro a bisar. Apesar de se ter perdido ao km 29, o espanhol da KTM impôs depois um ritmo demolidor, terminando a etapa 10m34s de vantagem para o líder, Cyril Despres (KTM). O francês liderou até ao km 117. Depois controlou, acabando por protagonizar uma bela batalha ao cronómetro com Hélder Rodrigues. O português perdeu o segundo lugar na etapa por 4 segundos. Na geral, contudo, ganhou mais de 4 minutos a Francisco Lopez. Ficou assim apenas a 1m50s do segundo lugar e da liderança entre as 450cc que para já vai pertencendo ao chileno da Aprilia. Para o português da Yamaha o maior problema pode ser Coma... que já está em 4º e apenas a 22 minutos do pódio.
Ruben Faria (KTM) fez o 10º tempo e subiu para 16º, enquanto Bianchi Prata quase entrou no top 20 da geral (21º).
Interesse está a tornar-se a batalha pelo recordes de vitórias em etapas. Se Peterhansel obteve a 53ª no Dakar, o russo Chagin ganhou pela quinta vez em seis troços nesta edição e somou o triunfo 52 da carreira. Promete!

DIA 6 – A 5ª etapa do Dakar, que acabava em Antofagasta, no coração do Atacama, podia baralhar as contas da geral... e foi o que aconteceu.
Nos carros, Stephane Peterhansel teve problemas de transmissão ao km 135. Mesmo o experiente trabalho de mecânico do navegador, Jean-Paul Cottret, não evitou que após uma paragem de quase 1 hora, o BMW X3CC cedeu-se outra vez 80 km mais à frente. O atraso acumulado ultrapassou 2h15m, caindo para 10º da geral, retirando qualquer esperança de vitória ao francês e à BMW.
O caminho está mais aberto para a VW, com Carlos Sainz a passar para o comando. Depois de várias edições onde foi dominador nas etapas mas nunca ganhou à geral, o espanhol aprendeu a lição: a regularidade pode levá-lo à vitória final, a exemplo do que aconteceu com Peterhansel em 2007, quando o então piloto da Mitsubishi se impôs sem ganhar qualquer troço!
Hoje, Sainz foi 2º, perdendo o troço por 2m10s para o companheiro Mark Miller, que ganhou pela primeira vez um troço no Dakar. O americano disse desde o primeiro dia que ia jogar na consistência e já está no pódio – é 3º, a 9m39s do líder.
Uma etapa que foi de luxo para a VW, colocando quatro Race Touareg nos cinco primeiros (só De Villiers voltou a perder quase uma hora) e passando a dominar o pódio. Al Attiyah foi o terceiro mais veloz, subindo para 2º da geral, mas agora com um atraso de 4m37s para Sainz. Maurício Neves obteve o 5º tempo, com o americano o Hummer de Robby Gordon a imiscuir-se no top 5 e com isso a subir para 4º da geral.
Os portugueses voltaram a ter Carlos Sousa o melhor representante. O piloto do Lancer andou sempre entre os nove primeiros a partir do 50 km, acabando com o oitavo tempo. Na geral já está no 5º lugar, sendo o melhor Mitsubishi e de novo o melhor “gasolina”... mas de 4 rodas motrizes.
Miguel Barbosa também podia ter tido um resultado de grande nível – era 9º ao km 138 – só que perdeu fôlego no final, para fazer o 14º. Mesmo assim, está quase a bater à porta do top 10 (12º). Leal do Santos andou sempre no Top 20, fechando o dia em 19º e continua no top 16.
Nas motos, a notícia do dia foi a queda de David Casteu, segundo da geral. O francês da Sherco partiu uma perna e pela primeira vez em sete participações não vai acabar um Dakar. Outra notícia marcou a etapa, e essa com toques de alguma “loucura”, que o principal protagonista admitiu de imediato: Luca Manca, o privado italiano que estava a ser um das surpresas da prova, perdeu quase uma hora quando decidiu ceder a roda posterior da sua KTM a Marc Coma. E isto sem ter qualquer obrigação contratual. Só porque sentiu pena por ver um dos “tenores” do rali com problemas! Coma agradeceu, mas voltou a perder uma eternidade (38m05s) para Cyril Despres.
O francês da KTM manteve a liderança e viu a mesma reforçada com a desistência de Casteu. Tem agora 37m37s de avanço para Francisco Lopez, o chileno que deu à Aprilia 450 a primeira vitória em etapas. Há mais de uma década que uma moto italiana não vencia no Dakar. E tal como nos carros, “Chaleco” tornou-se no quinto vencedor diferente em cinco dias de rali.
No campo lusitano destacou-se Ruben Faria (KTM), o quarto mais veloz. Na geral subiu para 20º. No pódio continua Hélder Rodrigues, apesar do piloto da Yamaha ter sido passado por Lopez ao fazer o sexto tempo do dia, a 21m46s do chileno. Continuou assim na segunda posição das 450cc. Paulo Gonçalves assinou mais um Top 10, sendo o sétimo mais veloz. Subiu para 8º da geral, onde se mantém como o melhor dos homens da BMW e passou para terceiro das 450cc. Bianchi Prata voltou a ser regular – 30º na etapa, 24º da geral.

DIA 5 – Chegou o Chile e o Deserto do Atacama. No programa da 4ª etapa apenas 160 km de troço, menos 43km do que inicialmente previsto. Tudo porque no dia anterior houve quem tivesse chegado de madrugada, levando a que o início da etapa, com uma longa ligação de quase 400km pela Cordilheira dos Andes fosse atrasado para as 5h30m, uma hora e meia depois do previsto.
A especial acabou por se revelar relativamente fácil e veloz. Nos carros, Robby Gordon conseguiu o terceiro triunfo em etapas do Dakar (o primeiro deste ano), mostrando que nos espaços livres das areias do deserto é preciso contar com o Hummer (BJ Baldiwn, com o outro “monstro”, ficou no top 8). O americano bateu Peterhansel por apenas 1s. O piloto da BMW acabou por fazer a melhor operação do dia, ganhando tempo aos seus principais adversários, os “VW Boys” Nasser Al Attiyah (2m25s) e Carlos Sainz (3m03s). O nove vezes vencedor da prova reforçou a liderança na geral – 7m36s para Sainz, sempre 2º, e 9m56s para Al Attiyah, que podia ter feito melhor não fosse um furo a 80km do fim. Mark Miller manteve-se na último posição dos top 5 sendo agora seguido pelos Nissan Overdrive de Cox e Holowczyc, que comandam a “armada” dos carros com motores a gasolina.
Miguel Barbosa foi o melhor dos portugueses nos “4 rodas” com o 15º tempo, logo seguido de Carlos Sousa. O almadense desceu para 7º da geral, mas ainda é o melhor Mitsubishi, enquanto Barbosa ocupa a 15ª posição. Ricardo Leal dos Santos teve o pior dia até aqui (24º), sendo agora 14º.
Refira-se que Nani Roma, um dos oficiais da BMW, já não fez a etapa. O espanhol ficou com uma lesão na mão após o acidente de 3ª etapa, mas acabou por ser o facto do “roll-bar” do X3CC ter danos estruturais a ditar o abandono.

Nas motos, finalmente um triunfo para Marc Coma, o oitavo no Dakar. O catalão da KTM subiu para sexto da geral, mas continua distante do líder (38m50s), sendo o primeiro a admitir que dificilmente conseguirá vencer a prova pela terceira vez. David Casteu (Sherco) e Cyril Despres (KTM) protagonizaram o duelo do dia. Vantagem para o segundo classificado, que assim ganhou 1m10 a Despres na luta pela vitória, mas este ainda tem 8m53s de avanço. Fernando Lopez (Aprilia) não repetiu a façanha do ano passado quando ganhou a primeira etapa realizada em casa, no Chile, mas foi quarto. Ainda assim, perdeu um lugar na geral para Coma (7º).
Portugal voltou a colocar um piloto no top 5 - Paulo Gonçalves - que depois do terceiro lugar de ontem acabou em 5º, a 6m59s do vencedor. Não fossem os problemas no segundo dia e o piloto da BMW poderia muito bem estar a lutar pelo pódio, onde o lugar mais baixo continua a pertencer a outro português, Hélder Rodrigues. Isto, pese embora o homem que lidera entre as Yamaha ter sido apenas 9º no troço e cedido quase seis minutos a Despres, estando agora a 23m45s do primeiro lugar.
Referência para a desistência de um dos portugueses - João Rosa não resistiu à dureza do terceiro dia de prova. Já Bianchi Prata (22º), Ruben Faria (27º) e Fernando Sousa (99º) continuam na grande aventura do Todo Terreno.
Uma palavra ainda para os quads, onde os manos argentinos Patronelli voltaram a dominar. Hoje foi Alejandro que venceu o troço, mas Marcos continuou a liderar a geral. Nos camiões, Chagin ganhou pela quarta fez em igual número de etapas (51º triunfo absoluto), sendo agora o segundo mais vitorioso de sempre em troços e está apenas a uma vitória do recorde de Peterhansel. Tudo isto, no dia em que o russo da Kamaz festejou 40 anos de idade.

DIA 4 - Com apenas 182 km, mas num terreno difícil, a viagem a caminho de Fiambala, a última etapa em solo argentino na primeira parte da prova, acabou por confirmar que a edição 2010 do Dakar vai mesmo ser de “sofrer”.
Nos carros, Stephane Peterhansel liderou desde a primeira cronometragem. Chegou com facilidade a uma vantagem de quase 6 minutos e depois geriu no final, na zona de 30 km de dunas. O francês da BMW já não ganhava um troço desde a edição de 2006 e com esta vitória (a 52ª em etapas do Dakar – um recorde – mas apenas a 19ª nos carros), assumiu a liderança. Até aqui, quem ganha a etapa passa para o comando e a BMW tem uma vantagem de 2-1 face à VW.
Carlos Sainz (VW) limitou os estragos num terreno onde no ano passado deitara tudo a perder. Fez o segundo tempo e manteve o mesmo lugar na geral, agora a 4m33s do líder. O comando de Nasser Al Attiyah durou apenas um dia: o qatari conseguiu o terceiro tempo no troço, perdendo 10m01s para Peterhansel e “rolou” de 1º para 3º na geral (a 7m31s). Mark Miller completou o terceto dos Race Touareg II, com o americano a ficar com o quatro posto, tanto na etapa como na classificação. Guerlain Chicherit (BMW) fechou o top 5, num dia onde o grande destaque vai para a performance do francês Chabot - colocou um Toyota T2 (mais próximo de série) no 6º lugar e subiu para 12º!
A 3ª etapa foi aziaga para Marc Coma (BMW), que caiu numa ravina e teve de esperar pela assistência pesada, enquanto o vencedor de 2009, Giniel de Villiers, capotou o VW. Tendo danificado o motor também foi obrigado a esperar pelas peças do camião MAN de assistência rápida.
Quanto aos portugueses, Carlos Sousa começou menos bem mas acabou em força, voltando a ser o melhor da armada Mitsubishi (9º), posição que ocupa também na geral onde subiu para 6º, ainda que tenha deixado de ser o primeiro dos “gasolina”, ultrapassado por Holowszyc. Leal dos Santos (BMW X5) também vez uma prova de trás para a frente para fechar em 15º, tendo subido três lugares para 13º na geral. Pelo contrário, Miguel Barbosa começou melhor do que terminou. O Mitsubishi teve um problema de “vapor lock” (aquecimento da gasolina) e o motor deixou de funcionar a25 km do fim. Foi preciso uma hora de “estacionamento” para o Lancer voltar a trabalhar. Um possível top 10 fugiu a Barbosa, quedando-se pelo 18º lugar no troço e caindo de 15º para 17º somados os tempos dos três dias de prova.
Nas motos, foi também um francês a dominar. Sabendo poupar a mecânica que sofreu bastante com o calor e navegando na perfeição, Cyril Despres deu a primeira vitória do ano à KTM, a 21ª no Dakar para a contabilidade do piloto que vive em Andorra. Como Casteu (Sherco) se atrasou com problemas de bateria depois de ter tentado ajudar Marc Coma (seria apenas 4º no troço, a 12m13s), Despres saltou para o comando da prova com uma vantagem de 10m03 para o seu ex-aguadeiro. Marc Coma perdeu mais 20m com problemas de sobreaquecimento do motor da KTM (é agora 8º da geral a 42m04s) e viu o seu aguadeiro, Jordi Viladoms, deixar a prova depois de uma aparatosa queda - terceira desistência para o catalão em quatro presenças. David Fretigne (Yamaha), vencedor da etapa anterior, perdeu mais de 1h30 e desceu para 21º.
O dia nas motos foi também português, com os dois melhores tempos das 450cc. Hélder Rodrigues (Yamaha) fez a segunda marca e já está no pódio provisório (3º, a 17m57s). Paulo Gonçalves esqueceu o azar de ontem quando perdeu mais de meia-hora com problemas eléctricos na BMW. Foi o terceiro mais veloz e subiu de 31º para 10º na geral, onde é o melhor das motos alemãs. Menos sorte para Ruben Faria. Duas horas perdidas e a queda para 34º. Bianchi Prata continua regular – 30º no troço e já 23º da classificação.
Nos quads, domínio argentino, com os quatro primeiros lugares na etapa e na geral. O dia foi de Sebastien Halpern, mas são os manos Marcos e Alejandro Patronelli que comandam à geral. Nos camiões. três etapas, igual número de triunfos para o Kamaz de Chagin. O russo festejou antecipadamente os 40 anos de idade que cumpre amanhã com a 50º vitória em troços e uma vantagem de 18m para Kabirov (outro Kamaz) nas contas totais.

DIA 3 – Depois de Guerlain Chicherit ter tido problemas de electrónica no dia de ontem, hoje foi a vez de Nani Roma, outro dos homens da BMW, não evitar um capotanço logo ao km 2 da especial de 355 km para os carros (294 para as motos). O espanhol demorou 15 minutos a voltar à estrada tendo feito apenas o 18º tempo no troço, caindo de primeiro para oitavo da geral.
Durante boa parte do troço, Chicherit ainda tentou dar a segunda vitória do ano à BMW, só que o francês voltou ser tocado por problemas de electrónica ao nível das bombas de pescagem de combustível do depósito do X3CC e não foi além da segunda posição.
Assim sendo, o dia pertenceu à VW. De início, com o piso ainda muito húmido, deu nas vistas o brasileiro Maurício Neves, mas acabou por ser Nasser Al Attiyah a somar a quinta vitória em troços do Dakar. O piloto do Qatar subiu três lugares na geral, assumindo a liderança da prova com 1m19s de vantagem sobre o outro Race Touareg II de Carlos Sainz (4º no troço).
Stephane Peterhansel (apenas 6º mais veloz) mantém o terceiro posto, a 2m30s. O top 5 é fechado por Mark Miller (VW) e Maurício Neves.
Mais um bom dia para os portugueses, com Carlos Sousa a andar sempre entre os 10 primeiros para fechar a etapa em 9º (a 6m20s), o que lhe valeu a ascensão ao 7º posto. Continua a ser o melhor dos Mitsubishi e é o primeiro dos não VW e BMW. Miguel Barbosa cortou a meta em 16º e ganhou uma posição na geral (15º), enquanto Ricardo Leal dos Santos voltou a ser o melhor dos verdadeiros privados e chegou a namorar com o top 10. Acabou em 14º e subiu para 16º na classificação.
Nas motos, segunda vitória do ano para uma 450cc, desta feita a Yamaha de David Fretigne. O francês obteve o 8º triunfo, sendo que já não ganhava uma etapa desde a tirada final da edição de 2006. Um resultado que o elevou à terceira posição da geral, a 2m14 do líder, ainda e sempre David Casteu (Sherco), o segundo mais veloz do dia.
A história da etapa acabou por protagonizada por Marc Coma (KTM), o terceiro mais rápido na pista. O vencedor de 2009 sofreu depois uma penalização de 22m por ter passado acima do limite de velocidade numa povoação. Como tal, caiu de segundo para 14º na geral, estando agora a 22m37s do líder.
Cyril Despres (KTM) começou menos rápido nos 100 km iniciais marcados por lama e nevoeiro, tendo recuperado no final. Quarto mais veloz do dia e segundo da geral, a 2m10s de Casteu.
O italiano Luca Manga (KTM) esteve na posição inversa. Chegou a liderar de início, mas fechou a etapa em 5º. Mesmo assim, galgou oito lugares na geral, sendo agora o 4º classificado, seguido de Jordi Villadoms (KTM).
Hélder Rodrigues (Yamaha) andou muito vezes nos cinco primeiros, terminando em 6º, lugar a que ascendeu na geral, onde é seguido por Ruben Faria (KTM). O algarvio foi o nono na etapa, apesar de uma queda ao km 70. Menos sorte para Paulo Gonçalves. O piloto da BMW caiu de 8º para 31º numa classificação geral onde Bianchi Prata é 21º, Fernando Sousa ocupa o 114º posto e João Rosa perdeu 80 lugares (131º).

DIA 2 – De Colon a Cordoba, a primeira etapa competitiva do Dakar 2010 teve em Nani Roma o mais rápido nos carros. O espanhol ofereceu o triunfo à BMW voltando a ganhar a especial que acabou em Cordoba, a pátria da competição motorizada na Argentina, tal como tinha feito em 2009, então com um Mitsubishi. Liderando em todos os controlos de passagem (CP), Roma conseguiu uma vantagem de 2m07s para o melhor VW, o de Carlos Sainz. O ex-campeão do mundo de ralis queixou-se do pó que apanhou nos últimos 50km atrás do Hummer de Robby Gordon.
O pódio do dia foi completado por Stephane Peterhansel, que ficou a 2m50s do companheiro da BMW. Os VW de Al Attiyah e De Villiers fecharam o top 5. Menos sorte para o terceiro BMW da X-Raid. Chicherit perdeu quase uma hora quando o motor começou a ter um funcionamento irregular a 30km do fim dos 199km de especial (os primeiros 52k foram anulados devido às cheias)
Entre os portugueses, Carlos Sousa foi o melhor (11º), mesmo se Mitsubishi não passava dos 170 km/h na fase rápida do início do troço. Com um Lancer idêntico ao do almadense, mas com mais “pulmão” e caixa de 6 velocidades, Miguel Barbosa acabou em 16º, depois de partir em 32º. Uma palavra ainda para Ricardo Leal dos Santos que conseguiu um excelente 18º tempo, sendo o melhor dos verdadeiros privados.
Nas motos, entrada em força dos franceses da Sherco, com David Casteu a atacar nos últimos 50 km passando as KTM 690 de Cyril Despres e Marc Coma para garantir o primeiro triunfo da 450cc da marca de Nimes... na primeira etapa que fez no Dakar!
Despres ficou apenas a 3s, enquanto Coma, que liderou nos primeiros CP, terminou a 12s, seguido do seu “aguadeiro”, Jordi Villadoms. O quinto lugardo chileno Francisco Lopez confirmou que há que contar com a Aprilia 450cc.
Os portugueses mais rápidos ficaram agrupados a fechar o top 10, sendo que Paulo Gonçalves foi o melhor (8º, e primeiro BMW, a 3m29s), seguido de Ruben Faria (KTM), a 4m03s, e Helder Rodrigues (Yamaha), a 4m30s.
Nos quads, triunfo para o polaco Sonik (Yamaha) na frente dos favoritos Patronelli e Machacek.

DIA 1 – Mais de meio milhão de espectadores estiveram nas ruas de Buenos Aires para ao arranque do Dakar 2010. Um total de 361 concorrentes alinharam à partida (151 motos, 25 quads, 134 carros e 52 camiões), sendo que o local Javier Pizzolito acabou por ficar de fora quando a sua moto pegou fogo.
Pela frente 9000km de competição nesta 32ª edição da prova, dos quais quase 5000 km são contra o cronometro. Um percurso que se divide entre a Argentina e o Chile e que tem no Deserto do Atacama, o mais seco do mundo, o seu ponto alto.
Nos carros, a luta será entre VW (com Sainz, Al Attiyah, De Villiers, Miller e Neves) e BMW (com Peterhansel, Roma e Chicherit), arbitrada pelo Hummer de Robby Gordon e os Mitsubishi Lancer ex-equipa oficial onde pontificam dois portugueses – Carlos Sousa (12ª presença para o melhor luso de sempre – 4º em 2003) e Miguel Barbosa (3º presença).
Nas motos, a batalha será uma vez mais entre o espanhol Marc Coma e francês Cyril Despres (este com o português Ruben Faria como aguadeiro) que dividiram irmamente os triunfos nas quatro últimas edições. Mas como partem com os KTM 690 com menos potência, podem sofrer forte oposição das motos de 450cc – as Yamaha de David Fretigne e do “nosso” Helder Rodrigues, as Aprilia oficiais, sobretudo a do chileno Francisco Lopez, as BMW, onde o português Paulo Gonçalvez é um dos nomes fortes, e ainda das francesas Sherco, marca que faz motos de Enduro e se estreia no Dakar com David Casteu como piloto de ponta.










