Automobilismo
28/03/2010 - 23:15Button com vitória animada

Pista molhada na partida, muitos incidentes, um problema de travões que roubou o triunfo a Sebastian Vettel e uma troca para pneus de seco mais cedo que os demais deram a vitória a Jenson Button e à McLaren-Mercedes no Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1.
Depois da “procissão” que foi a prova de estreia do Mundial 2010 de Fórmula 1 (F1) no Bahrain, esperava-se que a pista de Melbourne, na Austrália, oferecesse mais espectáculo. E ele acabou por acontecer com ”mão” da meteorologia, mas também com muito empenhamento por parte dos pilotos que andaram a lutar, como se não houvesse amanhã, pelos lugares da frente.
A chuva que caiu intensa antes do início da corrida baralhou as tácticas e foi determinante para o fim das esperanças de alguns candidatos logo no arranque. Três dos quatro campeões do mundo do plantel – Jenson Button, Michael Schumacher e Fernando Alonso - chegaram à primeira curva lado-a-lado e sem espaço para tantos carros. O inglês tocou no Ferrari do espanhol, que fez um pião, e esse no Mercedes do alemão, que partiu a asa dianteira. Logo de seguida, antes da curva 6, Kamiu Kobayashi perdeu o controlo do Sauber e fez um pião, sendo colidido a alta velocidade, pelo Toro Rosso de Sebastien Buemi e pelo Williams de Nico Hulkenberg. Três carros de fora e a estreia do novo safety-car Mercedes na F1 2010.

A pista começou a secar ainda que as nuvens bem cinzentas deixassem no ar a possibilidade que a chuva voltasse a aparecer. Assim sendo, os pneus para piso molhado pareciam continuar a ser uma boa opção. Sebastian Vettel, que saíra da pole-position pelo segundo Grande Prémios consecutivo, manteve a liderança com o Red Bull, seguido pelo Ferrari de Felipe Massa, que batera Mark Webber no arranque, roubando o segundo lugar ao piloto da casa.
Jenson Button, bem ajudado pela previsão certeira da McLaren de que não voltaria a chover, foi o primeiro a trocar de pneus para “slicks”, na 6ª volta, pouco depois do recomeço normal da corrida. Se uma saída logo no início da volta de saída das boxes parecia indicar que a aposta podia não resultar, os restantes parciais mostraram que o inglês arriscara de forma certeira. Os outros imitaram-no quase de seguida, com a excepção dos homens da Red Bull que continuavam a acreditar que voltaria a chover... mas houve apenas um muito ligeiro aguaceiro.
REB BULL TEM ASAS MAS “VOA” CURTO

Vettel só trocou de pneus duas voltas depois, mantendo por pouco o comando, na frente de Button. Webber só parou na 10ª volta e viu-se assim ultrapassado Robert Kubica, Nico Rosberg e até Massa.
O Red Bull voltou a conseguir distanciar-se de Button, mas o inglês ficou na frente da corrida quando Vettel saiu de pista na curva 13, decorria a 28ª volta, devido a um problema de travões. Pelo segundo GP, o alemão perdeu uma vitória quase certa devido a uma falha mecânica do Red Bull RB6, o monolugar mais competitivo de pelotão, mas que está longe de ser o mais fiável..
Button não mais perdeu a liderança, repetindo o triunfo obtido na prova do ano passado e ganhando pela primeira vez com a McLaren logo na segunda corrida que fez com a equipa de Ron Dennis. Ao mesmo tempo, saltou para terceiro do Mundial de Pilotos, a seis pontos do líder, enquanto a McLaren é agora segunda nos Construtores, a 16 da Ferrari.
8 VOLTAS DE LUXO PELO 2º LUGAR
Também Robert Kubica optou por uma táctica idêntica e deu finalmente razões para a Renault se sentir satisfeita. O polaco mostrou porque é tido como dos melhores do pelotão. Evitou os acidentes e cortou a meta em segundo, resistindo a todos os ataques. Primeiro foi Hamilton, até os pneus do McLaren cederem e o britânico vir pela segunda vez às boxes, tal como aconteceu com Webber e Rosberg.

A luta nas últimas oito voltas foi intensa entre Kubica, Massa, Alonso, Hamilton e Webber, que seguiam por esta ordem, do segundo ao sexto lugares, um grupo a que Rosberg também se juntou. Do melhor que vimos na F1 nos últimos anos. Massa atacou várias vezes Kubica, sempre sem sucesso, enquanto Hamilton viu os pneus do McLaren voltar a ceder e acabou por se ver envolvido num toque com Alonso e Webber a duas voltas do fim. O toque do Red Bull levou o McLaren a fazer um pião, ditando que o campeão do mundo de 2008 terminasse apenas em sexto, enquanto Webber, com o carro mais danificado, desceu até 9º.
Alonso salvou o quarto posto e com ele a liderança no campeonato, agora com Massa apenas a 3 pontos. Rosberg voltou a ser outra vez o melhor dos Mercedes, já que Schumacher, depois do atraso inicial, demorou sempre uma eternidade atrás do Toro Rosso de Jamie Alguersuari, que teve de ultrapassar por duas vezes, vindo a salvar o ponto final do 10º lugar. Viantonio Liuzzi voltou a dar pontos à Force India (7º), tal como Rubens Barrichello (8º) à Williams.
Nas jovens formações, mais um “triunfo” da Lotus, ainda que Jarno Trulli nem tenha arrancado para a corrida, devido a problemas hidráulicos. Heikki Kovalainen terminou em 13º, mas a duas voltas do vencedor, enquanto o Hispania de Karun Chandhok foi o outro monolugar “dos novos” que conseguiu acabar, na 14º posição, mas a quatro voltas.
CLASSIFICAÇÃO
Corrida: 1. Button (McLaren-Mercedes), as 58 voltas em 1h33m36.531s; 2. Kubica (Renault), a 12.034s; 3. Massa (Ferrari), a 14.488s; 4. Alonso (Ferrari), a 16.304s; 5. Rosberg (Mercedes), a 16.683s; 6. Hamilton (McLaren-Mercedes), 29.898s; 7. Liuzzi (Force India-Mercedes), a 59.847s; 8. Barrichello (Williams-Cosworth), a 1m00.536s; 9. Webber (Red Bull-Renault), a 1m07.319s; 10. Schumacher (Mercedes), a 1m09.391s.
CAMPEONATOS
Pilotos: 1. Alonso, 37 pontos; 2. Massa, 33; 3º Button, 31; 4. Hamilton, 23; 5. Rosberg, 20; 6. Kubica, 18; 7. Vettel, 12; 8. Schumacher, 9; 9. Liuzzi, 8; 10. Webber, 6.
Construtores: Ferrari, 70; 2. McLaren-Mercedes, 54; 3. Mercedes, 29; 4. Red Bull-Mercedes e Renault, 18; 6. Force India-Mercedes, 8; 7. Williams-Cosworth, 5.










