Fórmula 1
26/07/2010 - 12:07 - Updated 26/07/2010 - 12:15Vitória de Alonso custa 100 mil dólares

Triunfo polémico de Alonso que terá passado Massa na 47ª volta por ordem da equipa. Comissários não gostaram e penalizaram a marca italiana em 100 mil dólares, ensombrando a dobradinha no GP da Alemanha.
Mais um Grande Prémio de polémica. Depois de Inglaterra e de um alegado favorecimento da Red Bull a Sebastian Vettel que Mark Webber “vingou” com um triunfo na corrida de Silverstone, a prova alemã fez reviver a famosa corrida na Áustria, em 2002, quando Rubens Barrichello deixou passar Michael Schumacher na última curva entregando de bandeja a vitória ao então seu companheiro de equipa na Ferrari. E foi a marca italiana que, passados oito anos, repetiu a “dose”. Felipe Massa liderava desde o início e parecia caminhar para o primeiro triunfo do ano quando na 47ª volta ouviu o seu engenheiro de pista informá-lo, via rádio, que Fernando Alonso estava mais rápido do que ele. Rob Smedley falou de forma calma, bem silabada e até sollicitou que o brasileiro confirmasse se tinha, ou não, ouvido a mensagem. Não houve resposta, mas no gancho de Hockenheim, duas voltas mais tarde, Massa abrandou, deixando passar o espanhol. Logo de seguida, a voz do engenheiro voltava às ondas do éter com um simples “desculpe”.
Depois de cortarem a meta, de terem subido ao pódio e festejado a dobradinha, os pilotos da Ferrari e os responsáveis da marca foram chamados aos Comissários Desportivos. Estes mantiveram o resultado mas aplicaram uma multa de 100 mil dólares americanos à Ferrari, anunciando que vão levar o caso a um Conselho Mundial Extraordinário da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para futura análise.
ORDENS DE EQUIPA? PORQUÊ NÃO?

O que dizer de tudo isto? Começo com aquilo que escrevi há oito anos, comentando o que acontecera na Áustria. Claro que aqui há menos verdade desportiva do que seria desejável. Não devia acontecer, mas acaba sendo inevitável. Há muito em jogo num Mundial de F1 e acho perfeitamente normal que as equipas actuem no seu melhor interesse. Neste caso o “lucro” da Ferrari era dar o máximo de pontos a Alonso, recolocando-o ainda mais na luta pelo título (está agora a 34 pontos do líder). Claro que não fica bem ouvir o espanhol dizer no rádio que estar atrás de Massa era “ridículo”. Deveria tê-lo tentando passar no “braço”. Mas ele, melhor que ninguém, saberá o que está escrito no contrato que assinou, ou aquilo que a Ferrari, no seu seio, terá decidido antes da corrida.
Como é que a FIA quer evitar que estas situações aconteçam? Lendo previamente os contratos dos pilotos e impedindo que contenham cláusulas desse tipo? Ou colocar-lhes um chip no cérebro, levando a que quando chamados a tal não acatem ordens daqueles que lhes pagam (principescos) ordenados? Quem assistiu ao penúltimo episódio do famoso programa da BBC, “Top Gear”, teve oportunidade de ouvir Barrichello recordar aquilo que tinha acontecido na pista de A1 Ring, em 2002. O brasileiro disse, preto no branco, que estivera para não aceitar a ordem da Ferrari, mas que acabou por fazê-lo porque sabia ser o correcto. Massa terá tido a mesma compreensão, ainda que ao contrário do seu compatriota não tenha esperado pela última curva da derradeira volta. E no final da corrida, em Hockenheim, Massa foi lacónico… mas suficientemente explicativo. “Não preciso dizer nada. A única coisa que eu sinto é que estamos a trabalhar em equipa. E estamos fazendo um bom trabalho pela equipa. Isso é o mais importante. Todos sabem que eu sou um bom profissional e a decisão de deixá-lo passar foi minha".

Os “fundamentalistas” da verdade desportiva não concordarão com tudo isto. É a opinião deles, com o mesmo direito e a mesma valia da minha, ou do David Coulthard, ex-piloto, consultor da Red Bull e comentarista televisivo que foi o primeiro a admitir aos microfones da BBC que as regras de equipa são perfeitamente justificáveis.
Posto isto, não posso deixar de chamar a atenção para outro facto: se os Comissários não concordaram com a actuação da Ferrari e de alguma forma essa belisca o regulamento, porquê então uma multa e não uma penalização em tempo, ou a exclusão da classificação, a única maneira sancionar pesadamente o “crime”? E o que dizer da desproporção na resposta a uma situação destas quando comparado com os casos de possível “batota” técnica. Porque razão os Comissários Desportivos (e os Técnicos) não “respingaram” da mesma forma célere às muitas alegações de não conformidade regulamentar das asas dianteiras móveis dos Ferrari e Red Bull, os dois carros que dominaram os debates na Alemanha? Avanço uma resposta - porque neste último caso são necessárias competências e não apenas uma opinião!

MAIS POLÉMICA QUE CORRIDA
A prova não teve muito mais história para além da polémica. Aliás, foi de uma enorme monotonia. Partindo da pole-position, Sebastian Vettel saiu mal. Na tentativa de fechar a porta ao Ferrari de Alonso, “esqueceu-se” do outro carro pintado de vermelho Vallelunga, guiado por Massa. O brasileiro saltou para o primeiro lugar logo na curva inicial e daí não saiu até à agora famosa ultrapassagem à 49ª das 67 voltas da corrida. A vantagem dos homens da Ferrari solidificou-se quando trocaram de pneus para os mais duros, na 14ª e 15ª voltas. Vettel não teve mais resposta e definitivamente percebeu que o melhor era consolidar o terceiro lugar, enquanto Massa perdeu terreno para Alonso logo após a paragem, para o recuperar de seguida.
Distante, Lewis Hamilton salvou os pontos do quarto posto e com isso a liderança do Mundial de Pilotos. Jenson Button ficou logo a seguir ao seu companheiro de equipa na McLaren-Mercedes, com Mark Webber (6º) a ser a principal desilusão da corrida, não emulando o andamento de Vettel e vendo-se empatado pelo alemão nas contas do Mundial.
As outras posições dos pontos, mas já a uma volta do vencedor, ficaram completas com o Renault de Robert Kubica, os Mercedes de Nico Rosberg e Michael Schumacher, e o russo Vitaly Petrov (Renault).
CLASSIFICAÇÃO FINAL
1.Fernando Alonso (Ferrari), as 67 voltas em 1h28m38.866s; 2. Felipe Massa (Ferrari), a 4.196s; 3. Sebastiean Vettel (Red Bull-Renault), a 5.121s; 4. Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), a 6.896s; 5. Jenson Button (McLaren-Mercedes), a 29.482s; 6. Mark Webber (Red Bull-Renault), a 43.606s; 7. Robert Kubica (Renault), a 1 volta; 8. Nico Rosberg (Mercedes), a 1 volta; 9. Michael Schumacher (Mercedes), a 1 volta; 10. Vitaly Petrov (Renault), a 1 volta.
CAMPEONATOS
Pilotos: 1. Hamilton, 157 pontos; 2. Button, 143; 3. Vettel e Webber, 136; 5. Alonso, 123; 6. Rosberg, 94; 7. Kubica, 89; 8. Massa, 85; 9. Schumacher, 38; 10. Sutil, 35. 17 pilotos classificados
Construtores: 1. McLaren-Mercedes, 300 pontos; 2. Red Bull-Renault, 272; 3. Ferrari, 208; 4. Mercedes, 132; 5. Renault, 96; 6. Force India-Mercedes, 47; 7. Williams-Cosworth, 31; 8. Sauber-Ferrari, 15; 9. Toro Rosso-Ferrari, 10.










