Fórmula 1
28/06/2010 - 16:06 - Updated 28/06/2010 - 16:09Duas maneiras de “ganhar asas”

Sebastian Vettel venceu o Grande Prémio da Europa e Mark Webber saiu ileso de um impressionante acidente. Duas faces de uma mesma corrida para a equipa Red Bull, que viu os McLaren-Mercedes ocupar os outros lugares do pódio, sendo que o segundo posto de Lewis Hamilton lhe permitiu manter a liderança
Os dois pilotos da Red Bull-Renault voltaram a destacar-se no Grande Prémio (GP) da Europa, a 9ª prova do Mundial de Fórmula 1 (F1) de 2010 disputada no circuito citadino de Valência, em Espanha. Contudo, tiveram sortes diferentes. Sebastian Vettel realizou uma actuação tranquila e venceu a corrida, regressando aos melhores resultados. Já Mark Webber deu nas vistas pela negativa. Sofreu um aparatoso acidente na 10ª volta, quando o seu monolugar tocou na roda posterior direita do Lotus-Cosworth de Heikki Kovalainen e fez jus ao lema da marca de bebidas energéticas que é proprietária da equipa – “ganhou asas”, chegando a estar vertical à pista, para voltar a bater no asfalto com estrondo, capotando depois várias vezes a caminho de um impacte violento com o muro dos pneus. Felizmente, o piloto australiano nada sofreu, em mais um hino à segurança dos actuais F1.
O segundo lugar veio a pertencer a Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), mesmo depois de o inglês ter sido obrigado a cumprir uma punição de “drive-through” (passagem pela linha das boxes) por ter ultrapassado o safety-car quando este estava em pista. Mas, pelo menos salvou a liderança no Mundial de Pilotos, tendo agora seis pontos de vantagem para o seu companheiro de equipa, Jenson Button, que completou o pódio em Valência, e 12 para Vettel.

Rubens Barrichello foi um dos heróis do dia, terminando em quarto, oferecendo à Williams e aos motores Cosworth o melhor resultado em 2010. O outro foi o japonês Kamui Kobayashi, que rodou muitas voltas em terceiro, segurando carros mais rápidos do que o seu Sauber-Ferrari. Após vir à boxe trocar de pneus, manteve o mesmo estilo agressivo e acabou em sétimo, mesmo depois dos Comissários Desportivos terem penalizado nove pilotos por excederem o tempo máximo numa uma volta enquanto o safety-car esteve na pista (Button, Barrichello, Kubica, Sutil, Buemi, De la Rosa, Hulkenberg, Petrov e Liuzzi). Com essa situação, a Ferrari e a Mercedes “minimizaram os estragos” de uma corrida para esquecer que poderá ter comprometido totalmente as chances de os seus pilotos chegarem ao título. Fernando Alonso subiu de nono para oitavo, enquanto Nico Rosberg ganhou dois lugares, ficando em 10º por troca com Pedro de la Rosa e Vitaly Petrov. Felipe Massa teve pior sorte do que Alonso na estratégia que não deu certo da Ferrari e terminou em 14º, na frente de Michael Schumacher (Mercedes), naquele que foi o pior resultado desde o regresso do alemão à F1 (15º).
A HISTÓRIA DA CORRIDA
Na largada, o maior prejudicado foi Webber, que caiu de segundo para nono. Já Vettel, que fizera a Red Bull voltar às pole-position, manteve a primeira posição, mesmo se para tal tenha tido de tocar em Hamilton que, via rádio para a equipa, chegou a pedir que essa reclamasse da manobra do alemão. De seguida, Vettel aumentou o ritmo, abrindo uma boa vantagem. Webber foi o primeiro a parar para trocar de pneus (8ª volta). Só que, duas voltas mais tarde, ao passar Kovalainen, aconteceu o acidente que marcou a corrida.
O safety-car teve de entrar em pista, levando a que vários pilotos viessem de imediato nas boxes. A Ferrari decidiu erradamente esperar mais uma passagem, relegando Alonso e Massa para posições intermédias no pelotão. Pior sorte ainda para Schumacher, que largara em 15º e estava próximo da zona de pontuação. Só veio às boxes duas voltas mais tarde e viu estas fechadas quando regressava à pista. Teve de deixar passar todos os outros, ficando em último.
O cenário da prova mudou com a intervenção do safety-car. Kobayashi, que decidiu não parar, surgiu em terceiro e Barrichello em quinto. No recomeço, Vettel perdeu a liderança por um par de metros para a recuperar logo de seguida. Hamilton veria depois os Comissários Desportivos acabar com as suas chances de lutar pelo triunfo. É que na sequência do acidente de Webber, ao invés de não aguardar e passar logo o safety-car quando este entrou em pista, o inglês titubeou, esperou e resolveu, enfim, ultrapassá-lo. Mas isso aconteceu após a linha que determina a proibição de ultrapassagens… e perante o olhar do “amigo” Alonso, que relatou o caso pelo rádio. A punição foi um “drive-through”. Ainda assim, Hamilton continuou em segundo, aproveitando o facto de Kobayashi vir muito mais atrás, travando o restante pelotão.

Só com a paragem do japonês da Sauber na 53ª volta é que Button subiu ao pódio, seguido de Barrichello, Robert Kubica (Renault) e Adrian Sutil (Force India-Mercedes). Daí até ao final assistiu-se a pouco mais que uma procissão. Para além das ultrapassagens de Kobayashi a Alonso e Sebastien Buemi (Toro Rosso) nas duas últimas voltas, só as penalizações após o final da corrida trouxeram novidades aos 10 primeiros lugares.
A próxima prova do Mundial de F1 ainda não terá “status” de decisiva, mas acontecerá no dia de uma grande final: será a 11 de Julho, no renovado traçado britânico de Silverstone, horas antes de ser conhecido o novo Campeão do Mundo de Futebol.
CLASSIFICAÇÃO FINAL
1.Vettel (Red Bull-Renault); 2. Hamilton (McLaren-Mercedes); 3. Button (McLaren-Mercedes); 4. Barrichello (Williams-Cosworth); 5. Kubica (Renault); 6. Sutil (Force India-Mercedes); 7. Kobayashi (Sauber-Ferrari); 8. Alonso (Ferrari); 9. Buemi (Toro Rosso-Ferrari); 10. Rosberg (Mercedes).
MUNDIAIS
Pilotos - 1. Hamilton, 127 pontos; 2. Button, 121; 3. Vettel, 115; 4. Webber, 103; 5. Alonso, 98; 6. Kubica, 83; 7. Rosberg, 75; 8. Massa, 67; 9. Schumacher, 34; 10. Sutil, 31; 11. Barrichello, 19; 12. Liuzzi, 12; 13. Buemi, 9; 14. Kobayashi, 7; 15. Petrov, 6; 16. Alguersuari, 3; 17. Hulkenberg, 1.
Construtores - 1. McLaren-Mercedes, 248 pontos; 2. Red Bull-Renault, 218; 3. Ferrari, 165; 4. Mercedes, 109; 5. Renault, 89; 6. Force India-Mercedes, 43; 7. Williams-Cosworth, 20; 8. Toro Rosso-Ferrari, 10; 9. Sauber-Ferrari, 7.










