Fórmula 1
31/05/2010 - 13:43 - Updated 02/06/2010 - 12:11Red Bull ajuda Hamilton

As duplas da Red Bull-Renault e da McLaren-Mercedes dominaram o Grande Prémio da Turquia. Lutas interessantes e toques à mistura deram o triunfo a Lewis Hamilton, o primeiro do ano para o inglês.
Olhando para a classificação do Mundial de Fórmula 1, em que os oito primeiros quase cabem dentro dos pontos de uma vitória em Grandes Prémios (25 pontos), pode pensar-se que este é um campeonato verdadeiramente aberto. A realidade em pista foi no entanto outra durante esta sétima prova da temporada.
As duplas da Red Bull-Renault e da McLaren-Mercedes mostraram que estão nesta altura bem distantes das demais equipas, obrigando-as a “trabalhos de casa” suplementares para tornarem os seus monolugares mais competitivos. No final a vitória ficou para Lewis Hamilton, seguido do seu companheiro na McLaren Jenson Button, depois dos dois Red Bull se terem envolvido num toque quando ocupavam as duas primeiras posições.
Nos treinos, Mark Webber obteve a pole-position, terceira consecutiva para a contabilidade pessoal do australiano, mantendo o domínio absoluto da Red Bull nesse exercício em 2010.

A primeira volta foi plena de emoção, com Hamilton, que largara em segundo ao lao de Weber, a deixar-se surpreender por Sebastian Vettel (3º na grelha) na curva 2, para de imediato recuperar o seu lugar duas curvas mais à frente. Também Button foi passado por Michael Schumacher (Mercedes) mas voltou a ultrapassá-lo na curva 12, mantendo o quarto posto.
A partir daí, os quatro pilotos que já haviam dominado os treinos passaram a rodar em “comboio”, ganhando vantagem volta após volta para o restante pelotão. Hamilton tentou mostrar-se várias vezes a Webber. Contudo, nunca conseguiu estar em posição de lhe roubar o comando. Todos ficaram à espera da troca de pneus.
Os dois pilotos da frente pararam em conjunto na 15ª volta, mas Hamilton viu os mecânicos demorarem um pouco mais de tempo. Isso levou a que o britânico caísse para terceiro, sendo passado por Vettel (que tinha parado uma volta antes). O campeão do mundo de 2008, Hamilton, tentou de imediato colocar tudo como estava, mas a manobra na curva 12 fê-lo sair largo e não concretizou os seus intentos. Já Button ficou mais duas passagens em pista até decidir o seu “pit-stop”, só que a opção não o levou a ganhar qualquer posição. Manteve-se em 4º lugar.
ACIDENTE ERA EVITÁVEL
A partir dessa altura, os quatro carros continuaram separados por pouco mais de dois segundos, mantendo a expectativa quanto ao resultado final. A decisão deu-se na 40ª das 58 voltas. Numa altura em que o líder rodava em modo de poupança de gasolina para chegar ao fim, Vettel ficou no cone de aspiração de Webber à saída da curva 11 e colocou-se lado a lado com o companheiro de equipa, mas por dentro, na maior recta do circuito turco. Na aproximação à curva seguinte, o alemão chegou-se um pouco para a direita, só que Webber não facilitou e o toque, que devia ser evitável, não o foi! Vettel mostrou-se convencido de que não foi o culpado pela colisão. "Se virem as imagens, 'tinha' o interior da trajectória, estava na frente, e quando ia concentrar-me na travagem, os nossos carros tocaram-se. Foi o carro dele que tocou na minha roda traseira/direita. Logicamente saí de pista", referiu Vettel, negando que esta situação possa vir a criar mau ambiente na equipa: "Não há problema, pois são coisas que acontecem. Não há nada a fazer agora! Mas como devem calcular não estou contente”, acrescentou. E a partir daqui, nem mais uma palavra sobre o assunto. A equipa obrigou os pilotos a um código de silêncio. Uma coisa é certa: a Red Bull não pode continuar a dar “tiros nos próprios pés” se quiser ser campeã do mundo…
Vettel viu-se obrigado a abandonar com danos na traseira do seu monolugar, mas Webber conseguiu ir à boxe mudar pneus e a asa dianteira do Red Bull. A vantagem sobre Schumacher, o quinto até então, era de tal forma elevada que o australiano regressou à pista no terceiro posto, mantendo-o até ao final.

A decisão da vitória foi asim entregue de bandeja aos pilotos da McLaren. Nas últimas 18 voltas a luta foi ainda “condimentada” por uns pingos de chuva que deixaram a pista algo escorregadia. A nove voltas do fim, Button chegou mesmo a consumar a troca de liderança à entrada da recta da meta… para de imediato ver Hamilton meter por dentro na primeira curva e refazer a vantagem. A partir daí, com o consumo a ser um problema, os pilotos da McLaren receberam ordens para ficar onde estavam.
Com estes resultados, Webber passou a liderar sozinho o Mundial de Pilotos, cinco pontos da frente de Button. Hamilton é terceiro a nove e Vettel caiu para quinto, a 15 pontos do companheiro de equipa. Nos construtores, a segunda dobradinha da McLaren-Mercedes (e a terceira vitória do ano) deixou a equipa no comando dessa tabela com um ponto de vantagem sobre a Red Bull.
Quanto aos demais, Schumacher voltou a bater Nico Rosberg dando continuidade ao ascendente dentro da Mercedes que começou em Espanha, enquanto Robert Kubica tudo tentou para passar os carros da marca alemã não tendo êxito. Mesmo assim, o melhor Renault ficou à frente dos Ferrari de Felipe Massa e Fernando Alonso, uma vez mais aquém da performance desejada. Referência para o primeiro ponto do ano da Sauber-Ferrari graças ao japonês Kamui Kobayashi (10º).
A próxima etapa do Mundial de Fórmula 1 marca o regresso do Canadá ao Mundial de Fórmula 1. A prova terá lugar no circuito de Montreal, de 11 a 13 de Junho.
CLASSIFICAÇÃO FINAL
1. Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes), as 58 voltas em 1h28m47.620s; 2. Jenson Button (McLaren-Mercedes), a 2.645s; 3. Mark Webber (Red Bull-Renault), a 24.285s; 4. Michael Schumacher (Mercedes), a 31.110s; 5. Nico Rosberg (Mercedes), a 32.266s; 6. Robert Kubica (Renault), a 32.824s; 7. Felipe Massa (Ferrari), a 36.635s; 8. Fernando Alonso (Ferrari), a 46.544s; 9. Adrian Sutil (Force India-Mercedes), a 49.029s; 10. Kamui Kobayashi (Sauber-Ferrari), a 1m05.650s.
MUNDIAIS
Pilotos: 1. Webber, 93 pontos; 2. Button, 88; 3. Hamilton, 84; 4. Alonso, 79; 5. Vettel, 78; 6. Massa e Kubica, 67; 8. Rosberg, 66; 9. Schumacher, 34; 10. Sutil, 22; 11. Liuzzi, 10; 12. Barrichello, 7; 13. Petrov, 6; 14. Alguersuari, 3; 15. Hulkenberg, Buemi e Kobayashi, 1.
Construtores: 1. McLaren-Mercedes, 172 pontos; 2. Red Bull-Renault, 171; 3. Ferrari, 146; 4. Mercedes, 100; 5. Renault, 73; 6. Force India-Mercedes, 32; 7. Williams-Cosworth, 8; 8. Toro Rosso-Ferrari, 4; 9. Sauber-Ferrari, 1.










