Fórmula 1
19/04/2010 - 13:42Button, o Estratega!

Jenson Button voltou a vencer à chuva. Tal como na Austrália, a pista molhada, uma estratégia perfeita e muito bom ritmo ajudaram o inglês da McLaren-Mercedes a ser o primeiro a repetir vitórias no Mundial de Fórmula 1, impondo-se no Grande Prémio da China.
Em Melbourne, no segundo Grande Prémio da temporada 2010 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 (F1), a estratégia certeira da equipa McLaren-Mercedes tinha permitido a Jenson Button um triunfo que poucos esperavam. Em Xangai, pista chinesa que regressou ao calendário depois de um ano de interregno, a situação repetiu-se. Tudo isto, numa corrida que, mais até que a prova australiana, foi marcada pela chuva, levando os pilotos a várias paragens nas boxes para “calçarem” os pneus tidos como ideais para as constantes alterações de aderência do asfalto.
A vantagem foi por inteiro para a McLaren. Para além do triunfo de Button que o deixou no comando do Mundial, conseguiu levar Lewis Hamilton ao segundo lugar. Uma dobradinha que a equipa de Ron Dennis não obtinha deste 2007.
A chuva foi a protagonista de uma corrida algo caótica, com a grande maioria dos pilotos a trocar de pneus quatro vezes. E foi aí que Button jogou o “trunfo” da estratégia, parando apenas duas vezes. A primeira vinda às boxes acabou por ser decisiva. Montando slicks no carro do campeão do mundo quando os restantes (menos Nico Rosberg, Robert Kubica e Vitaly Petrov) optaram por intermédios, a equipa evitou Button voltasse a parar algumas voltas depois. Nem mesmo a segunda entrada em pista do safety-car, levando a que Button perdesse a vantagem adquirida, pôs em perigo um triunfo que o inglês qualificou como o “melhor da minha carreira na F1. Claro que a táctica foi importante, mas mostrámos igualmente grande velocidade. No final da prova cheguei a ser um a dois segundos mais rápido que os demais pilotos”.
Lewis Hamilton optou pela mais convencional táctica de quatro paragens. Como tal não teve hipótese de lutar com o seu companheiro de equipa, tendo de se contentar com o segundo lugar e adiando uma vez mais o primeiro triunfo em 2010.

ROSBERG SEMPRE MELHOR QUE SCHUMACHER
O pódio ficou completo com o Mercedes de Nico Rosberg, o segundo consecutivo para o alemão da Mercedes, uma vez mais a levar a melhor sobre Michael Schumacher. Ao mesmo tempo, ascendeu ao segundo lugar do Mundial, com 50 pontos, menos dez que o líder.
Já o sete vezes campeão do mundo quedou-se pela 10ª posição, sendo o primeiro a admitir que “quase tudo me correu mal durante o fim-de-semana. Há que dar os parabéns à McLaren que realizou um fantástico trabalho, e também ao Nico. Pelo menos um de nós esteve bem. Foi muito difícil perceber as alterações no estado da pista de modo a saber quando devia mudar para pneus de seco. Foi tudo uma nova experiência para mim". Declarações de Schumacher que surpreendem por serem mais ajustadas a um estreante do que a alguém que soma mais de nove dezenas de vitórias em GP.
CLIMA PODE FICAR PESADO NA FERRARI
Fernando Alonso atacou fortemente Rosberg no final da corrida, mas não conseguiu subir ao pódio, quedando-se pelo 4º lugar. O espanhol realizou uma bela recuperação depois de ter feito falsa partida e sido penalizado com uma passagem pela linha de boxes. O piloto da Ferrari não se irritou. Mostrou grande agressividade, tendo como ponto alto a ultrapassagem ao colega Felipe Massa na zona de entrada para as boxes. Um “momento forte” que poderá ter consequências no relacionamento futuro entre os dois pilotos. "A posição que perdi nessa altura, fez-me depois ceder mais três lugares porque fiquei à espera de trocar de pneus ", queixava-se Massa, que na manobra arriscada de Alonso teve mesmo de colocar o F60 fora do asfalto para evitar o toque. "Tudo o que fizesse ali poderia criar um acidente, o que não queria, pois pensei na equipa. Não estou zangado, mas vou ficar atento e conversar com ele", referiu ainda o brasileiro.
Fernando Alonso defendeu-se: "Se não fosse o meu companheiro de equipa a polémica seria bem menor. Foi uma manobra normalíssima e definitivamente não vai comprometer a nossa relação".

RED BULL DESILUDEM
Os Red Bull foram outra das desilusões do dia. Sebastian Vettel hipotecou a hipótese de vitória ao optar muito cedo por pneus de chuva, vindo a acabar apenas em sexto. Mark Webber quedou-se pelo oitavo lugar devido a uma estratégia ainda menos conseguida, e por ser o principal prejudicado de uma tentativa de ultrapassagem muito nos limites de Vettel a Hamilton. O australiano teve de sair de pista para evitar um toque em ambos.
Os Renault, pelo contrário, estiveram bem tacticamente. Kubica fez uma corrida quase decalcada em Button e acabou no quinto posto, enquanto Vitaly Petrov realizou uma ponta final digna de grande aplauso, ultrapassando Schumacher, Massa e Webber para com o sétimo posto marcar os primeiros pontos de um piloto russo na F1.
CLASSIFICAÇÃO FINAL
1. Button (McLaren-Mercedes), as 56 voltas em 1h44m42.163s; 2. Hamilton (McLaren-Mercedes), a 1.530s; 3. Rosberg (Mercedes), a 9.484s; 4. Alonso (Ferrari), a 11.869s; 5. Kubica (Renault), a 22.213s; 6. Vettel (Red Bull-Renault), a 33.310s; 7. Petrov (Renault), a 47.600s; 8. Webber (Red Bull-Renault), a 52.172s; 9. Massa (Ferrari), a 57.796s; 10. Schumacher (Mercedes), a 1:01.749s.
CAMPEONATOS
Pilotos: 1. Button, 60 pontos; 2. Rosberg, 50; 3. Alonso, 49; 4. Hamilton 49; 5. Vettel, 45; 6. Massa, 41; 7. Kubica, 40; 8. Webber, 28; 9. Sutil e Schumacher, 10; 11. Liuzzi, 8; 12. Petrov, 6; 13. Barrichello, 5; 14. Alguersuari, 2; 15. Hulkenberg, 1.
Construtores: 1. McLaren-Mercedes, 109 pontos; 2. Ferrari, 90; 3. Red Bull-Renault, 73; 4. Mercedes, 60; 5. Renault, 46; 6. Force India-Mercedes, 18; 7. Williams-Cosworth, 6; 8. Toro Rosso-Ferrari, 2.










