Fórmula 1
12/12/2009 - 17:27Quem ganha com o regresso de Schumi?

Os boatos são cada vez mais e maiores: a imprensa alemã jura a pés juntos que Michael Schumacher vai fazer uma pausa na reforma para correr pela Mercedes. Quem ganha com este extraordinário regresso?
Michael Schumacher tornou-se um ídolo maior em Itália do que na Alemanha. Até aprendeu a falar italiano para se sentir mais perto do coração dos «tifosi» e converteu-se num símbolo que precisa estar no muro das boxes com uma camisola da Ferrari. Basta estar. Até nem precisa fazer mais nada.
Pois o maior talento da história recente da Fórmula 1 está, aparentemente, a preparar-se para trocar o muro das boxes pelo... cockpit de um Mercedes (que comprou a Brawn GP durante o defeso). A imprensa alemã garante que é verdade, mas a porta-voz do piloto recusa comentar. De todo-poderoso e amado como talismã da Scuderia, Schumi pode passar a rival. Quem ganha com isto?
A MERCEDES? – SIM

É uma etapa nova no departamento de competição da marca de Estugarda. Depois de mais de uma década ligada à McLaren, com tudo o que de bom e de errado que isso representou – os títulos mundiais pelo lado positivo, um mega-escândalo de espionagem a que o nome Mercedes ficou inusitadamente associado como exemplo do lado negro – a estrela de três pontas aventura-se sozinha, com o seu próprio dinheiro, e precisa de garantias de sucesso. Ter a dupla Schumacher/Brawn, que vale sete títulos mundiais, parece uma excelente apólice de seguro.
O PRÓPRIO MICHAEL SCHUMACHER? – PROVAVELMENTE
A História da F1 não é particularmente favorável aos «great comebacks». Nigel Mansell saiu e voltou, mas nunca ao nível a que estava habituado quando estava na dominante Williams. Jacques Villeneuve teve uns quantos períodos sabáticos e, sempre que regressou, esteve perto de ser um desastre. Talvez a excepção que confirma qualquer regra seja Niki Lauda, que parou e aceitou voltar para ser campeão. Pois Schumacher tem consciência dos riscos que corre e, seguramente, não aceitaria fazê-lo por menos: com Ross Brawn a trabalhar para ele e com um cheque de sete milhões de euros por um ano. Pagar-se-á o triplo do seu peso em ouro, embora suspeitemos que do dinheiro não seja a alavanca decisiva.
A FERRARI? – NÃO
O pior que poderia acontecer à debilitada Scuderia seria ter um rival como Michael Schumacher no ano em que garantiu, finalmente, Fernando Alonso. Ainda que a reedição das rivalidades antigas com o alemão possam ajudar a «espicaçar» o espanhol, acreditamos que a Ferrari não está – nem perto, sequer – no nível poderoso a que esteve quando Schumacher vestia de vermelho. Pressão para os homens de Maranello, que têm que provar que são capazes de vencer sem Schumacher e contra Schumacher; pressão para Alonso, que finalmente chega à equipa italiana no ano em que o melhor piloto dos últimos 15 anos está a trabalhar com a equipa que ganhou no ano passado.
A SAÚDE DE MICHAEL SCHUMACHER? – N ÃO

Quando Felipe Massa entrou em convalescença, após o acidente na Hungria, uma hipótese apenas foi considerada pela Ferrari: trazer Schumacher de volta. Uma decisão de última hora e uma cervical debilitada obrigaram Stefano Domenicali a contratar dois pilotos para completar a época, sem a mínima garantia que eles os poderiam ajudar a conseguir resultados. Schumacher teve uma queda de moto que o deixou em condição duvidosa para voltar a suportar 3g de força no pescoço de cinco em cinco segundos. Os médicos desaconselham-no a voltar. Ele não faz caso.
TODOS NÓS? – DE CERTEZA
Schumacher espirra e dá uma notícia. Schumacher será o alvo de todas as câmaras no momento em que resolver voltar a correr. Schumacher terá mais minutos de TV por Grande Prémio, mesmo que só esteja a lutar por um ponto (e atenção que vão passar a dar pontos até ao 10º). Quem tem dúvidas do impacto mediático que uma operação destas vai ter? Ganha a comunicação social, ganham os patrocinadores, ganha a Fórmula 1 enquanto desporto e espectáculo e, em última análise – obviamente a mais importante – ganham os adeptos.










