Fórmula 1
06/10/2009 - 16:05Milagre ainda possível para Vettel

Sebastian Vettel domina o Grande Prémio do Japão e continua a acreditar no milagre do título.
Para quem viu a corrida à hora de Moçambique, manter os olhos abertos talvez tenha sido difícil… a não ser com uma grande dose de café! O Grande Prémio do Japão, a antepenúltima prova do Mundial de Fórmula 1, que marcou o regressou do fantástico circuito de Suzuka ao campeonato, foi demasiado soporífero. No final, Sebastien Vettel, que já tinha dominado nos treinos, garantiu uma vitória que apenas pode ter um adjectivo – tranquila. O alemão da Red Bull dominou desde a largada. Com mais gasolina no seu carro que os mais directos perseguidores, Vettel cimentou a vantagem no reabastecimento inicial, acabando por garantir o terceiro triunfo do ano (quarto da carreira). O único susto aconteceu na 44ª volta quando o safety-car entrou em pista devido ao despiste do espanhol Jaime Alguersuari (Toro Rosso) na saída da famosa curva 130R. A vantagem acumulada desapareceu. No recomeço, Vettel tirou partido de ter o Renault de Romain Grosjean entre o seu monolugar e do Toyota de Jarno Trulli para rapidamente “cavar um fosso” de alguns segundos que se revelaram mais do que suficientes.
Com este resultado, Vettel fez com que o milagre do título se mantivesse acesso, ainda que seja necessário chamar todas as divindades, pois com 16 pontos de atraso e vinte em liça não se pode dizer que seja tarefa fácil.

Na caminhada para campeão, Jenson Button continua a levar vantagem, pese embora os nove pontos cedidos a Vettel em Suzuka. Para o inglês da Brawn GP, a corrida japonesa não foi fácil. As contas começaram a correr menos bem com a penalização de cinco lugares na grelha, atribuída por não ter respeitado as bandeiras amarelas durante a qualificação. Partindo de 10º, Button só recuperou até ao oitavo lugar. Com o Brawn, que nunca se mostrou verdadeiramente capaz, era difícil melhor.
Ainda assim, o líder do campeonato do mundo não fez uma má operação, pois o principal rival, o seu companheiro Rubens Barrichello, só terminou uma posição mais à frente. O brasileiro “roubou” apenas um ponto a Button, tendo agora 14 de atraso. Isso significa que a Button basta um quinto lugar em Interlagos para se sagrar pela primeira vez Campeão do Mundo, mesmo que Barrichello ganhe a corrida onde joga verdadeiramente em casa. Ou, de outra maneira, o inglês precisa apenas de dois sétimos lugares nos dois últimos Grandes Prémios para arrecadar o ceptro. No papel, parece que pelo quinto ano consecutivo será a pista paulista a decidir o Mundial de Pilotos. No que respeita ao título de construtores, falta apenas meio ponto à Brawn para o conseguir logo na temporada de estreia na F1 – feito inédito!
TRULLI BATE HAMILTON

Atrás de Vettel, a táctica foi determinante na luta pela segunda posição entre Jarno Trulli e Lewis Hamilton. O italiano foi batido pelo KERS do McLaren na partida. A partir daí, os dois nunca estiveram separados por mais de três segundos. Hamilton manteve a posição no primeiro reabastecimento, mas Trulli parou duas voltas mais tarde no segundo e resolveu a questão a seu favor. Mais um pódio para a Toyota, para mais em casa, e com apenas um carro, pois Timo Glock teve um aparatoso acidente nos treinos e não foi autorizado a alinhar à partida.
No final, Hamilton ainda teve que se haver com o Ferrari de Kimi Raikkonen depois de perder a vantagem com a entrada do Safety-Car. O monolugar italiano mostrou-se algo lento na fase inicial, mas funcionou muito bem com os pneus mais macios, permitindo ao finlandês levar a melhor sobre Nick Heidfeld (BMW Sauber). E só por pouco não destronou Hamilton do pódio, tanto mais que o sistema KERS do McLaren não estava a funcionar na perfeição.
Nico Rosberg, outro dos penalizados na grelha de partida (caiu de terceiro para sétimo) apostou num longo primeiro turno. Táctica inteligente que levou o piloto da Williams a terminar na frente de Heidfeld.
ALONSO NA FERRARI EM 2010
Como se esperava, a Ferrari anunciou a contratação de Fernando Alonso para o lugar de Kimi Raikkonen. O espanhol concretiza um sonho de criança, tornando-se no primeiro piloto a conseguir tripular todos os carros das equipas mais competitivas da última década – McLaren, Renault e Ferrari. Felipe Massa deverá ser seu companheiro de equipa, sendo que o brasileiro vai fazer dentro em breve um teste com um Ferrari de 2007 para aquilatar da recuperação, ao nível da visão, desde o acidente na Hungria.
Quanto a Raikkonen, ou ruma à McLaren, ou pode mesmo dar corpo a uma paixão não tão recente quanto isso pelos ralis.
Outra dúvida quase resolvida é a de Robert Kubica. O polaco, que foi pupilo da Renault nas fórmulas de promoção, deve regressar à marca francesa no próximo ano. A Toyota ainda tentou a sua sorte, sendo que os japoneses foram os primeiros a admitir em Suzuka que essa era uma “batalha” perdida.
CLASSIFICAÇÃO FINAL
1. Vettel (Red Bull-Renault), as 53 voltas em 1h28m20.443s; 2. Trulli (Toyota), a 4.877s; 3. Hamilton (McLaren-Mercedes), a 6.472s; 4. Raikkonen (Ferrari), a 7.940; 5. Rosberg (Williams-Toyota), a 8.793s; 6. Heidfeld (BMW Sauber), a 9.509s; 7. Barrichello (Brawn-Mercedes), a 10.641s; 8. Button (Brawn-Mercedes), a 11.474s; 9. Kubica (BMW Sauber), a 11.777s; 10. Alonso (Renault), a 13.065s.
MUNDIAIS
Pilotos - 1. Button, 85 pontos; 2. Barrichello 71; 3. Vettel 69; 4. Webber 51.5; 5. Raikkonen 45; 6. Hamilton 43; 7. Rosberg 34.5; 8. Trulli 30.5; 9. Alonso 26; 10. Glock 24; 11. Kovalainen 22; 12. Massa 22; 13. Heidfeld 15; 14. Kubica 9; 15. Fisichella 8; 16. Sutil 5; 17. Buemi 3; 18. Bourdais 2.
Construtores - 1. Brawn-Mercedes 156 pontos; 2. Red Bull-Renault 120.5; 3. Ferrari 67; 4. McLaren-Mercedes 65; 5. Toyota 54.5; 6. Williams-Toyota 34.5; 7. Renault 26; 8. BMW Sauber 24; 9. Force India-Mercedes 13; 10. Toro Rosso-Ferrari 5.










