Futebol
28/01/2010 - 19:22CAN: Gana e Egipto jogam a final

Egipto foi mais forte e goleou a Argélia por 4-0. Na terceira final consecutiva, os Faraós vão encontrar o Gana, que derrotou uma Nigéria que voltou a desiludir.
O Egipto-Argélia das meias-finais da CAN 2010 é o perfeito exemplo que ajuda a explicar porque os Faraós são a grande potência dominadora da última década do futebol africano.
A equipa de Hasan Shehata esteve perfeita dentro de campo e fora dele, porque nem sempre as vitórias dentro de campo são as mais importantes. Os campeões ganham em toda a linha e este conjunto de jogadores soube comportar-se à altura da ocasião e prestigiou dessa forma o futebol africano. Por outro lado, os argelinos foram uma sombra de si mesmos, perderam por culpa própria e acima de tudo deixaram no relvado a sensação de que estávamos perante uma equipa sem controlo, que perde a cabeça quando a pressão psicológica se eleva até níveis elevados.
Três expulsões, duas delas na sequência de lances em que a intenção era atingir o adversário, não se admitem a uma equipa que vai representar África no Mundial. Se a isto juntarmos uma cabeçada do guarda-redes Chaouchi ao árbitro, que foi punida com um cartão amarelo, fica tudo dito quanto à atitude dos jogadores argelinos esta noite.

A TRAIÇÃO DE HALLICHE
O jogo começou a decidir-se aos 38 minutos, quando após um corte defeituoso de Halliche, o mesmo jogador tentou rectificar, mas na tentativa de cortar um lance de perigo cometeu penálti, vendo na sequência desse lance o segundo cartão amarelo. A jogar com 10, a Argélia viu Hosny fazer o 1-0 mesmo na saída para os balneários.
No regresso, os magrebinos voltaram com vontade de empatar o jogo e um livre de Yebda obrigou El-Hadary a defesa apertada. Esse foi o último suspiro da Argélia no jogo, já que pouco depois Mohamed Zidan arrancou para a jogada mais espectacular do encontro, fintando tudo e todos, para concluir o lance com um remate indefensável para o guarda-redes argelino.
O 2-0 fez as Raposas do Deserto perderem a cabeça por completo e aí começou o festival de entradas violentas, que o Árbitro foi punindo com severidade. Primeiro foi Belhadj e depois Chaouchi, enquanto pelo meio os egípcios trocavam a bola e davam show em Benguela. Abdelshafi e Gedo ainda acrescentaram mais dois golos ao placar, fechando as contas do encontro em 4-0. Destaque para mais um golo de Gedo, suplente de luxo deste Egipto e que se colocou na liderança dos melhores marcadores com 4 golos apontados.
O Egipto ganhou, goleou e deu uma lição de futebol e profissionalismo à Argélia, vingando assim a derrota sofrida na caminhada para o Mundial da África do Sul. A ausência da maior prova do futebol mundial vai marcar para sempre esta geração de ouro dos Faraós, que dominam em África, mas nunca foram testados à escala global.
GANA NA FINAL 18 ANOS DEPOIS

Tinha que ser Gyan. O avançado do Rennes tinha feito o golo vitorioso frente a Angola e na meia-final voltou a ser o homem-golo do Gana, decidindo um encontro muito morno, longe da emoção que se espera desta fase da competição mais importante de África.
Gana e Nigéria procuravam uma final da qual já há muito estavam afastados, os ganeses desde 1992 e os nigerianos desde 2000, e talvez por isso as oportunidades de golo escassearam, com as equipas a optarem por privilegiar a marcação defensiva e a meio-campo, em detrimento de grandes movimentações ofensivas.
Ainda assim foram da Nigéria os primeiros sinais de relativo perigo, mas a defesa ganesa teve em Isaac Vorsah um gigante que resolveu tudo o que lhe foi posto à frente, e no centro do terreno um jovem de grande talento chamado Agyemang Badu, que está a fazer esquecer a ausência de Michael Essien, e que neste encontro tratou a bola com requinte, mas sem medo de meter o pé e ajudar o sector mais recuado.
O segredo deste Gana está na solidariedade com que se apresenta em campo e pela eficácia. Não é uma equipa muito ofensiva, mas desenvolve bem o contra-ataque e hoje foi feliz no aproveitamento de uma bola parada. O lance que decidiu o encontro surgiu de um canto marcado ao primeiro poste e de uma excelente cabeçada de Gyan, que se antecipou aos centrais, fazendo o seu terceiro golo na prova.
Do outro lado, a Nigéria tinha dificuldades já conhecidas, especialmente ao nível da criatividade a meio-campo, pelo que mais uma vez viveu das investidas de Odemwingie e Martins (hoje titular no lugar de Yakubu). Uma das conclusões que já se pode retirar desta CAN é que a Nigéria está muito distante da geração do Mundial de 1994 e dos Jogos Olímpicos de 1996 e apesar de ter atingido as meias-finais nunca convenceu. O futebol é previsível, desinteressante e nada cativante para os adeptos, por isso e pela onda de contestação de que já era alvo antes do início da Taça das Nações, Shaibu Amodu é cada vez mais um homem a prazo no comando técnico das Super Águias.
O Gana chega à final justamente, ainda que hoje talvez tenha feito uma exibição pouco vistosa, mas competente, que chegou para derrotar uma Nigéria que é uma sombra do passado.










