Futebol
24/01/2010 - 23:05CAN: O eclipse de Angola... e da Costa do Marfim

Balde de água fria! Asamoah Gyan foi o carrasco de Angola e apurou o Gana para as meias-finais. A Argélia eliminou a Costa do Marfim no prolongamento (3-2).
Foi um dia impróprio para os corações mais susceptíveis. Os dias que antecederam o Angola-Gana foram vividos com grande expectativa e da parte do povo anfitrião havia um sentimento de enorme confiança em que este seria o ano dos Palancas e que finalmente a barreira dos quartos de final seria ultrapassada.
Mas o destino assim não quis. Naquela que foi a exibição menos conseguida dos angolanos, um golo de Asamoah Gyan aos 16 minutos deitou por terra as aspirações de uma equipa que até então tinha apresentado sempre um futebol de alto nível, que prometia coisas boas aos adeptos.
Costuma dizer-se que a fase de grupos é muito diferente dos jogos a eliminar e a verdade é que o Gana soube estar em campo, anulando os flancos de Angola, com Mabiná e Djalma anulados boa parte do tempo pela defesa ganesa, e dando conta de Manucho e de Flávio, que estiveram menos em jogo do que habitualmente.
Apesar do golo muito cedo, Angola recompôs-se e veio para cima da baliza de Kingson, que foi negando o golo a Manucho, o grande responsável pela manutenção do empate até final. O avançado do Valladolid falhou três ocasiões claras de golo e poderia ter levado o encontro para um prolongamento merecido, mas era dia da bola não entrar na baliza do Gana.
Ficou a ideia de que Angola poderia ter dado mais do que deu e que esta é uma oportunidade perdida para atingir a final que era tão desejada, já que o desafio seguinte será com o vencedor do Nigéria-Zâmbia, duas equipas ao alcance dos Palancas Negras. Quem beneficia com tudo isto é o Gana, que com uma equipa jovem e sem as suas figuras principais já está a apenas um passo do jogo decisivo.
ARGÉLIA ELIMINA OS SONHOS DE UMA GERAÇÃO

Ainda não será desta que Drogba, Kolo Touré e outras grandes figuras do futebol da Costa do Marfim vão ter a oportunidade de conquistar a Taça das Nações Africanas. A geração de ouro dos Elefantes sabia que esta seria uma das últimas chances (Drogba, por exemplo, terá 34 anos) para brilhar na CAN, mas o que não estava nos planos era uma Argélia que qual Fénix, renasceu das cinzas e escreveu mais um capitulo no pesadelo dos costa marfinenses contra nações do Norte de África.
Desde a final perdida em 2006, à meia-final de 2008, em ambos os casos com a Costa do Marfim a ser derrotada pelo Egipto, que da parte dos Elefantes havia uma enorme vontade de vencer, que desta vez não foi suficiente. Os números mostram isso sim, que esta é uma geração em declínio e que nesta edição nem sequer foi além dos quartos de final.
A partida frente à Argélia mostrou o melhor e o pior dos Elefantes. Kalou marcou logo aos 4 minutos, mas a resposta dos magrebinos chegou ainda antes do intervalo por Matmour, numa primeira demonstração da força mental da Argélia. O segundo tempo foi um hino ao futebol, com perigo nas duas balizas, mas o melhor estava guardado para os minutos finais. Aos 89 minutos Kader Keita (que entrou para o lugar de Kalou) mandou uma bomba à baliza de Chaouchi e pensou-se que estava encontrado o vencedor, mas a sorte voltou a proteger a audácia dos argelinos, que colocaram o defesa Bougherra a jogar no ataque e no desespero dos últimos instantes conseguiram mesmo chegar ao golo depois de uma cabeçada do defesa.
O jogo foi então para prolongamento, onde pela primeira vez a Argélia se colocou no comando do marcador em mais um golo de cabeça, desta vez por Bouazza, num lance em que a defesa da Costa do Marfim ficou a ver jogar, revelando debilidades defensivas que podem ser aproveitadas por Portugal, no próximo Campeonato do Mundo.

A partir daí o jogo partiu-se (ainda mais) e o cansaço originou situações de perigo iminente em ambas as balizas. A displicência dos avançados argelinos evitou que o resultado se avolumasse, mas aos 121 minutos aconteceu o caso do jogo. Kolo Touré isolou-se e fez o golo do empate, prontamente anulado pelo assistente do árbitro da partida por alegado fora de jogo, uma decisão que as repetições demonstraram ser errada, já que no momento do passe, o mais velho dos irmãos Touré estava em linha e por isso ficou por validar um golo que levaria a decisão para as grandes penalidades.
Grande vitória da Argélia, que derrotou um dos principais favoritos à conquista desta CAN e que nas meias-finais vai ter o vencedor do Egipto-Camarões, naquela que poderá ser uma reedição do escaldante duelo que animou o final do ano passado, quando os argelinos derrotaram os Faraós a caminho do Mundial da África do Sul.










