Futebol
20/01/2012 - 22:34 - Updated 23/01/2012 - 13:20Grupo C: A análise de Paulo Dias Pedro

Ex-adjunto de Paulo Duarte no Burkina Faso, Paulo Dias Pedro analisa o Grupo C e as possibilidades de Gabão, Marrocos, Tunísia e Níger.
Este será provavelmente o grupo mais difícil de fazer previsões. Se excluirmos o modesto Níger, os restantes vem com ambições para esta prova. Tunísia, Marrocos e Gabão são equipas que se podem equivaler.
Se Marrocos é ligeiramente favorito (está num grande momento de forma e recheada de bons valores), a Tunísia não anda muito longe e tem igualmente argumentos que lhe permitirão discutir todos os jogos. E o Gabão vem consolidando a sua equipa há vários anos e com o factor caso do seu lado pode reduzir as diferenças para os seus adversários.
NÍGER
Num grupo de qualificação com Egipto e África do Sul a sua presença no CAN é desde já um feito memorável e impensável há uns meses atrás.
A sua capacidade de estar num torneio destes é para já uma incógnita. Sem história nem estatuto o Níger apresenta-se como uma das equipas mais frágeis neste torneio, tendo como referência a sua tradicional abnegação que, quando joga em casa cria normalmente grandes problemas aos seus adversários em casa em contraste com alguma fragilidade revelada fora de portas.
EQUIPA
Com jogadores de nível mediano e algo limitados tecnicamente, a grande força desta equipa está na atitude e abnegação que os jogadores colocam em campo. São muito combativos e disputam cada lance com enorme vigor e voluntariedade, o que perante adversários que tenham uma atitude mais passivo pode colocar algumas dificuldades.
No mais a equipa organiza-se em contenção, privilegiando os aspectos defensivos com a equipa em bloco baixo e muito compacto e procurando depois explorar a velocidade dos jogadores da linha em contra-ataque.
FIGURAS
Kassaly Doe, guarda-redes muito experiente e um dos esteios da equipa. Koffi Koa é dos jogadores mais capazes da equipa. Forte na contenção pode jogar como central ou médio defensivo. Idrissa Louali / Karim Lancina: Titularíssmos no centro do terreno
GABÃO
O país anfitrião procura explorar o factor casa na sua quinta participação na CAN, onde nunca foi além dos quartos-de-final (1996). Gernot Rohr foi o técnico escolhido após quatro anos de liderança de Alain Giresse, técnico que trouxe organização, intensidade e ambição à equipa nacional.
Equipa com muito poucas alterações face ao CAN 2010, excepção feita a quatro jovens que foram incorporados no grupo depois do Gabão ter conquistado o título africano de sub-23, um feito inédito no futebol do país e que prova a evolução progressiva e a estabilidade que fazem da selecção sénior
FIGURAS
Pierre Aubameyang é uma jovem esperança do futebol gabonês. Já joga ao mais alto nível em França (St. Ettiene) e vem em boa forma para a fase final, pelo que terá um papel importante no ataque ou mesmo se for utilizado na ala esquerda. Tem a provar o talento que todos lhe apontam e que não conseguiu demonstrar na última CAN.
Daniel Cousin é escolha frequente no onze e a referência internacional da equipa. Na baliza estará o capitão de equipa, Didier Ovono, um guarda-redes capaz de 89 minutos brilhantes e numa desconcentração dar erros incríveis. Treinei-o quando estive no Le Mans com o Paulo Duarte e, embora não seja mau entre os postes, custou-nos alguns pontos.
TUNÍSIA
Apurou-se no último minuto e com ajuda do Chade, que empatou com o Malawi aos 93 minutos, resultado que colocou a Tunísia na fase final. Depois de um mau início, a entrada de Sami Trabelsi levou a equipa dos 7 pontos em 5 jogos para uma caminhada difícil mas bem sucedida até ao CAN.
Equipa nem sempre manteve no apuramento uma estrutura base, nem sequer no modelo de jogo que pode variar entre o 4x3x3 e o 4x4x2. Ainda assim, conserva uma boa organização táctica (em especial no capítulo defensivo). A experiência vai permitir-lhe discutir a passagem à próxima fase.
FIGURAS
O único incontestado na defesa tem sido Boussaidi, lateral direito experiente. De resto verificam-se mudanças no quarteto mais recuado. Com um meio-campo onde Korbi, Traoui e Darragui foram os mais utilizados, este último pode vir a ser sacrificado caso o treinador opte por colocar mais um homem no apoio ao ponta de lança. No ataque não haveria dúvidas quanto à preponderância de Jemaa, que é pedra chave na equipa, mas uma lesão do jogador do Auxerre vai obrigar Trabelsi a encontrar um novo homem-golo provavelmente para toda a fase de grupos.
MARROCOS
Apontado por muito como um candidato a vencer a CAN, Marrocos está de regresso após não se ter apurado em 2010. Eric Gerets mudou o rosto da equipa que vem com vontade e ambição renovada. A passagem aos quartos-de-final já seria positivo, no entanto, pode não ser suficiente para os adeptos.
Embora sem fazer um percurso brilhante (dois empates com a República Central Africana) teve o mérito de não falhar nos momentos decisivos. Abaria por vencer o Grupo 4, onde estava a Argélia, selecção que foi ao Mundial 2010 e que na última CAN atingiu as meias-finais.
No geral a equipa tem mantido alguma estabilidade com jogadores-chave em todos os sectores e adoptando o 4x3x3 como modelo habitual (invertendo o triângulo do meio-campo).
FIGURAS
Claramente as grandes figuras estão no ataque. Chamakh é o líder desta geração de jogadores, ele que é um homem de área de grande potencial, qualidade técnica e instinto goleador. Ganha relativamente a Hadji em termos de entrega ao jogo. O avançado do Rennes denota alguma displicência por vezes e isso transforma-o num jogador inconstante e claramente aquém daquilo que poderia fazer. No meio-campo, Kharja é um elemento crucial.
Dos jogadores jovens a seguir o destaque vai para o central Benatia (Udinese) e o médio-ofensivo Taarabt (QPR). Ambos jogam em campeonatos competitivos e intensos como o inglês e o italiano.
Em relação às opções de Gerets na qualificação e à lista de 23 convocados finais não há ausências de vulto.










