Wtcc
29/06/2010 - 17:14 - Updated 29/06/2010 - 17:49“Quero ser campeão do mundo!”

A poucos dias daquela que pode ser a mais importante prova do WTCC 2010, Tiago Monteiro respondeu às questões do Eurosport.
Tiago Monteiro quer sair de Portimão com (pelo menos) mais uma vitória no WTCC, a somar às duas que garantiu desde que se estreou na disciplina em 2007… e ao mesmo tempo alcançar o maior número de pontos com vista a manter acesa a chama de poder lutar pelo título no Mundial de Pilotos.
Nesta entrevista ao jeito de pergunta/resposta ficámos a saber o que vai na alma do piloto nascido no Porto, que tem um objectivo para os tempos mais próximos: continuar no WTCC e ser campeão do mundo numa disciplina onde já conseguiu 193 pontos (é o 11º absoluto nessa tabela), conquistou uma pole e três voltas mais rápidas, para além de ter liderado 31 voltas.
Estão ultrapassadas as quatro primeiras jornadas do ano. Zero vitórias, mas dois pódios, e o segundo lugar no campeonato entre os pilotos da Seat. Que balanço faz até aqui? E o que é que a temporada 2010 ainda tem para oferecer?
“O balanço é extremamente positivo tendo em conta que as condições da equipa este ano são bastante distintas de anos anteriores. Temos sabido gerir bem as coisas. Tem sido o melhor início de campeonato para mim até agora. Daqui para a frente, é muito difícil prever. Sem evoluções este ano, não sei como nos vamos comparar com a concorrência. E também é preciso ver que daqui para a frente há bastantes circuitos favoráveis aos BMW...”.
O budget da Seat é mais curto para 2010. Como é que se resolve a questão, sobretudo em termos de meios de desenvolvimento do carro? Está parado… também porque este ser o último ano do actual regulamento?
“Temos feito uma óptima gestão de todo o material que temos à disposição. E essa gestão tem dado os seus frutos. De facto não vai haver desenvolvimento, não por ser o último ano do regulamento (a BMW e Chevrolet não param de testar...), mas sim por razões financeiras”.
“NÃO MENOSPREZAMOS NINGUÉM”

A concorrência é a mesma, mas sente-se que hoje em dia o perigo maior é a Chevrolet e não tanto a BMW? Concorda?
“Ambas as marcas são adversários a ter em conta. Não menosprezamos ninguém. Porém, é uma realidade que a Chevrolet tem surpreendido bastante. Eles fizeram um grande investimento financeiro no desenvolvimento do carro, e foi a equipa que mais testou este Inverno. A contratação de Yvan Muller também veio dar outra motivação dentro da equipa. Ter um dos melhores pilotos do mundo como colega de equipa fez “acordar” o Robert Huff e o Alain Menu...”.
Onde está a vantagem do Seat? Visto de dentro do carro, volante nas mãos, onde é que um piloto dos Leon TDI sabe que pode fazer a diferença face à concorrência?
“O nosso carro tem um enorme potencial, pese embora em algumas pistas saibamos de antemão que os Leon TDI se adaptam melhor. As travagens e acelerações à saída de curvas lentas e curtas são os nossos pontos fortes. As curvas de média velocidade, mas sobretudo onde há longos apoios, são pelo contrário as grandes dificuldades para a nossa tracção a frente. Mas, a principal diferença faz-se com a capacidade do piloto em gerir as adversidades e a forma como responde com rapidez a todas as situações”.
“QUEM TEM HIPÓTESE DE VENCER… ARRISCA!”
Todos falam da regularidade como a chave para se ser campeão no WTCC. Mas com as novas pontuações ganhar passa a ser igualmente importante. Sente que os pilotos estão a arriscar mais este ano para chegar ao lugar mais alto do pódio? Será essa a explicação por apenas três pilotos terem conseguido triunfos e dois deles já terem feito o “tri”?

“Não há nenhum piloto que entre em pista que não pense em vencer. Porém, nem sempre as situações são propícias e muitas vezes a regularidade é efectivamente o mais importante. Penso que qualquer piloto que sinta que tem hipóteses de vencer, arrisca. Mas tem de ser um risco moderado, porque não se pode deitar tudo a perder. Penso que os vencedores até aqui têm conseguido triunfos justos. Mas ganhar depende sempre de muitos factores e oportunidades”.
O que mudou para si com a saída de cena a nível oficial da Seat e no seu caso também da Oreca?
“A Oreca só fornecia mecânicos e estrutura física. Todo o trabalho era feito pela Seat Sport. Não há diferença para nós. A única diferença que se sente nesta altura é a falta de budget para poder testar e desenvolver o carro. E vai ser assim até ao final do ano. Não é novidade nem surpresa, sabíamos todos que ia ser assim desde o momento em que assinámos os contratos”.
“TEMOS DE TRABALHAR EM PROL DO TODO”
Será que se pode revelar o que está combinado entre os pilotos Seat e o Juan Orus quando à questão do título? Até onde se mantém tudo em aberto e quando é todos passam a remar para ajudar apenas um candidato?
“Somos uma equipa e temos de trabalhar em prol do todo. Enquanto todos tivermos hipóteses de lutar pelo título, todos lutarão. Quando assim deixar de acontecer, é uma decisão que a equipa terá de tomar e que acredito todos os pilotos a aceitarão… porque faz parte!”.

É interessante olhar para as idades dos pilotos mais competitivos do campeonato e perceber que o Tiago e o Augusto Farfus são dos mais novos. O campeão em título (Tarquini) tem 48 anos. Como se explica a longevidade dos pilotos nas provas de carros de turismo?
“O que acontece no WTCC acontece também em outros campeonatos. Penso que a longevidade na competição está na cabeça de cada um e na preparação que cada um tem. A vantagem dos turismos em geral (WTCC, DTM, até mesmo GT) terá a ver com o facto de o esforço físico ser menor em comparação a monolugares. E os reflexos também são ligeiramente menos importantes. Por isso, um piloto bem preparado e com excelente forma física pode aguentar até bem perto dos 50 anos ao mais alto nível de competição. E depois, com essa idade, vem obviamente a experiencia e respeito dos outros pilotos!”.









