Ciclismo
09/09/2010 - 01:57 - Updated 09/09/2010 - 02:32Diário de Manuel Cardoso

Frio em Andorra foi minimizado com o apoio dos emigrantes. Manuel Cardoso analisa a vitória de Igor Anton e o provável adeus de Denis Menchov à luta pela geral.
DIA 12 - Hoje tivemos uma saída rápida, mas o ritmo endureceu sobretudo na parte final, quando a Rabobank acelerou bastante a corrida, de tal forma que até o Denis Menchov cedeu. Nestas subidas acontecem sempre situações semelhantes. Embora a passagem de hoje não tenha sido decisiva em termos de definir o vencedor final, já que não tem rampas com inclinações como existem em outras montanhas, acaba sempre por deixar alguns dos favoritos de fora, como se verificou.
A etapa de hoje teve um grande nível e foi espectacular de ver. Já tive oportunidade de ver um pequeno resumo e devo dizer que não compreendo por vezes o argumento de que esta edição tem um cartaz mais fraco do que em outro anos. É certo que falta o Contador, mas de resto temos o pódio da Volta a França, além de estarem aqui presentes os melhores sprinters do mundo.
ANTON FORTE, MOSQUERA FANTÁSTICO
Hoje o Igor Anton mostrou que está muito forte, mas devo dizer que fiquei encantado com o espectáculo que o Mosquera deu na montanha. Foi ele que partiu o grupo todo na subida e só quem estava muito bem conseguiu manter-se perto dos dois primeiros, tal como aconteceu com o Nibali, que se defendeu bem. De resto destaco o Tondo, que continua a fazer uma boa Vuelta, e o Rodriguez, que apesar de ter ficado a pé no final soube manter-se à tona.
Ainda falta muita corrida, temos as passagens nos Lagos de Covadonga, a sempre difícil chegada a Toledo e a inexplorada Bola del Mundo, por isso há muita coisa a decidir.
PERNAS DORIDAS, MAS ESPÍRITO EM ALTA
Amanhã temos uma montanha logo no início da etapa, por creio que mesmo que o grupo se parta na subida, há espaço para que o pelotão se venha a reagrupar mais à frente, o que indica que é dia para os sprinters. Por isso mesmo acredito que a Columbia deve ir para a frente assumir as despesas da etapa e preparar o sprint para o Cavendish, que ainda não ganhou.
Eu estou bem, embora com as pernas doridas, mas isso não serve de desculpa, já que um pouco por todo o pelotão esse é o estado dos meus companheiros. Em termos de dias de descanso tudo é novo para mim, já que na Volta a Portugal descansávamos a cada cinco dias de prova, enquanto na Vuelta o fazemos a cada 9. Esta tem sido uma experiência importante, é uma grande Volta, com etapas longas (hoje tivemos 208 km!) e tudo isso contribui para que vá melhorando enquanto ciclista.
Fecho este capítulo com duas notas. A primeira vai para o frio que se fez sentir na subida para Andorra, que rondava os 9/10 graus, isto depois de termos vindo a sofrer com o calor dias a fio. A segunda tem a ver com o elevado número de portugueses que vi ao longo de todo o percurso e que independentemente de saberem que eu ia no pelotão não se cansavam de gritar e de incentivar... em português. Foi bonito de ver e de ouvir.










