Ciclismo
31/08/2010 - 13:17 - Updated 01/09/2010 - 14:24Morreu Laurent Fignon

Vencedor do Tour em 1983 e 1984 faleceu na sequência de um cancro no pâncreas, contra o qual lutava desde 2009. Relembre a carreira de Laurent Fignon.
Descoberto por Cyrille Guimard, antiga estrela e posteriormente um dos directores desportivos marcantes do ciclismo francês, Laurent Fignon estreou-se enquanto profissional, pela Renault-Elf-Gitane, em 1982.
Logo na estreia este francês loiro, com óculos e cabelo apanhado, venceu o Criterium Internacional e um ano mais tarde surpreendeu tudo e todos ao conquistar o Tour de France com apenas 22 anos.
Laurent Fignon ganharia também o Giro de Itália em 1989, tal como a Clássica Milan-San Remo em duas ocasiões (1988 e 1989) e ainda a Fléche Wallone, assumindo-se como um dos homens de referência de uma época marcante para o ciclismo internacional.

8 MALDITOS SEGUNDOS
Caso curioso na história do ciclismo, Fignon tornou-se mais conhecido e acarinhado pelo público francês depois de uma das derrotas mais dramáticas da história do Tour, ao invés de ser recordado como vencedor da Grande Boucle em duas ocasiões (1983 e 1984).
Na edição de 1989, o francês partiu para o contra-relógio final nos Campos Elíseos com 50 segundos de vantagem sobre o americano Greg LeMond, que apareceu de capacete aerodinâmico para a etapa. Esse factor ajudou LeMond a vencer com 58 segundos de vantagem sobre Fignon, que perdeu pela margem mais reduzida alguma vez registada no Tour.
Depois desse ano, Fignon nunca mais foi o mesmo ciclista e fustigado por lesões decidiu terminar a carreira em 1993, depois de uma última vitória na Ruta Mexico, enquanto atleta da equipa Gatorade. Ainda esteve envolvido na organização do Paris-Nice, até a prova ser comprada pela ASO, tendo mais tarde aberto um centro de treino para ciclista nos Pirinéus.

O PROFESSOR
Conhecido no pelotão como "O Professor", o ciclista francês publicou em 2009 o livro "Nous étions jeunes et insouciants" ("Nós éramos jovens e inconscientes"), onde reconheceu publicamente o uso de anfetaminas e cortisona durante a sua carreira profissional, sem no entanto nunca relacionar este facto com outro revelado na mesma obra, o flagelo do cancro no pâncreas.
Ainda que a sua luta contra a doença fosse pública, Fignon nunca deixou de ter um papel activo no ciclismo, tendo sido consultor do Tour nas edições de 2009 e 2010.










