Ciclismo
25/07/2010 - 01:59 - Updated 25/07/2010 - 02:35Diário de Sérgio Paulinho

O último capítulo do Diário tem a análise ao Tour, a festa da RadioShack e o último dia de Lance Armstrong enquanto ciclista. Na despedida de Sérgio Paulinho, não perca as novidades dos bastidores do final do Tour.
DIA 21 - Embora tenha sido a última etapa em que algo estava por decidir em relação à classificação geral, não foi um dia de descompressão, isto porque estava muito vento, quer lateral, quer de frente. Tentei dar o meu melhor, mas sendo o percurso totalmente plano não me favoreceu, pelo que tive alguma dificuldade em desenvolver os andamentos.
A luta entre o Contador e o Schleck acabou por se decidir com 39 segundos de diferença, a mesma vantagem que o Alberto tinha ganho quando atacou durante o salto da corrente do Andy, por isso muitas pessoas irão apontar esse dia como tendo sido decisivo, esquecendo-se que logo à 2ª etapa o Schleck poderia ter perdido mais de oito minutos caso o pelotão não tivesse esperado por ele. Acabou como tinha que acabar, ou seja, com polémica, tal como o resto do Tour.
CHAVE ESTEVE NA POSIÇÃO AERODINÂMICA
Ainda assim acho que o contra-relógio de hoje foi uma batalha que ninguém esperava, na qual o Andy deu uma réplica excelente e durante alguns momentos semeou a dúvida não só em mim, mas em toda a gente que via a etapa, sobre se iria ou não conseguir um grande choque e bater o Contador onde ele é teoricamente mais forte. O Alberto não esteve hoje tão forte como noutros anos, o que também se verificou na montanha. Na minha opinião o luxemburguês perde este Tour devido à posição aerodinâmica que tem sobre a bicicleta, já que essa foi para mim a chave do contra-relógio.
Acima de tudo o Andy ainda tem que melhorar no que diz respeito ao contra-relógio, apesar de já ter demonstrado que está muito melhor do que no passado. O problema não esteve na montanha, já que aí esteve tão ou mais forte do que o Contador.
O DOCE REGRESSO A PARIS
A etapa de amanhã só vai começar verdadeiramente quando entrar nos Campos Elíseos, já que até lá é um passeio autêntico. Voltar a Paris é sempre emocionante, especialmente no meu caso porque será o regresso a um local onde já por duas ocasiões tive a oportunidade de subir ao pódio, que é uma sensação que só compreenderá quem tiver passado pelo mesmo. Confesso que da primeira vez que estive lá no alto e olhei cá para baixo fiquei com pele de galinha.
Este ano terei o prazer de estar novamente no pódio e mais uma vez devido à classificação colectiva. Por si só isso já seria um factor de orgulho, mas fazê-lo no dia em que se retira o Lance Armstrong torna as coisas ainda mais especiais, já que quando se revirem as fotos desse momento, eu serei um dos ciclistas que está ao lado dele. Temos por isso uma surpresa preparada para amanhã durante a etapa, mas não posso revelar pormenores, é como dizem os americano: top-secret!
Tenho agora também oportunidade de olhar para trás e analisar este Tour, como aliás já fui fazendo ao longo dos últimos dias. As coisas não nos correram bem, isso é um facto, mas se me dissessem antes de vir para cá que o ponto alto da RadioShack no Tour seria uma vitória minha, obviamente não acreditaria. A verdade é que o destino quis que assim fosse e por isso estou orgulhoso por tudo o que conseguimos, relembrando que este foi ano de estreia da equipa a este nível, pelo que os patrocinadores certamente estarão contentes.
E por falar em patrocinadores, a noite de amanhã será passada num jantar com eles, mas também com as famílias e todos os membros da equipa, pelo que esta será a última página do Diário. Ainda assim posso adiantar-vos que não vai haver uma churrascada à moda do Texas, com o Lance aos comandos do grelhador, mas sim uma espécie de festa à americana com cocktail e buffet de frios, seguido de jantar (estilo casamento), para dar tempo para todos conversarem entre si.
Resta-me agradecer a todos os que diariamente passaram por aqui para conferir as novidades e deixar um abraço a todos os leitores do Eurosport, à companhia de quem espero regressar para a terceira edição do Diário do Sérgio Paulinho no ano que vem. Ouvi dizer que na Vuelta haverá um espaço semelhante, mas escrito pelo Manuel Cardoso, por isso não percam a oportunidade de conhecer os bastidores de mais uma grande Volta. Até para o ano!










