Ciclismo
23/07/2010 - 21:59 - Updated 24/07/2010 - 00:17Diário de Sérgio Paulinho

Etapa para colocar a conversa em dia e descansar as pernas depois da passagem pelos Pirinéus e de mais de dois mil quilómetros de prova. Saiba com quem e sobre o que falou Sérgio Paulinho!
DIA 20 - Hoje foi um dia em que não se passou absolutamente nada relevante!!! Foi uma etapa tranquila em que deu para descansar e acima de tudo para por a conversa em dia. Fartei-me de conversar com antigos colegas como o Benjamin Nozal, o Alberto Contador e o Luis Leon Sanchez. Normalmente aproveitamos para falar sobre tudo menos ciclismo, são coisas meramente pessoais como novidades da família e quem vamos ter à nossa espera em Paris, enfim, assuntos triviais.
Claro que de vez em quando lá abordamos alguns temas da actualidade e agora que estamos em final de época fala-se sempre do futuro e com o Luis Leon Sanchez conversamos sobre equipas, ele disse que gostaria de contar comigo um dia; eu também gosto dele, mas de momento tenho uma excelente equipa, enfim, nunca se sabe. Ele seria um reforço interessante para a RadioShack, mas parece que já está fora do mercado porque pelos vistos já andou a conversar com outra equipa e por essa razão não pode ser opção para nós. Infelizmente não posso divulgar aqui o destino do Luis, mas fica a nota.
Aproveitei também para trocar algumas ideias com o Carlos Sastre, ele que ontem se recusou a parar quando o Contador lhe foi dizer que o Sanchez tinha caído. Não falámos sobre essa atitude em particular, mas pelo que conheço do Sastre posso garantir que se há um ciclista insatisfeito com as polémicas que se têm verificado este ano no pelotão é ele. Nunca houve tanta polémica como este ano e não faço ideia porquê.
Olhando para trás vejo que as coisas começaram em Spa, quando o Cancellara fez tudo para que o pelotão esperasse pelo Andy Schleck, mas na etapa seguinte ninguém esperou pelo Lance quando ele caiu. Depois houve o ataque do Contador ao Schleck durante a falha mecânica e por isso deixou de haver critério. Afinal espera-se por quem e em que situações? Eu sou apologista de que só se deve esperar pelo líder, quando este tem algum azar. Parece que estou a ir contra o que defendi no caso do Armstrong, mas a verdade é que só defendo que o pelotão devia ter esperado por ele por duas razões: primeiro porque antes tinham esperado pelo Schleck no dia anterior e segundo porque é o Lance, e merece o nosso respeito.
CONSEQUÊNCIAS VIERAM PARA FICAR
Na nossa equipa essas situações levam a que de agora em diante ninguém espera por ninguém. E mesmo a corrida ficou influenciada, veja-se o caso do Thor Hushovd, que podia já ter a camisola verde ganha se tivesse ido ao sprint em Spa. O Andy Schleck também beneficiou com isso porque no mesmo dia podia ter ficado a 6/7 minutos dos favoritos e nesta altura estaria a lutar pelo pódio apenas, deixando o Sanchez e o Menchov na luta com o Contador.
Acima de tudo creio que foi um Tour atípico e que espero não se volte a repetir, pelo menos em termos de ambiente no pelotão.
Resta-me o contra-relógio de amanhã e depois a chegada a Paris, vamos ver o que consigo fazer na próxima etapa. Tudo o que seja terminar já me deixa satisfeito!










