Ciclismo
14/07/2010 - 13:17 - Updated 14/07/2010 - 13:37Vídeo: Corta-mato de Armstrong

O ano era 2003 e a queda foi de Joseba Beloki. Arsmtrong desviou-se e o resto é história. Recupere um dos momentos mais dramáticos da história do ciclismo.
A edição de 2003 do Tour de France ficou marcada por algumas quedas, mas o momento que fica na memória é o acidente de Joseba Beloki da 9ª etapa, numa ligação em plenos Alpes entre Le Bourg-d'Oisans e Gap.
O local onde hoje termina a 10ª etapa foi palco de uma cena dramática e com consequências terríveis para o ciclista basco da Once. Nesse dia terrível de Julho, Beloki viu o pneu traseiro da sua bicicleta ceder devido ao calor excessivo que elevou a temperatura da estrada para 50 graus centígrados e projectá-lo para o solo numa descida acentuada e quando circulava a alta velocidade. O então homem da Once-Eroski, 2º da geral a 40 segundos de Lance Armstrong, sofreu uma dupla fractura do fémur, para além de ter partido o cotovelo e o pulso, contando nesse momento com o auxílio precioso de José Azevedo, que ficou no chão a dar-lhe os primeiros socorros.
Lance Armstrong vinha mesmo atrás do ciclista basco e quase caía também, a alternativa foi fazer um desvio pelo meio da terra, que não resultou numa queda espectacular por sorte e devido à perícia que o americano demonstrou. Essa foi uma etapa que acabaria com triunfo de Alexander Vinokourov, isto num ano em que Armstrong voltaria a vencer o Tour, com 1:01 de vantagem sobre o seu grande rival, Jan Ullrich.
Já Beloki acabaria por nunca conseguir regressar ao nível anterior, apesar de ainda ter concluído o Tour em 2005 na 75ª posição, na altura enquanto corredor da Liberty Seguros-Würth, equipa de Manolo Sainz que mais tarde viria a dar origem à Astana.
BELOKI: PENDURAR A BICLETA E CALÇAR AS SAPATILHAS

Afastado do profissionalismo na primeira pessoa, Beloki tem estado ligado à equipa Cafés Baqué como director adjunto e responsável pelo desenvolvimento de jovens talentos. Habituado a viver em cima da bicicleta, o basco nunca pensou certamente que a expressão "ficar a pé", usada no ciclismo para quando alguém não consegue manter o andamento dos primeiros nas etapas de montanha, viesse a ter um sentido literal, como o próprio confessa ao Diário Vasco: "Estou a correr para preparar a maratona de Nova Iorque, que é no mês de Novembro. Treino com o Martín Fiz (antigo campeão do mundo da distância), ou melhor dito, vou com ele até onde posso. Será a primeira maratona em que participo".
Neste aspecto Beloki vai seguir as pisadas de outros ciclistas da sua geração que tentaram a sua sorte na Maratona da Grande Maçã, casos de Lance Armstrong e Michael Boogerd, que já se aventuraram ao longo dos cerca de 42 km da prova.
Curiosamente, Armstrong (38 anos) até é mais velho do que Joseba, mas tem sido protagonista neste seu regresso ao ciclismo, uma situação que o basco nunca contemplou: "O tempo passou por vezes muito rápido e por vezes muito lento. Vejo gente com quem corri e penso que costumava andar com eles. O salto geracional não foi muito rápido e ainda restam no pelotão ciclistas da minha época, mas tudo tem uma época na vida e para mim já passou há algum tempo".
Enquanto não chega a hora do tiro de partida, Joseba Beloki ocupa-se com a sua nova função de cronista em vários meios de comunicação social como a revista Ciclismo a Fundo, o jornal Diário Vasco e a Rádio Euskadi.








