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10/06/2010 - 14:28 - Updated 10/06/2010 - 16:18

"Vencer o Tour? Em breve podemos"


"Podemos vencer o Tour" - CICLISMO
From Official Website

Seleccionador nacional desde 1996, José Poeira fala sem medo do futuro. Coloca um português como potencial candidato ao Tour, diz que este é o ano de Nelson Oliveira e que quer trazer a camisola do arco-íris do Mundial de Geelong, na categoria sub-23.

É o homem responsável por todos os escalões de formação do ciclismo português e, em última instância, uma das figuras da primeira linha na hora das vitórias e das derrotas. José Poeira tem vindo a fazer a ponte entre o amadorismo e o profissionalismo, tendo passado pelas suas mãos alguns dos mais talentosos ciclistas portugueses das duas últimas décadas.

O sucesso das últimas temporadas, com medalhas em Jogos Olímpicos, Mundiais e a colocação de vários jovens em equipas do Pro Tour, são o resultado de um trabalho de fundo que tem vindo a ser desenvolvido e que foi potenciado com o financiamento recebido aquando dessas grandes conquistas.

Um dos reflexos do bom trabalho surgiu na estrutura técnica da Federação com a incorporação de antigos ciclistas e do espanhol Jose Luis Algarra, que entretanto deixou o cargo de director-técnico na Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), para assumiar responsabilidades similares em Espanha em finais de 2008. O modelo de formação português está a ser adaptado por nuestros hermanos e a essa é a maior prova de que foi a opção certa.

A PERIFERIA DA EUROPA

A conversa com José Poeira começa com um esclarecimento de geografia, já que convém não esquecer que Portugal é um "país periférico, longe de tudo, ao contrário dos países da Europa Central, que numa questão de horas têm uma série de possibilidades para correr, nós temos que fazer 2000/3000 quilómetros para ir às provas", explica o seleccionador nacional.

Com o desaparecimento de algumas provas e a diminuição de outras, caso da Volta a Portugal, que baixou de categoria na escala da União Ciclista Internacional, tornou-se fundamental apostar na promoção dos jovens talentos e a melhor montra é a Taça das Nações para os escalões Sub-23 e Junior: "Essa é a grande aposta da FPC, que ao longo dos últimos anos tem vindo a ser presença habitual nas corridas que compõe o calendário da Taça das Nações, eventos em que competem mais de 20 selecções, a maioria com um nível elevado, precisamente o que não há em Portugal. Várias provas nacionais têm vindo a desaparecer, o que proporciona um menor contacto com equipas internacionais e diminui o nível competitivo. É portanto preciso compensar esse déficit", justifica José Poeira.

RUI COSTA E TIAGO MACHADO SÃO EXEMPLOS A SEGUIR

É inegável que o ciclismo português atravessa uma fase de crescimento. Apesar da crise nas equipas e nas organizações de provas, a exportação de talentos está a crescer de ano para ano e 2010 tem-se revelado especialmente importante neste capítulo.

\"Podemos vencer o Tour\" - CICLISMO

Rui Costa está no segundo ano na Caisse d'Epargne, Tiago Machado faz a estreia na RadioShack, tal como Manuel Cardoso na Footon-Servetto - três exemplos de jovens ciclistas que emigraram para equipas do Pro Tour e que estão a dar nas vistas. O seleccionador nacional explica porquê: "Tem havido abertura a corredores talentosos e os resultados obtidos nos últimos anos têm ajudado. A Selecção Nacional é na maioria dos casos o ponto de partida para uma carreira internacional, um dos bons exemplos dessa política é o Rui Costa, que estando na altura ao serviço do Benfica, era com Portugal que dava nas vistas. Ele esteve em grande destaque na vitória da Selecção na Taça das Nações (em 2008), numa prova disputada ao longo de todo a época pelos escalões de Sub-23 e Juniores, já que disputava regularmente os primeiros lugares, aliás, já vinha desde 2007 a conseguir óptimos resultados e essa montra internacional permitiu que a melhor equipa do mundo (Caisse d'Epargne era a formação que liderava na altura o ranking da UCI) reparasse nele e decidisse dar-lhe uma oportunidade".

Mas quando é que se mudou o rumo do ciclimo português? José Poeira recorda que "o essencial era mudar a mentalidade e fazer os atletas acreditarem que são capazes de chegar lá fora, andar na frente e discutir a vitória nas corridas da Taça das Nações, por isso temos vindo a fazer o esforço de estar sempre presentes na Taça das Nações, mesmo na prova do Canadá, que tem elevados custos logísticos. É importante dar-lhes continuidade. Dou-lhe o exemplo do Rafael Reis, um ciclista que teve algumas dificuldades nas primeiras provas e que aos poucos foi melhorando, estando agora em condições de lutar pela vitória. O trabalho desenvolvido faz com que os jovens evoluam enquanto ciclistas e por vezes basta um bom resultado para mudar tudo".

E pelos vistos as coisas não vão ficar por aqui, já que o futuro parece sorrir aos portugueses: "Acima de tudo estou satisfeito porque creio que temos um grupo com qualidade e que vai assegurar o futuro do ciclismo português. Daqui poderão perfeitamente sair atletas como o Rui Costa e o Tiago Machado".

\"Podemos vencer o Tour\" - CICLISMO

"UM PORTUGUÊS A VENCER O TOUR? EU ACREDITO"

Tal como dizia a canção, o seleccionador nacional acredita que deve ser o sonho a comandar a vida e desse modo acredita que é "possível que num futuro a curto/médio prazo um ciclista português venha a discutir a Volta a França. Temos corredores com nível e potencial para o fazerem. O Rui Costa, tal como o Tiago Machado, podem fazê-lo. Falta alguma experiência em provas de três semanas, porque nas de 4/5 dias já estão ao nível dos melhores", basta apenas recordar a fantástica vitória do atleta da Caisse d'Epargne nos Quatro Dias de Dunquerque, em 2009.

Já quanto às equipas nacionais poderem aspirar a um lugar na elite do ciclismo mundial o optimismo desvanece-se: "Creio que estamos cada vez mais longe dado o cenário de crise que atravessamos. Não vejo que possa acontecer num futuro próximo", explica o seleccionador nacional.

PRATA DE PAULINHO FOI O MOMENTO DA DÉCADA

E porque há momentos que nunca se esquecem, José Poeira recorda com especial agrado a medalha obtida por Sérgio Paulinho na prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Para o técnico nacional, este foi o momento da década e explica porquê: "Já se sabe que os Jogos são um evento desportivo com dimensão global. Recordo que foi uma medalha de prata obtida não numa chegada em massa, mas depois de uma fuga de meia hora, em que o Sérgio Paulinho e o Paolo Betini (Itália) se entenderam. No final o Sérgio fez o que tinha a fazer e tentou atacar, mas o Betini estava numa fase da carreira em que batia toda a gente, era o ciclista do momento, o que só veio valorizar a nossa conquista. Felizmente pude viver essa sensação no local".

JOVENS APOSTAS PARA O TOUR

\"Podemos vencer o Tour\" - CICLISMO

E porque estamos a menos de um mês da Volta a França, quem melhor do que um homem habituado a conviver no meio de tantos jovens talentos para apontar um par de nomes a seguir na maior corrida do mundo?

Aqui ficam as sugestões de José Poeira: "Gostava de que o Rui Costa e o Tiago Machado fossem as grandes revelações do Tour deste ano, mas infelizmente parece que o Tiago não vai e do Rui Costa ainda não se sabe bem. No caso de nenhum dos dois ir, há dois ciclistas que aprecio: o francês Anthony Roux (Française des Jeux) e o estónio Rein Taaramäe (Cofidis - na foto)".

E no jogo dos prognósticos valem os dados estatísticos de cada um destes homens. Roux tem 23 anos e deu nas vistas com a vitória na 17ª etapa da Vuelta 2009, tendo já esta temporada conseguido nova vitória, desta feita no Circuit de Lorraine. Quanto a Taaramäe, tem a mesma idade do francês e tem-se revelado especialmente forte nas montanhas e no contra-relógio, registando já esta temporada um 3º lugar na classificação geral da Volta à Catalunha.

Eurosport - Gonçalo Moreira

“Pesquisa Programação” Ex. : Futebol, Champions League, Eurogoals…

 

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