Ciclismo
06/06/2010 - 12:08 - Updated 06/06/2010 - 17:24Vidal Fitas: "Equipa portuguesa no Tour é sonho longínquo"

O Tour está aí à porta e com ele chegam as mais diversas opiniões e prognósticos. Vidal Fitas, director do Palmeiras Resort/Prio/Tavira, é o primeiro convidado do Eurosport para falar sobre a Volta mais importante do Planeta Ciclismo.
Muito se tem discutido sobre a capacidade de Alberto Contador de revalidar o título conquistado em 2009 nas estradas francesas, especialmente após a debandada de boa parte dos membros que compunha a Astana de Johan Bruyneel, que transferiu esses valiosos recursos para a RadioShack.
O cenário não é tão favorável para El Pistolero e são poucos os que pensam que a equipa do Cazaquistão venha a ter capacidade de ditar ritmos de corrida e controlar o pelotão, mas para Vidal Fitas, “Contador tem as mesmas hipóteses do que em 2009 porque a qualidade do ciclista mantém-se e além disso tem mais um ano de experiência na prova, o que é importante. É um facto que a equipa não é tão forte para um líder desta categoria, mas isso pode ser ultrapassado. É o principal favorito, aliás, se ele andar como no ano passado vai ser difícil alguém o conseguir bater”.

Para o director da equipa Palmeiras Resort/Prio/Tavira, a questão não está na falta de uma boa estrutura, “mas na boa forma da concorrência. O Lance Armstrong, pelos seus sete títulos, o Andy Schleck, porque ficou no pódio no ano passado,, e o Ivan Basso, pela vitória no Giro e porque já sabe o que é lutar pela vitória no Tour, são os principais adversários de Contador”.
Num ano em que as equipas se reforçaram de forma interessante e com o surgimento de uma série de formações de enorme qualidade, casos da Sky e da BMC, espera-se que este venha a ser o melhor Tour dos últimos anos, até porque há muitos outsiders: “Sastre, Menchov, Wiggins, Vande Velde, Leon Sanchez são ciclistas que se podem intrometer na luta dos três primeiros, mas os principais favoritos estão um patamar acima. Uma coisa é fazer 4º/5º e não aspirar ao pódio, outra coisa é estar no pódio e aspirar à vitória. Parece uma pequena diferença, mas que a este nível representa a capacidade de poder vencer uma prova como o Tour”, explica Vidal Fitas.
BOM MOMENTO DO CICLISMO NACIONAL

Numa fase da temporada em que tudo indica que Portugal vá conseguir ter o mesmo número de representantes na Volta a França do que no ano passado, quando contou com Rui Costa (Caisse d'Epargne) e Sérgio Paulinho (Astana), falámos com um homem que bem conhece o ciclismo nacional para tentar perceber a que poderão aspirar os portugueses no Tour: “O Sérgio Paulinho (RadioShack) já se sabe ao que vai. Faz um trabalho que é pouco reconhecido visto de fora, mas que dentro da equipa está altamente valorizado. Ele estará numa RadioShack totalmente focada em Armstrong e onde talvez Kloden e Leipheimer venham a ser os únicos com uma pequena margem de manobra, porque de resto o trabalho de cada um está bem definido. Já sobre o Manuel Cardoso (Footon-Servetto), gostaria de o ver ganhar, mas em ano de estreia no Pro Tour será difícil isso acontecer, não que ele não tenha qualidade para tal, mas porque lhe falta equipa para preparar o sprint, que é algo muito técnico e que requer grande experiência. Já será muito bom se ele conseguir entrar na discussão dos metros finais. Obviamente que se puder ganhar melhor, mas acima de tudo creio que este ano deverá ser encarado pelo Manuel como uma aprendizagem, porque no futuro ele terá certamente qualidade para vencer no Tour”.
EQUIPAS PORTUGUESAS NO TOUR? UM SONHO DIFÍCIL DE REALIZAR
País de fervorosos adeptos do ciclismo, Portugal tem vindo a sofrer da falta de equipas na maior prova do ciclismo mundial, situação que vai compensando com a exportação de talentos para equipas do Pro Tour. Mas afinal o que é preciso para colocar uma equipa portuguesa ao mais alto nível? Vidal Fitas explica: “Vejo esse dia muito longe. É necessário muito dinheiro a esse nível, mas claro que trabalhamos com a ambição de lá chegar. Em termos de orçamento as diferenças são abismais, por exemplo, para este ano o Tavira tem cerca de 600 mil euros para abordar a temporada, enquanto a equipa mais barata da Volta a França tem um orçamento de 6 milhões de euros, no mínimo. O problema é o mesmo de sempre – dinheiro – e não é nada fácil convencer os investidores portugueses a apostarem tanto no ciclismo”.

E um dos principais problemas para atrair o tão necessário investimento é a sucessão de casos de doping que têm vindo a público, situações que geram desconfiança e ajudam a afastar os patrocinadores. Para quem está desde sempre ligado ao ciclismo, primeiro como ciclista e desde 2005 como director desportivo, “o doping vende e há quem se aproveite disso. Enquanto o doping der de ganhar a alguém vai sempre estar presente porque é um negócio rentável para quem vende e para quem consome”, esclarece o homem que coordena o destino da equipa algarvia Palmeiras Resort/Prio/Tavira.
Enquanto não consegue levar o Tavira à melhor Volta do mundo, Vidal Fitas concentra-se naquilo em que a sua equipa é mais forte: vencer a Volta a Portugal... outra vez. “Somos claros favoritos e com a qualidade do nosso plantel assumimos a responsabilidade de partir nesta condição. O ano está pensado para lutar pela vitória na Volta a Portugal”, explica o director da equipa que nas duas últimas temporadas dominou a principal prova nacional e que com David Blanco (vencedor em 2009 e 2009) e Cândido Barbosa na equipa se volta a assumir como principal candidata.










