Ciclismo
09/03/2010 - 12:53"Julgados pelo Tour"

Quem é Bradley Wiggins e o que está a fazer para se tornar o primeiro britânico a vencer o Tour? As origens na pista, as transformações físicas e o carácter imperturbável. Conheça o chefe de fila da Sky.
Bradley Wiggins será um dos ciclistas seguidos com maior atenção nesta temporada. O britânico protagonizou a transferência mais “quente” do Verão, quando trocou a Garmin pela recém-formada Sky (já tinha passado por Française des Jeux, Crédit Agricole e Cofidis), isto depois de ter sido ao serviço da equipa de Jonathan Vaughters que passou de ser conhecido como um excelente ciclista de pista, para agora ser reconhecido como um valor a ter em conta nas grandes provas de estrada.
Aos 29 anos, o agora chefe de fila da Sky pretende tornar-se o primeiro ciclista britânico a vencer uma das três grandes Voltas. O último atleta daquela região geográfica a triunfar foi o irlandês Sean Kelly, que em 1988 triunfou na Vuelta, isto depois de outro irlandês, Stephen Roche, ter em 1987 conseguido conquistar a Tripla Coroa (Tour, Giro e Campeonato do Mundo).
OBSTINADO E CIENTÍFICO

Em recentes declarações à revista Procycling e quando questionado sobre a pressão a que está sujeito por parte dos media ingleses, Wiggins reagiu como uma barra de gelo: “Vou fazer como sempre e desligar o telemóvel”.
Mas afinal o que se pode realmente esperar deste novo Bradley Wiggins, 4º classificado do Tour 2009 e um homem que se transformou fisicamente, para do alto do seu 1,90 metros ser agora capaz responder com elegância na montanha?
Para melhor entendermos quem é este ciclista, recuperamos as palavras do próprio ao The Guardian, durante o Tour 2009: “Sempre tive a capacidade física de subir montanhas, mas a grande melhoria para este ano foi a simples perda de peso. Um quilo de peso corporal numa subida de 30 minutos representa 1 minuto de tempo. Ao longo de uma prova de três semanas os números sobem para os 10 minutos e se a isso somarmos as pequenas montanhas e todas as vezes que sprintamos numa curva, estamos a falar de muito tempo e energia gastos”.
Perfeitamente consciente do que era preciso fazer, Wiggins deitou mãos à obra, provando o seu grau de motivação: “No Tour de 2007 estava a subir bastante bem, mas de lá para cá perdi 7 quilos: de 78 para 71. Foram precisos nove meses sem qualquer tipo de dieta extrema. Tive consultas regulares com o nutricionista da equipa Olímpica, Nigel Mitchell, para ter a certeza que estava apenas a queimar gordura e não músculo. Na última consulta o médico disse-me que eu tinha apenas 4% de gordura no corpo, que é o ponto em que começamos a queimar músculo porque já não há mais nada. Não é um estado saudável para se estar, mas é apenas para estas quatro semanas (do Tour). É tudo perfeitamente controlado em termos de timing”, explica o britânico.
2010 COM O TOUR NA MIRA

Já se sabe que a Volta a França é o momento alto do ano no que ao ciclismo de estrada diz respeito. Sabedor da importância do Tour, Bradley Wiggins assumiu por estes dias, numa entrevista à Procycling, que “será por aí que a equipa vai ser julgada” e para que isso aconteça tudo está a ser preparado.
Com um calendário de preparação idêntico ao de 2009, onde a inclusão do Giro é a grande novidade, Wiggins aponta duas grandes diferenças para esta temporada: “Por esta altura, no ano passado, não sabia o que valia. Agora sei e isso significa que grande parte do stress desapareceu. Significa também que não tenho que correr mais Clássicas”.
Para já tudo parece estar a correr bem e o britânico desfaz-se em elogios à nova equipa, responsabilizando o director da Sky, Dave Brailsford pelo eventual sucesso da equipa: “É um homem que ouve o que lhe dizemos, aliás, disse logo desde o início que esta é a nossa equipa. Muitas coisas aqui parecem-me normais, mas outros ciclistas ficaram espantados, parece que existe o senso comum que falta noutras equipas”.
Veremos se dentro de meses o ambiente cor de rosa que hoje se vive na Sky se mantém... o tribunal do Tour será decisivo.










