Ciclismo
16/10/2009 - 16:30Tour: "Contador favorito"

Conhecido o percurso, é tempo de perceber quem sai beneficiado ou prejudicado. O especialista Eurosport em ciclismo, Paulo Martins, explica tudo.
O figurino do Tour 2010 tem traços distintos da edição de 2009, ganha pelo espanhol Alberto Contador. Uma das grandes novidades é a ausência do contra-relógio por equipas, o que desde logo beneficia o australiano Cadel Evans, que na equipa Lotto não tem especialistas nesta matéria, aliás, foi numa etapa do género (4ª etapa) que o actual campeão do mundo "perdeu" a Volta, chegando 2'35'' atrasado face à Astana. O tempo perdido revelou-se decisivo e por isso Evans tem todos os motivos para estar satisfeito com o facto de este ano não haver contra-relógio por equipas.
Outro dos ciclistas que sai muito beneficiado é Andy Schleck, não porque não tenha boa equipa para a prova por equipas, mas porque há este ano menos km de contra-relógio individual do que em 2009. Apesar de estar a melhorar nesta disciplina, Andy ainda tem muito para pedalar até chegar ao nível de Contador, que provou este ano ser capaz de bater o campeão do mundo Fabien Cancellara.
No capítulo das novidades há um pormenor que pode vir a dificultar a vida ao espanhol de Pinto, o facto de este ano não existirem bonificações no final das etapas e por isso Contador não vai ganhar tanto tempo como pretendia nas chegadas ao alto, onde se decidir atacar serão poucos os que poderão seguir na sua roda. Ainda assim ele é o alvo a abater pela concorrência e o grande favorito a renovar o título.
ESPECTÁCULO, MUITO ESPECTÁCULO
A primeira semana do Tour será tudo menos tranquila. A juntar às partes em que o pelotão vai andar sobre o traiçoeiro pavé e em estradas muito estreitas, é preciso não esquecer que entrar em França pelo Norte significa apanhar com o forte vento do Mar do Norte, o que pode originar cortes no pelotão. Neste particular lembramos a etapa 3 do último Tour, na qual Armstrong soube ler a corrida e estar na frente, ao contrário de Contador que foi apanhado num corte e perdeu nesse dia 41 segundos, ficando fragilizado dentro da equipa. Espera-se que logo aí a RadioShack queira colocar o espanhol em dificuldade e ganhar o tempo que podem vir a perder na montanha, onde Contador é quase imbatível.
Na segunda semana acredito que se perceba quem vai estar na luta pela vitória na geral individual e quem não vai lá estar, isto porque teremos os Alpes e as primeiras dificuldades montanhosas, daí que preveja algumas perdas de tempo devido a eventuais quebras físicas, que acontecem todos os anos a alguns dos favoritos.
Para a terceira e última semana estão guardadas 6 etapas de pura adrenalina, ao nível do que o Tour tem para oferecer de melhor. A 16ª etapa é um conjunto de subidas muito duras e que no total somam cerca de 70 km em sentido ascendente, sendo que a inclinação média não baixa dos 5 por cento. Este dia não acaba com chegada ao alto, mas vai sem dúvida deixar os ciclistas de rastos.
Se a 16ª é dura, a 17ª etapa é o dia mais terrível em perspectiva. Depois de quase 3000 km a pedalar, o pelotão terá pela frente um dia em que a meta está colocada na montanha mais mítica dos Pirinéus: o Tourmalet. São 22 km a subir até chegar ao topo e onde provavelmente será coroado o vencedor do Tour 2010. Por tudo isto, considero que esta é a etapa rainha da Volta a França do próximo ano, para a qual se aguarda um grande espectáculo de ciclismo.










