Biatlo
14/04/2009 - 12:34Jovens ao poder!

O Mundial de Biatlo em 2009 mostra que um desporto para atletas maduros pode ser dominado por jovens.

A 47ª edição dos campeonatos mundiais de Biatlo disputa-se de 14 a 22 de Fevereiro, em Pyeong Chang, na Coreia do Sul. Quem tivesse assistido, porém, às primeiras edições do certame e por algum motivo fosse constrangido a não poder seguir o progresso deste desporto dual, que inclui esqui de fundo e tiro, e voltasse agora a olhar para a transmissão televisiva, ficaria estupefacto com as perspectivas que se desenham para Pyeong Chang, impensáveis aquando do arranque dos campeonatos em 1958, na localidade de Saalfelden, na Áustria.
Há várias disciplinas em jogo, e não só a tradicional prova individual de 20km.

As mulheres (que só entraram nos Mundiais a partir de 1984) fazem as mesmíssimas provas que os homens, e apenas com distâncias um pouco mais curtas. Mulheres essas que abandonaram a tradicional pose meiga e familiar com que burguesmente eram retratadas nos anos cinquenta do século passado e andam agora de carabina às costas e são ainda melhores atiradoras que o homens.
Para culminar tudo, num desporto em que se dizia que o topo de gama era atingido com a maturidade, serão dois muito jovens atletas as figuras a seguir com mais atenção na Coreia, a alemã Magdalena Neuner e o norueguês Emil Hegle Svendsen.
NEUNER, A BELA ALEMÃ

Neuner é, talvez, a maior coqueluche do biatlo moderno, aos 22 anos de idade, que cumpre dia 9 de Fevereiro. Quem para ela olhar não dirá que se tratará de uma guerreira: não é nada alta, em especial para uma alemã, com o seu 1,65m, e tem umas belas feições arredondas e, dir-se-ia, angelicais. Mas logo no seu primeiro ano nas seniores e com idade de júnior ganhou três títulos mundiais em Antholz, em Fevereiro de 2007, no sprint, perseguição e estafeta. O ano passado venceu as provas de partida em linha (mass start) e estafeta nos Mundiais de Oestersund, na Suécia, e compensou esse desempenho menos brilhante do que um ano antes com o triunfo global na Taça do Mundo. Esta época tem mantido os mesmos problemas quanto à eficácia a disparar comparativamente com as rivais, e em especial na posição em pé em que a sua (como da maioria) percentagem de acerto é sensivelmente menor do que na posição deitada. Mas voltou aos níveis de rapidez sobre os esquis que a tornam a melhor nesse particular e se falhar apenas um pouco mais do que as suas rivais a atirar é bem capaz de se impor em mais que uma disciplina de novo.

As jovens russas Ekaterina Iourieva (25 anos), corrente líder mundial, e Svetlana Sleptsova (22 anos), anterior líder da Taça do Mundo até meados de Janeiro, a norueguesa Tora Berger e a sua compatriota Kati Wilhelm, a veterana de 32 anos que tem sido a mais completa biatleta da última década, serão as principais rivais de Neuner. Mas muitas surpresas são possíveis, e desejáveis, fazendo do sector feminino porventura a parte mais interessante dos campeonatos.
Como em tantos desportos, as mulheres entraram tarde mas agora estão de pedra e cal e sem elas tudo perderia, pelo menos metade do interesse.
SVENDSEN ENFRENTA BJOERNDALEN

Quanto a Emil Hegle Svendsen, aos 23 anos o norueguês é o corrente líder mundial, após ter ficado o ano passado em terceiro já na classificação global da Taça do Mundo. Em termos de Mundiais Svendsen irrompeu em força o ano transacto em Oestersund, ganhando os títulos nas provas individual e de mass start e sendo segundo com a estafeta nacional. Esta época andou quase sempre pelo pódio nas competições do principal escalão mundial.

A sua disputa fratricida com Ole Einar Bjoerndalen, o lendário melhor biatleta de sempre que aos 35 anos deixou como preocupação principal a Taça do Mundo para agora em Pyeong Chang tentar subir o total de medalhas mundiais e olímpicas das 38 que detém, promete dominar o sector masculino dos campeonatos.

A arbitrá-lo podem estar os alemães, em especial Michael Greis, o triplo campeão olímpico de Turim, os russos, os suecos e os emergentes austríacos, sem esquecer o veterano polaco (35 anos), Tomasz Sikora. Mas na verdade os dois noruegueses fazem a unanimidade dos prognósticos.
UM PROGRAMA VARIADO
São estas as provas que compõem o Campeonato do Mundo de Biatlo:
A disciplina individual, a mais longa de todas (20km para os homens, no dia 17 de Fevereiro, e 15km para as mulheres, no dia 18), com partida separada de 30 segundos entre cada atleta, que é a única em que cada tiro falhado (são 4 situações de tiro, alvos a 50m, diâmetro dos mesmos na posição de deitado de 4,5 cm, na posição em pé de 11,5 cm) implica a agregação automática de um minuto de penalização ao tempo real esquiado.
O sprint, em ambos os sexos realizado dia 14 de Fevereiro, com partida também separada, com 10km para os homens e 7,5km para as mulheres, com duas posições de tiro e em que cada tiro falhado obriga a cumprir 150 m de penalidade extra (como nas restantes disciplinas), o que dilata o tempo global efectuado.
&bullA perseguição, dia 15 de Fevereiro, tanto para homens (12,5 km) como para mulheres (10km), com 4 posições de tiro, que envolve a partida com as diferenças que existiram em termos de tempo entre os atletas qualificados na prova de sprint.
A partida em linha, ou mass start, dia 21 de Fevereiro para os homens (15km), e dia 22 para as mulheres (12,5km), com também 4 posições de tiro e saída simultânea.
As estafetas, a masculina (4x7,5km) dia 22 de Fevereiro, e a feminina (4x6km) dia 21, em que cada atleta tem 2 posições de tiro e dispõe de 3 tiros suplementares para evitar a penalidade de 150m.
&bullE finalmente a estafeta mista (4x6km), dia 19 de Fevereiro, com dois homens e duas mulheres em cada equipa.








