Atletismo
13/08/2009 - 17:59No reino de Lightning Bolt

O Eurosport termina hoje a série de artigos de antecipação dos próximos Mundiais de atletismo de Berlim, com a secção destinada às provas de velocidade, estafetas e barreiras.
Este será o reino de Usain “Lightning” Bolt. Todos os esperam na sequência do triplo título olímpico do jamaicano em Pequim, com três recordes do mundo a coroar a façanha: 9,69s nos 100m, 19,30s nos 200m e 37,10s na estafeta de 4x100m (ver biografia anexa).
Bolt é favorito para ganhar em Berlim as duas provas individuais, pese embora a presença, ao que parece de novo na plena posse dos seus meios, do norte-americano Tyson Gay.

O encontro entre ambos vai ser decerto o ponto mais alto do certame e isto também porque entre ambos não parecem poder interpor-se outros atletas. Pelo menos em relação aos americanos Gay (na foto) é muito claramente superior aos restantes, e no que respeita aos jamaicanos Asafa Powell, que costuma reagir mal quando pressionado, tem-se mostrado distante da forma de pré-campeonato de anos anteriores.
Tyson Gay detém os melhores tempos do ano em ambas disciplinas, 9,77s no hectómetro, com que igualou o seu recorde americano, e 19,58s nos 200m. Mas não tendo havido embates directos entre ele e Bolt, a verdade é que o jamaicano, numa análise diferida, sempre pareceu mais forte, embora a partida tenha sido o seu ponto menos conseguido. Nos 100m tem 9,79s e nos 200m 19,59s e em ambos os casos as condições de tempo eram tão adversas que esses resultados têm de ser considerados intrinsecamente muito superiores aos de Gay.
Tudo pesado, Bolt é mesmo o favorito, e do lado americano também se acredita nisso.
QUEM BATE OS JAMAICANOS?
Quanto à estafeta de 4x100m, o problema da Jamaica, a partir do momento em que se tornou recordista do mundo, será manter a coesão técnica da equipa e evitar as constantes derrapagens - ou seja, eliminações preliminares - que tantas vezes têm acontecido aos americanos. Mas neste particular o embate deverá ser muito equilibrado.

Nos 100 e 200m femininos as jamaicanas parecem também em condições de poderem voltar a dominar no hectómetro. Kerron Stewrt, a vice-campeã olímpica do ano passado, detém a melhor marca do ano com 10,75s e de parceria com a campeã de Pequim Shelly-Ann Fraser (10,88s - na foto) deverá conter as aspirações da melhor americana, Carmelita Jeter (10,92s). Já no duplo hectómetro a campeã em título americana Allyson Felix conseguiu recentemente o melhor resultado do ano com 21,88s, que é o segundo tempo da sua carreira, e será uma adversária muito difícil para a jamaicana Veronica Campbell-Brown.
Nos 4x100m as norte-americanas conseguiram recentemente 41,58s, o tempo mais rápido no mundo dos últimos 12 anos, e merecem favoritismo, mas a Jamaica estará praticamente na mesma linha para chegar ao ouro.

Nos 400m masculinos a disputa será entre os americanos LaShawn Merritt (na foto), o campeão olímpico e líder anual (44,50s), e Jeremy Wariner, o campeão mundial (44,66s). Ao contrário de 2008 ainda não se encontraram directamente, mas à distância Wariner parece menos impressionante que em anos anteriores e Merritt, claramente, ainda não foi forçado a mostrar toda a gama do seu jogo. Daí que o campeão olímpico mereça favoritismo num tira-teimas (houve 4-3 em vitórias para Merritt o ano passado em confrontos directos) dos mais aguardados nos campeonatos.
Nos 400m femininos, livre de problemas de saúde a americana Sanya Richards pode finalmente chegar ao título mundial que já lhe foi mais que prognosticado e que nunca conquistou. Lidera a lista anual com 49,23s e a campeã olímpica e mundial britânica Christine Ohuruogu continua a milhas da encontrar a forma (51,14s). A russa Antonina Krivoshapka, campeã europeia indoor em Março, correu em 49,29s nos campeonatos nacionais e pode ser a maior rival de Richards.
Tanto nos homens como nas mulheres os Estados Unidos são favoritos nas estafetas de 4x400m. Com uma diferença: nos homens só não ganharão se acontecer uma enormidade de qualquer monta, enquanto nas mulheres terão de repartir previsões com uma muito equilibrada equipa russa.

Nos 110m barreiras, sem o chinês Liu Xiang, ninguém parece capaz de parar o recordista mundial cubano Dayron Robles. Mantém-se imbatível em 2009, detém a melhor marca da época com 13,04s e terá uma oposição americana decerto menos forte que o ano passado, privada de homens como David Oliver, por exemplo.
Nos 100m barreiras femininos tudo está muito em aberto. A americana Dawn Harper (12,53s, recorde pessoal igualado) dificilmente reeditará um sucesso como o olímpico face ao nível da concorrência actual, em que a australiana Sally McLellan, líder mundial com 12,50s, parece ter uma pequena margem de vantagem. Atenção às canadianas Priscillla Lopes (12,51s) e Perdita Felicien (12,54s) e às jamaicanas Brigitte Foster (12,57s) e Delloreen Ennis-London (12,60s).
Nos 400m barreiras masculinos os americanos têm dominado totalmente os últimas grandes pódios, mas desta vez o seu quarteto, composto pelo campeão em título Kerron Clement (48,09s), Bershawn Jackson (47,98s), Johnny Dutch (48,18s) e Angelo Taylor (48,30s), terá de ter muito cuidado com o regresso ao mais alto nível do sul-africano Louis van Zyl (47,94s) e sobretudo com o campeão jamaicano Isa Phillips (48,05s).
Já na mesma prova feminina a americana Lashinda Demus, que recentemente obteve a quarta marca de sempre com 52,63s, não muito longe do recorde mundial, é favorita única, até porque a recordista Yuliya Pechenkina renunciou aos Mundiais já depois de ter ganho nos campeonatos russos.










