Atletismo
12/08/2009 - 18:21O mistério Jelimo terá solução positiva ?

O Eurosport continua a fazer a sua antevisão sector a sector dos Mundiais de atletismo de Berlim, que arrancam no próximo sábado 15 de Agosto, com a apreciação do sector do meio fundo e fundo em pista.
Muitas figuras são susceptíveis de brilhar ao mais alto nível no meio fundo e fundo em Berlim, como o americano Bernard Lagat, o etíope Kenenisa Bekele e as etíopes Tirunesh Dibaba ou Meseret Defar, mas a escolha do Eurosport para a figura que pode ser emblemática neste sector recai na queniana Pamela Jelimo.

Esta foi a sensação da época passada, ganhando todas as provas de 800m em que participou, batendo sucessivos recordes mundiais juniores até se apossar da terceira marca de sempre na distância, com 1m54,01s, antes de se sagrar campeã olímpica (ver biografia anexa).
Porém de atleta imbatível, Jelimo passou à mais completa vulgaridade nas primeiras provas de 2009, quando o esperado era exactamente o inverso, e só em Julho regressou um pouco a um nível consentâneo com o que foi o seu, baixando dos 2 minutos, embora muito longe do fulgor do ano passado. Nos campeonatos quenianos de 25 de Julho perdeu, com 1m59,49s, o seu melhor do ano, para a campeã mundial Janeth Jepkosgei.
Como se saldará a misteriosa participação de Pamela Jelimo em Berlim? Irá regressar ao nível de 2008 ou passará ao lado dos seus primeiros Mundiais? Há muitas candidatas a reforçar esta segunda possibilidade, como a própria Jepkosgei, as russas, liderada por Mariya Savinova (1m57,90s), as americanas, com a surpreendente Maggie Vessey (1m57,84s) à fernte, a marroquina Hasna Benhassi, e outras mais.
MEIO-FUNDO: AFRICANOS VS EUROPEUS
Nos 800m masculinos está de regresso à melhor forma o campeão olímpico russo de 2004 Yuriy Borzakovskiy (1m43,58s) e ele pode bem ser o adversário principal dos superjovens africanos, sobretudo do sudanês Abubaker Kaki (1m43,09s) e do queniano David Rudisha (1m43,53s), numa disciplina em que nenhum europeu atingiu o ano passado a final olímpica.

Nos 1500m masculinos tem de se ter em conta que o duplo campeão de Osaca 2007 nesta distância e nos 5000m , o americano Bernard Lagat, irá tentar manter os títulos nas duas provas. Mas parece muito difícil a alguém conseguir bater desta feita a fabulosa tripla queniana liderada pelo campeão olímpico Asbel Kiprop (3m31,20s - na foto) e continuada com o líder anual Augustine Choge (3m29,47s) e Haron Keitany (3m30,20s). Se se encontrar plenamente bem de saúde o português Rui Silva pode ser um factor importante, sobretudo numa corrida táctica.
No lado feminino o embate nos 1500m deverá ser tripartido entre a campeã mundial em título Maryam Jamal, do Barain, que é a melhor do ano (3m56,55s), a etíope Gelete Burka (3m58,79) e russa Anna Alminova (3m58,38s), embora pareça que esta tem menos capacidade de mudança de andamento que as duas primeiras.
DOMÍNIO ETÍOPE

O etíope Kenenisa Bekele (na foto) parece querer dobrar participações em 5000m e 10000m, e assim será incondicional favorito para repetir o duplo triunfo olímpico, afastada que está a crise que de início de temporada. Na légua, a par do americano Lagat, Bekele (líder anual com 12m56,23s) deverá temer sobretudo o queniano Eliud Kipchoge (12m56,46s), já campeão mundial em 2003 e um tacticista perfeito. Na dupla légua Bekele nunca perdeu em toda a carreira e de facto não se vislumbra que lhe venha para já a estragar esta contabilidade.
Nestas duas distâncias femininas vamos ter um domínio quase certo das etíopes sobre as quenianas - e todas as outras - e poderá bem assistir-se a um duplo embate entre Tirunesh Dibaba e Meseert Defar. Dibaba perdeu a primeira prova da légua que fez este ano mas recentemente no Crystal Palace de Londres demonstrou estar plenamente bem, ao obter a melhor marca do ano con 14m33,65s. Defar tem 14m36,38s e não se encontra nada convencida da superioridade da colega e rival. Na dupla légua Defar correu nos campeonatos britânicos em 29m59,20s, segunda merca do ano atrás da sua compatriota Meselech Melkamu (29m53,80s) e mostra-se capaz de dar luta a uma Dibaba que ainda não fez a distância esta época.
UM FRANCÊS NO MEIO DOS QUENIANOS
Nos 3000m obstáculos masculinos poderemos estar à beira de uma mudança internacional drástica. Pela primeira vez em muitos anos os quenianos não são incondicionais favoritos, face à evolução do vice-campeão olímpico francês Mahiedine Mekhissi-Benabbad, que já correu em 8m06,98s e parece ter reservas para muito melhor. Ezekiel Kemboi é o líder anual com 7m58,85s, porém, e para além de Paul Koech (8m01,72s) o Quénia ainda terá no notável finalizador Brimin Kipruto (8m03,17s) um outro grande trunfo.
Na mesma distância feminina aguarda-se pela superioridade da recordista mundial russa Gulnara Galkina (9m11,58s), embora os progressos da veterana espanhola Marta Domínguez (9m09,39s, líder anual) possam augurar um final diferente dos Jogos Olímpicos quando a atleta de Palencia caiu exausta na última volta do percurso que daria o título e o recorde (8m58,81s) à russa.










