Atletismo
16/08/2009 - 19:35Nelson Évora à procura da tripla coroa seguida

Há dois anos poucos esperavam que Nelson Évora consumasse de forma completa, apenas aos 23 anos de idade, a transição tantas vezes difícil – ou impossível – entre um grande atleta dos escalões jovens e outro da mesma dimensão nos seniores.
O seu primeiro título global, o mundial de Osaka no triplo salto, lançava-o para uma nova fase da carreira e da vida que mudou radicalmente a existência deste atleta do Benfica, que também já havia passado pelas fileiras do FC Porto.
Ficou o grande público a saber da história bastante invulgar de um jovem, modesto e educado, nascido em Abidjan, na Costa de Marfim, filho de caboverdianos e que desde os 5 anos veio viver para os arredores de Lisboa. E que teve a coincidência de ter como vizinho João Ganço, professor de Educação Física e antigo saltador à altura do Benfica, um dos primeiros portugueses a passar os 2 metros. Da amizade entre professor e aluno nasceu a colaboração que levou Nelson ao atletismo, primeiro como saltador e em altura e depois orientando-se para o comprimento e triplo salto.
Entre comprimento e triplo a escolha foi difícil numa fase incial da sua notorieadade. Foi campeão europeu júnior em 2003 nestas duas diciplinas, mas seria o triplo a proporcionar-lhe uma primeira experiência olímpica em Atenas 2004, não tendo então conseguido qualificar-se para a final. A mesma sorte teve nos primeiros Mundiais em que participou como senior, em Helsínquia 2005. O ano seguinte foi aquele em que bateu o recorde nacional de Carlos Calado no triplo salto, chegando a 17,23m, e que marcou a orientação preferencial e definitiva para esta disciplina. Nos Europeus de 2006, em Gotemburgo, acabou sexto no comprimento e quarto no triplo. A temporada imediata marcou a grande explosão, mas se à priori era um potencial candidato às medalhas nos Mundiais de Osaca, ganhar com 17,74m, um fabuloso recorde português e a melhor marca mundial do ano, era algo que poucos poderiam prever.
Nelson Évora tornou-se o primeiro homem campeão mundial do atletismo português, igualando a proeza das fundista femininas Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, Manuela Machado e Carla Sacramento. .
O ano passado todos olhavam para o benfiquista como um candidata ao ouro olímpico em Pequim. Aparentemente todos menos os britânicos, que acreditavam em Phillips Idowu. Mas numa final muito apertada Nelson mostrou também ser o atleta que se sabe superar nos grandes momentos, confirmando as palavras de João Ganço antes do evento no Ninho do Pássaro, que o davam na melhor condição de sempre. Os 17,67m feitos na capital chinesa constituiram uma vez mais a melhor marca mundial do ano ao ar livre.
Desta vez não há dúvidas. Ganhe ou não, Nelson Évora é favorito para concluir este ciclo de três vitórias consecutivas em campeonatos globais, que antecedem a disputa para o ano em Berclona do único título ao ar live que lhe falta, o europeu. Detém de novo o melhor registo anual, com 17,66m feitos em Maio no Brasil, sagrou-se entretanto campeão mundial universitário em Belgrado, venceu claramente Idowu no maior embate entre ambos, nos Europeus por equipas de Leiria. Se vencer de novo em Berlim, já nem mesmo os britânicos poderão falar de um resultado “inesperado”, como fizeram o ano passado no rescaldo de Pequim.










