Atletismo
12/08/2009 - 20:01Jelimo, do anonimato à glória em meio ano

O desporto tem ainda neste tempo em que parece que tudo já foi visto, histórias que se assemelham a contos de fadas. O da meio fundista queniana Pamela Jelimo foi o mais desconcertante da história recente do desporto.
Ao iniciar-se a temporada de 2008, a jovem queniana de 18 anos Pamela Jelimo era praticamente desconhecida no mundo atlético. Ao apresentar-se em Adis Abeba para os 16ºs campeonatos africanos, apenas se sabia que tinha sido campeã africana júnior dos 400m, e 7ª nos 200m, no ano transacto. Nessa ocasião, na capital etíope e de forma totalmente imprevisível sagrou-se campeã africana nos 800m, batendo Lurdes Mutola com o tempo então considerado sensacional de 1m58,70s.
Daqui em diante foi um nunca mais parar - ganhou 13 provas de 800m de seguida, foi batendo a cada uma delas a sua marca pessoal de forma a que chegou a cinco recordes mundiais de juniores. Em meetings de primeira grandeza onde nunca sonhara estar Jelimo foi ganhando sempre como se de uma experiente atleta se tratassse, acabando por chegar em Zurique, a 29 de Agosto, a 1m54,01s, terceira marca de sempre que ditava como óbvio ser ela quem bateria o mais velho recorde mundial feminino vigente, conseguido pela checoslovaca Jarmila Kratochvilová com 1m53,28s em Munique, em Julho de 1983.

Pamela Jelimo obteve os oito tempos mais rápidos nos 800m em 2008 e se a sua inexperiência poderia pôr em causa o que ela conseguiria fazer nos Jogos de Pequim, Jelimo mostrou que essa não era razão suficiente para impedir a conquista do título olímpico, ao acabar larga vencedora em 1m54,87s, a sua segunda marca mais rápida.
Não satisfeita com esta correria louca em busca de recordes e prémios Pamela ganhou sozinha o jackpot da Liga Dourada, fruto da sua imbatibilidade nos 800m, arrecadando o milhão de dólares, e veio a vencer também a final mundial do atletismo Estugarda na sua distância predilecta.
HEROÍNA NO QUÉNIA
Regressada com todas as honras milionária ao Quénia, foi acolhida com centenas de pedidos de casamento em seu nome.
Mas na verdade a mudança de temporada mudou tudo para jovem queniana, e em especial na percepção que dela se tinha. Em primeiro lugar veio a saber-se que os pedidos de casamento eram fruto da ignorância de que estava casada desde Novembro de 2007 com Peter Kiprotich Murray. Depois também se veio a saber que afinal já correra os 800m antes de 2008, mas sem tempo certo - de cerca de 2m14s.

O que não se soube a não ser até há pouco é que esteve lesionada na transição para 2009 e perdeu meses de treino. Isto explica a entrada em acção o mais desanimadora possível na nova época. Na primeira prova, em Rabat nos finais de Maio, foi sexta com 2m02,46s, e no meeting de Eugene, nos Estados Unidos, pouco depois, a 7 de Junho, era sétima com o péssimo tempo de 2m05,57s.
Ninguém sabia o que se passava com a outrora fulgurante Pamela. Mas com o avançar de Junho Jelimo foi reganhando alguma condição e depois de baixar dos 2 minutos finalmente foi vice-campeã queniana em Nairobi, com 1m59,49s. É bem provável que o tempo que medeou esse evento e os Mundiais tenha permitido a Pamela reganhar mais alguma da capacidade mostrada o ano passado, mas a verdade é que se aguarda com enorme expectativa a sua aparição na pista do Estádio Olímpico de Berlim.
E mesmo que não houvesse outra razão para isso, esta seria forte – confirmando que o mundo não pára e nunca se pode ficar descansada em cima dos louros, surgiu uma “nova Jelimo” na figura da sul-africana Caster Semenya, que aos 18 anos, nos campeonatos africanos de juniores, coreu em 1m56,72s no último dia de Julho, a melhor marca mundial do ano apara quem antes numa descera dos 2 minutos.










