Atletismo
10/08/2009 - 18:42Continua o ciclo Nelson Évora ?

Na antevisão dos próximos Mundiais de atletismo de Berlim analisa-se hoje o sector de saltos e lançamentos, aquele em que Portugal apresenta as maiores probabilidades de sucessso.
Nelson Évora é uma das maiores figuras deste sector. No triplo salto o atleta do Benfica procura continuar o ciclo virtuoso encetado há dois anos em Osaka, quando se sagrou campeão mundial, e continuado o ano passado em Pequim, onde atingiu o título olímpico (ver perfil anexo Nelson Évora à procura da tripla coroa seguida).
Nelson é o detentor da melhor marca mundial do ano (17,66m), já fez 17,82m com vento, e parte como claro favorito. Porém uma vez mais o britânico Phillips Idowu, vice-campeão olímpico e cotado já com 17,60m esta época, estará no seu caminho, bem como estarão os melhores cubanos, como Alexis Copello (17,65m), Yoandri Betanzos (também 17,65m) e David Giralt (17,62m), pelo que a competição será dura.
No triplo femininos a cubana Yargelis Savigne tem sido a mais regular ao longo da temporada e defende o seu título mundial de há dois anos, mas a Rússia apresenta na figura da sua surpreendente campeã e líder mundial (15,14m) Nadezhda Alekhina uma potencial outsider.
A HORA DE NAIDE
No comprimento feminino Naide Gomes procura a sua primeira medalha em Mundiais ao ar livre e fazer esquecer a infeliz qualificação olímpica do ano passado. Detentora da segunda marca do ano, com 6,99m, a sportinguista merece o papel de favorita, pese embora recorrentes problemas musculares num perna. As americanas Brittney Reese (7,06m) e Funmi Jimoh (6,96m) parecem ter já passado o pico de forma, a campeã olímpica brasileira Maurren Maggi tem forma algo incerta e a antiga campeã olímpica russa Tatyana Lebedeva (6,93m) foi batida por Naide a cada encontro e parece algo longe do seu melhor. Mas já se sabe que nesta semana de antes do Mundiais muitas destas perspectivas podem mudar.
O comprimento masculino proporá um dos maiores duelos dos campeonatos. O bicampeão mundial e campeão olimpico de 2004 americano Dwight Phillips (8,74m) desafia Irving Saladino, do Panamá (8,63m), seu sucessor como titular mundial e olímpico, e parte com alguma dose de favoritismo.
ISINBAYEVA EM CRISE?

Na vara a aparente crise da russa Elena Isinbayeva (na foto - este ano só 4,85m), que perdeu na última saída para a polaca Anna Rogowska no Crystal Palace, parece abrir uma janela de oportunidade à concorrência, mas infelizmente a que mais poderia aproveitar, a americana Jennifer Stuczynski, também atravessa problemas e poderá nem sequer competir.
Na vara masculina há muita curiosidade em se saber se a revelação do ano, o francês Renaud Lavillenie (6,01m), poderá vencer o campeão olímpico australiano Steve Hooker, que está longe da forma de Inverno quando passou 6,06m indoor.
DUELO DE GIGANTES
Na altura feminina vai ter lugar outro dos maiores duelos dos campenatos: a alemã Ariane Friedrich contra a croata Blanka Vlasic (na foto).

Friedrich venceu o encontro na Liga Dourada de Berlim com a melhor marca do ano, a 2,06m, mas a croata (este ano 2,05m) infligiu recentemente a primeira derrota da temporada à germânica. Ver-se-á se o factor casa funciona a favor de Ariane ou, ao invés, pressionará a alemã.
Na altura masculina tudo pare inclinar-se para um embate entre os russos Ivan Ukhov e Yaroslav Rybakov (ambos 2,35m) e o checo Jaroslav Baba (2,33m).

No lançamento do peso masculino o campeão olímpico polaco Tomasz Majewski (na foto)mostrou que é capaz de derrotar de novo os americanos com a melhor marca mundial estabelecida em Estocolmo há dias, com 21,95m. Mas Chris Cantwell (21,89m), Reese Hoffa (21,89m), Dan Taylor (21,78m) e Adam Nelson (21,07m) querem a desforra de Pequim.
No lado feminino há uma favorita única: a neozelandesa Valerie Vili, a campeã olímpica que este ano já subiu o recorde oceânico para 20,69m.
No disco o estónio Gerd Kanter já soma 21 competições vitoriosas seguidas, é lider do ano com 71,64m e dificilmente será surpreendido. Porém o velho campeão lituano Virgilinus Alekna está em subida (68,94m) e tem algum ascendente psicológico sobre ele, já que era o seu ídolo.
No disco feminino a campeã olímpica americana Stephanie Brown-Trafton (66,21m) é a melhor do ano mas terá de se acautelar com a regressada – após suspensão – russa Natalya Sadova, campeã nacional com 65,40m.

Também regressada de suspensão a russa Tatyana Lysenko (na foto - 76,41m) parte como favorita do martelo feminino, mas a campeã olímpica bielorrussa Oksana Menkova (76,32m) recupera de um mau início de época, a alemã Betty Heidler, campeã mundial em 2007 em Osaka (75,83m) jogará em casa, e a polaca Anita Wlodarczyk chegou este domingo a 77,20m, nova melhor marca do ano.
Nos homens tem papel de favorito adiante de um lote muito compacto o húnagro Krisztián Pars, líder mundial com 81,43m, muito regular e imbatido esta temporada.
No dardo haverá grandes embates em ambos os sexos. Nos homens como sempre desde há anos entre o norueguês bicampeão olímpico Andreas Thorkildsen (88,97m) e o finalandês campeão mundial Tero Pitkaemaeki (87,79m). E nas mulhres com a alemã Christina Obergfoel , líder mundial (68,59m) contra a campeã olímpica checa Babora Spotáková (68,23m), com arbitragem da russa Mariya Abakumova, que no entanto parece menos forte que há um ano nos Jogos Olímpicos, onde foi medalha de rate.









